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Arquitetas que Deus usa - Parte 4

Arquitetas que Deus usa - Parte 4

Atualizado: Terça-feira, 23 Fevereiro de 2010 as 12

Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como vai bem a tua alma (3 Jo 2).      

Conta-se que o grande rabino Hillel, tendo acabado uma lição, disse aos seus discípulos: "Vou realizar agora um dever religioso". "Que dever?" perguntaram eles. "Tomar banho", replicou. E enquanto os jovens ficaram a olhá-lo espantados, o rabino prosseguiu: "Não devo cuidar do meu corpo? Ele não foi criado à imagem de Deus?"         

No meio cristão há correntes que incentivam apenas a valorização das coisas espirituais, em detrimento das naturais e físicas, como se a matéria não tivesse valor algum, funcionando apenas como um invólucro para a alma e o espírito.    

Quando Deus formou o homem do pó da terra considerou-o tão importante que não quis fazê-lo sozinho:  

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre todo réptil que se move sobre a terra" (Gn 1: 26).   

Podemos perceber no texto acima que esta expressão contém uma referência ao Deus Trino e Uno (o sujeito oculto "nós"). Ali estava presente, Deus-Pai, Deus-Filho e Deus Espírito Santo.     

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, portanto, tanto nosso espírito (que nos capacita a entrarmos em contato com Deus); nossa alma (que nos possibilita perceber e comunicar nossos sentimentos a esse Deus tremendo) e nosso corpo (templo do seu Espírito) são igualmente importantes e merecedores de nossa atenção e cuidados.  

E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso corpo, alma e espírito sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Ts 5: 23).           

A Palavra de Deus nos adverte que, tanto o espírito, a alma e o corpo deverão ser plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Isto significa que daremos conta a Ele de nosso ser como um todo. Nosso corpo também deverá estar bem cuidado, demonstrando, assim, nossa obediência à Sua Palavra.  

Um indivíduo que passou sua existência contribuindo para a destruição de seu próprio corpo não estará glorificando o Criador. Não apenas o uso de drogas, álcool e nicotina têm o poder de destruir o corpo; o descontrole alimentar e falta de atividade física também contribuem para o encurtamento da vida ou a perda de sua qualidade. 

Muitos conhecem o ditado que diz "que o peixe morre pela boca". Apesar de concordarmos com essa sabedoria popular pouco é feito em torno desse conhecimento. Comer é bom, e o quanto mais, melhor; dizem aqueles cuja felicidade está em torno de uma mesa farta. Equilíbrio é o ponto-chave.

"Não sejais como o cavalo, nem como  a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão" (Sl 32: 9). 

Não devemos esperar que o corpo dê sinais de que algo não vai bem para passar a nos preocupar com ele. A Bíblia diz que não devemos agir como animais que precisam de cabresto para ser guiados. O crente possui um espírito recriado para ouvir a voz do Espírito de Deus orientá-lo. A própria Palavra diz:   

"Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro; para que não façais o que quereis" (Gl 5: 16, 17).       

Percebemos que o autocontrole diante dos desejos desenfreados da nossa natureza pecaminosa é uma forma de culto a Deus. Andar em Espírito, ou seja, ser guiado pelo Espírito Santo nos capacita a ter o equilíbrio necessário para não cometermos excessos. Não existe outro grande segredo!

É sabido que manter alimentação equilibrada e atividade física regular é uma boa receita para atingir o tão sonhado bem estar. Por bem estar entenda-se boas condições de saúde e satisfação com o próprio corpo e mente.

Os meios de comunicação tem bombardeado as pessoas com este conceito, as indústrias de bem de consumo tem criado e produzido cada vez mais novidades prometendo isto de forma mais rápida e que não exijam tanto esforço pessoal.   

A moda dita o conceito de beleza do momento, promovendo corpos esguios ou muito bem malhados e estes passam a fazer parte dos sonhos das pessoas.   

