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Escolhendo a melhor parte

Escolhendo a melhor parte

Atualizado: Segunda-feira, 23 Novembro de 2009 as 12

No title "Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta; estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada" (Lc 10: 41, 42). 

Nós mulheres temos enfrentado nesses tempos pós-modernos um dilema crucial: Sermos esposas, mães, donas-de-casa, profissionais, conselheiras, irmãs, filhas,etc. Isso sem contarmos as atividades desempenhadas junto às comunidades eclesiásticas, em se tratando de mulheres cristãs. 

Se já não bastassem tantas funções simultâneas, some-se a isso o dever da excelência! Não necessariamente cobrado por aqueles que nos cercam, mas nós mesmas nos infringimos tal exigência.     

Temos perdido grandes oportunidades de crescimento, justamente por não pararmos para reabastecimento. Precisamos renovar nossas forças físicas, emocionais e espirituais, até para que possamos dar conta de tanta demanda. 

Quando o Senhor Jesus foi recebido por Marta em sua casa, esta deixou de perceber a tremenda oportunidade que estava tendo de aprender com o próprio Mestre acerca do Reino de Deus. Uma oportunidade ímpar, percebida apenas por sua irmã Maria. O Mestre não estava preocupado se a casa estava desarrumada, já que Ele chegara de surpresa, ou se a comida ainda não estava pronta. O que Ele esperava era um coração sensível à sua voz e desejoso por comunhão.    

Numa análise superficial poderemos concluir que Maria era indolente, preguiçosa. E Marta, uma mulher dinâmica, ativa. Uma verdadeira serva. Mas, podemos concluir quando observamos o texto de Lucas 10: 38- 42, que Jesus ressaltou a escolha de Maria, não a de Marta. O Mestre não estava desmerecendo o trabalho, mas valorizando a sensibilidade espiritual de Maria, pois esta entendeu que melhor seria aprender com o Senhor Jesus. E, quando Jesus fala, Ele diz.  Não poderia perder aquela oportunidade de ouro. Isso é saber escolher as prioridades!   

Quando temos consciência daquilo que é prioridade, não nos permitimos embaraçar com coisas que nos tirarão de nossos alvos, ou nos impedirão de crescer. Quem foi que disse que precisamos fazer tudo ao mesmo tempo para provar que somos boas mulheres? Isso sim é que irá nos afastar cada vez mais de nossos objetivos, e por fim, ficaremos frustradas.    

Vivemos sobrecarregadas, muitas das vezes por nos sentirmos culpadas por não darmos a atenção que deveríamos em determinada área. Se trabalharmos fora de casa, nos permitimos dobrar a carga fazendo também as tarefas domésticas. Poucas são aquelas que pedem colaboração dos outros membros da família. Acabam estafadas.   

Precisamos de quietude na alma para ouvir a Deus. A voz do Espírito só é ouvida quando fazemos calar as outras vozes.  É uma voz suave e meiga que nos consola, ensina e também exorta. O Senhor deseja que nós queiramos ter comunhão com Ele, estar com Ele, e, assim, podermos ver a Sua glória em nossa vida:       

"Pai, desejo que onde estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para que vejam a minha glória, a qual me deste: pois que me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17: 24).    

Estar em comunhão com o Espírito de Deus é primordial para que saibamos viver da melhor maneira, as escolhas que devemos fazer, quais atitudes vamos tomar; enfim, tudo o que diz respeito a nós o Senhor está interessado. Ele é o nosso Ajudador.     

Muitos pensam erradamente que servir a Deus é ocupar cargos em igrejas, fazer várias atividades em diversos departamentos, mas isto é um grande equívoco. Isso é servir a uma denominação; ativismo. Servir a Deus é praticar aquilo que Ele pede de nós em Sua Palavra. E, conforme o Salmo 100: 2, precisa ser "com alegria", mesmo se aquilo que Ele pede de mim, a princípio, não me pareça o melhor, mas no final o será.  

É um privilégio poder cooperar com a obra de Deus, desenvolvendo os dons que Ele nos deu na Igreja que congregamos. Mas tudo deve ser feito de forma equilibrada para que não interfira com outras responsabilidades que  possamos vir a ter. Quantos de nós já não ouvimos testemunhos infelizes de famílias, cujos filhos se desviaram do Evangelho, porque suas mães os deixavam sozinhos à própria sorte (ou ao diabo), para participarem de reuniões de orações intermináveis. A prioridade seria "ensinar a criança no caminho [junto com ela] em que deve andar" (Pv 22: 6), não apenas apontar o caminho para ela.

"Guarda o teu pé, quando fores à casa de Deus; porque se chegar para ouvir é melhor    do que oferecer sacrifício de tolos; pois não sabem que fazem mal" (Ec 5: 1).

Algumas denominações vivem de eventos. Quando termina uma celebração, inicia-se outra. Com isso, cria-se um ambiente que favorece o ativismo, não o serviço a Deus e ao Reino. Isso faz desenvolver nos membros uma necessidade de estar fazendo algo sempre, senão parecerão que "não estão produzindo frutos".  Pela Palavra de Deus isso se denomina "sacrifício de tolo", ou seja, inútil.  Para Deus, melhor seria se parássemos para ouvi-lo falar pela Palavra, pois "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus" (Rm 10: 17). Para realizarmos todas as coisas, seja em da nossa vida pessoal, ou do Reino de Deus, precisamos da fé para executá-la. Daí a necessidade de ouvirmos (escutar e dar atenção) à Sua Palavra.     

Os princípios espirituais precisam ser conhecidos pelos filhos de Deus, para que estes possam viver a plenitude que Ele próprio planejou. É preciso  conhecer intimamente a Deus, e Ele se revela em Sua Palavra: "Havendo Deus antigamente, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias pelo Filho" (Hb 1: 1) .  Sabemos que o Filho é a Palavra: "E o Verbo [a Palavra] se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1: 14) .  Quando estudamos a Palavra de Deus aprendemos que Ele deseja que sejamos ouvintes praticantes, não apenas teóricos. Aprendemos também que não precisamos de esforços físicos, inúmeras atividades para sermos abençoados por Ele.    

"E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor, teu Deus" (Dt 28: 2).    

Note que não é mencionado trabalho ou cargo na igreja. A condição é ouvir (escutar e dar atenção). Quando ouvimos a Deus, tomamos conhecimento de Sua vontade para nossas vidas, seja profissional, pessoal ou espiritual. Com isso, somos capacitados a agir com sabedoria e combater as possíveis oposições dos inimigos (sejam no campo físico ou espiritual).Somos armados por Ele para vivermos e vencermos.  

Precisamos estar onde o Senhor está. Desfrutar da presença do Seu Espírito. Segui-lo de perto. Muitos pensam que estão pertos, mas O estão contemplando de longe, pois estão envolvidos em tantas coisas que não têm mais tempo para escutá-Lo; não foi assim que fez Maria, irmã de Marta. Segundo o Mestre, a primeira escolheu a melhor parte.   

"Se alguém me serve, siga-me: e onde eu estiver, ali estará também meu servo. E se alguém me servir, meu Pai o honrará" (Jo 12: 26).    

Mônica Valentim

Mônica Valentim é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.    

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