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Desperta, tu que dormes!

Desperta, tu que dormes!

Atualizado: Quarta-feira, 10 Março de 2010 as 12

''No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles, e alargou a prática até a meia noite (...) E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo, e foi levantado como morto ''

(At 20: 7, 9).  

É sabido que todos os indivíduos precisam de descanso para ter saúde. Assim como a alimentação saudável e equilibrada, um sono reparador é fundamental para recarregarmos as ''baterias'' do nosso organismo.    

Quando estamos com nossas ''baterias'' abastecidas temos condições de desempenhar as tarefas necessárias do dia-a-dia.  Precisamos estar despertos para realizar tudo que precisamos, do contrário, faremos tudo de maneira mecânica, sem reflexão e muito aquém daquilo que poderíamos render.   

Durante nossa caminhada cristã passamos por várias fases. Costumamos chamar de ''primeiro amor'' a fase inicial, imediatamente após nossa experiência de conversão ou ''novo nascimento''.  Nesta fase, o novo convertido costuma demonstrar uma grande paixão por Jesus Cristo e pelo Evangelho do Reino. Nada é empecilho para ele; seu desejo em descobrir esse universo novo o motiva a buscar conhecer o Senhor, e compartilhar aquilo que descobriu com outros.   

Passado esse primeiro momento, a fase de deslumbramento, sofre um arrefecimento. O período da novidade passa, e, ao deparar-se com as dificuldades normais da vida, esse primeiro amor esfria, sufocado pelas preocupações. 

Jesus Cristo, ao discorrer sobre a parábola do semeador, comparou essa atitude àqueles que recebem a semente  do Evangelho entre pedregais:     

''...porém, o que foi semeado entre pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende ''

(Mt 13: 20, 21).

Os pedregais simbolizam as aflições que, normalmente, todas as pessoas passam no decorrer de sua vida. Jesus Cristo nos advertiu sobre isso: ''... no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo'' (Jo 16: 33 b).

Muitos vêm para o Evangelho buscando um socorro imediato às suas necessidades. Satisfeitos, deixam o Senhor Jesus de lado e vão a busca de outra coisa que os satisfaçam. Não há  um compromisso verdadeiro com Deus e o Evangelho do Reino.    

Encontramos, também, pessoas que permanecem nas igrejas  por longos anos, apenas por conveniência. Há muito não desfrutam de uma comunhão genuína com Deus. ''Conhecem'' o Senhor de longe. São crentes ''incrédulos'', isto é, confessam de boca, mas suas atitudes demonstram claramente que não crêem em Deus, e muito menos em Sua Palavra. Aliás, nem lêem mais a Bíblia; apenas aos domingos. E a Palavra nos ensina: ''De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus'' (Rm 10:17). Acabam por se tornar frios na fé; totalmente infrutíferos para o Reino de Deus.  

O apóstolo Paulo admoestando a Igreja de Corinto, no tocante à maneira como devemos participar da ceia do Senhor, adverte sobre a necessidade de cada um examinar-se antes de comer do pão e beber do vinho. Aqueles que o fazem indignamente o fazem para sua própria condenação.  

''Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem'' (1 Co 11:29, 30).

A Bíblia nos revela a causa da fraqueza e dormência espiritual: o não discernimento do corpo do Senhor.  A cerimônia da ceia é muito mais que um memorial. Há significados espirituais intrínsecos. Quando eu como do pão e bebo do cálice, estou recordando e concordando com o texto de Isaías  53:4, 5.  

''Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas, fomos sarados ''.

É preciso reconhecer e aceitar, que por meio do derramamento do Seu sangue, temos todos os pecados perdoados e extintos; e através das feridas que Jesus Cristo sofreu em Sua carne, recebemos o direito à cura de todas as enfermidades. Fomos sarados; não seremos. Foi uma obra única e eficaz.

É preciso buscar o aprofundamento espiritual, enraizar-se na Palavra, pois ela é que nos capacita a crescer continuamente no conhecimento do Reino de Deus: ''A exposição das tuas palavras dá luz e dá entendimento aos simples'' (Sl 119: 130).     

Quando ficamos à margem do Evangelho, ou seja, o contemplando de longe, ficamos em total dormência espiritual. Esse foi o caso do jovem Êutico, citado no texto de Atos 20: 7, 9. Ele escutava de longe a pregação da Palavra de Deus, por intermédio de Paulo. Estava sentado na janela. De repente, a palavra já não o atraía, e, acabou adormecendo. Seu sono foi tão profundo que culminou em sua queda da janela,sendo levantado morto.    

Infelizmente presenciamos pessoas, antes tão fervorosas no início da caminhada cristã, hoje dormindo ou mortas espiritualmente. Vivem de aparências ou permanecem nas igrejas apenas pelo medo do inferno.  

Temos um compromisso com Deus e Sua Palavra. ''Ele nos tirou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor'' (Cl 1: 13), não para vivermos ''ilhados'', rodeados de bênçãos, mas para influenciarmos outros a virem para o Reino de Deus.

A Palavra nos declara: ''Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te  dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá'' (Ef 5: 14). É preciso despertarmos desse sono maligno, que nos impede de crescermos em graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.      

A dormência espiritual é o primeiro estágio da morte espiritual. Precisamos voltar ao primeiro amor, tanto pela obra de Deus, quanto por sua Palavra. “A fé vem pelo ouvir a Palavra”. E o objetivo da fé é muito maior do que possamos imaginar; vai além da religião morta: é a salvação da nossa alma.   

'' Para que a prova da nossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não havendo visto, amais; na qual não vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso, alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma ''

(1 Pd 1:7, 8, 9)

Mônica Valentim

Mônica Valentim é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.

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