Nas academias é comum os professores se depararem com pedidos do tipo: quero ter o corpo igual a (o) da (o) modelo tal. O pedido vem acompanhado de fotos e dossiês a respeito do ídolo. Entretanto o professor olha para o aluno e percebe que na maioria das vezes, isto é simplesmente impossível por uma questão da natureza humana: biotipo incompatível (as pessoas têm constituição corporal diferentes). Algumas pessoas nunca vão conseguir fazer parte deste clã das modelos atuais, altas e muito magras. Nem com muito regime, nem com muita prática de exercício, nem com várias cirurgias, porque elas são simplesmente diferentes. A saúde não conta, mas vemos em tudo isso pura vaidade.  

"Sendo certo que há muitas coisas que aumentam a vaidade, que mais tem o homem de melhor? Porque, quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, por todos os dias da sua vaidade, os quais gasta como sombra? Porque, quem declarará ao homem que será depois dele debaixo do sol?" (Ec 6: 11, 12)

No entanto, esta busca deixa as pessoas tão cegas que não são capazes de perceber que dentro das suas características físicas, sempre haverá beleza e satisfação com o resultado da busca de uma vida saudável.

O que acaba acontecendo é que as pessoas que buscam, perseguem com perseverança, atingir o modelo de beleza vigente, acabam adoecendo. O prejuízo que a frustração traz reduz a autoestima, e os indivíduos passam a não conseguir enxergar outras perspectivas de serem felizes. Só são capazes de ver o fracasso, a sensação de sonho não atingido, e esta sensação gera muita ansiedade e depressão. 

Ter uma dieta equilibrada e praticar exercícios deveria ser uma questão de saúde e não de estética. A estética é muito importante enquanto for vista como forma de melhorar a autoestima e sentir-se confortável com o corpo que tem. E isto não tem necessariamente a ver com corpos magérrimos ou malhadíssimos.  

Autoestima se constrói com outros sonhos igualmente importantes, envolvendo outros lados da vida, além de ser saudável e estar satisfeito com o corpo. Quando outras questões como vida espiritual plena, realização profissional, construção de relações e laços de amizade e familiares, ficam "apagadas", ou esquecidas, porque a obsessão com o corpo toma todo o tempo e esforço das pessoas, a possibilidade de atingir satisfação consigo diminui, fica limitada e a pessoa acaba adoecendo, tentando cuidar da saúde. O exagero é sempre vilão e inimigo da felicidade!     

A ligação entre a alimentação e as doenças estão muito bem documentado, e existem várias provas que comprovam que o que comemos tem um impacto muito grande na forma como nos sentimos. Os nossos estilos de vida e hábitos alimentares mudaram dramaticamente nas últimas décadas. Hoje em dia, confiamos na conveniência da comida rápida, ou "fast-food" e em suplementos nutricionais do que propriamente em alimentos frescos. 

Precisamos, como filhos de Deus, nascidos de novo, buscarmos todo o fruto do Espírito (Gl 5: 22). O domínio próprio é de suma importância para vencermos a tentação dos excessos. A mídia nos bombardeia diariamente com suas ofertas, e fica difícil resistir, seja em termos de consumo de roupas, bebidas, objetos tecnológicos e comida. As novelas e filmes estão cheios de personagens em roda de mesa farta. Muita comida e muita bebida. Pessoas vazias, sem nada a dizer, mas que acabam por formar opiniões distorcidas nas mentes fracas de indivíduos que os assistem.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma" (1 Co 6: 12).  

Independente da moda vigente precisamos nos preocupar com nossa apresentação diante do mundo, não por  vaidade. Não com o intuito de "forçar" um status ou exibicionismo gratuito. Tudo feito de maneira equilibrada. Devemos cuidar de nosso corpo, de maneira geral: externa e internamente, tal como alguém que dará conta dele diante de Deus. Somos apenas mordomos que zelam pelo templo do Seu Espírito.     

Aqueles que são bons zeladores do "templo do Espírito" (1 Co 6:19) edificarão vidas através do seu testemunho pessoal. Sem discursos ou palavras, mas com "vida cheia de vida".  Somos arquitetas que Deus usa para edificar vidas! 

"Em tudo, te dá por exemplo de boas obras;" (Tt 2: 7 a).

Mônica Valentim é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.     

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