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A lei de causa e efeito

A lei de causa e efeito

Atualizado: Segunda-feira, 10 Setembro de 2012 as 2:43

“E era Abrão da idade de oitenta e seis anos quando Agar deu Ismael a Abrão. Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 16.16; 17.1).

Diz certo ditado que “quem pergunta quer resposta”. Como é frustrante experimentarmos o silêncio de quem estávamos tendo comunicação, e que, de repente, esse contato é cortado por alguma razão específica. Mesmo que, a princípio, não encontremos motivos para tal acontecimento, nesses casos podemos aplicar a 3ª lei de Newton, isto é, a lei de causa e efeito:

Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". A Física aplicada às relações.

Quando Deus apareceu a Abrão pela primeira vez este tinha setenta e cinco anos. Nesta ocasião o Senhor lhe fez a promessa de que faria dele uma grande nação, o abençoaria, engrandeceria seu nome e ele seria uma bênção onde quer que fosse. Ainda acrescentou que abençoaria aos que o abençoasse e amaldiçoaria aos que o amaldiçoasse. E todas as famílias seriam benditas nele (Gn 12.2-4).

Mesmo sendo já idoso, e sua mulher Sarai estéril (Gn 11.30), Abrão não retrucou com Deus tentando justificar sua real condição, que aos olhos humanos impossibilitaria o grande propósito do Senhor para sua vida. Partiu daquela terra em que habitava com toda a sua família, e foram todos para a terra de Canaã.

Enquanto aguardava o cumprimento da promessa de Deus Abrão ia prosperando. Tornou-se um homem rico em gado, em prata e ouro (Gn 13.2), mas os filhos prometidos por Deus não vinham; mas ele não duvidava dAquele que havia feito a promessa, como nos aponta o texto de Romanos 4.17-21). 

“(como está escrito: Por pai de muitas nações te constitui), perante Aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem). O qual, em esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo amortecido (pois já era de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus; e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer”.

Haviam-se passado onze anos; apesar de Abrão manter-se firme diante da promessa de Deus, Sarai sua mulher, não tinha a mesma opinião. 

Tinha se passado muito tempo, e, tudo indicava que Deus havia se “esquecido” da promessa. Olhava para as circunstâncias, que aparentemente eram contrárias, e deixou-se levar pela lógica humana: Se Deus havia prometido filhos ao seu marido não seria ela a mãe, já que era estéril e idosa. E, a partir de um costume permitido entre os povos da época, ofereceu sua serva egípcia, para que esta desse ao seu marido o filho que julgava ser impossível vir do seu ventre. Agar serviria de uma espécie de “barriga de aluguel” dos dias atuais.

Abrão deixou-se convencer pelos argumentos de sua mulher, a ponto de esquecer-se momentaneamente das promessas de Deus. A serva de Sarai concebeu e deu a luz a Ismael, que significa “Deus está ouvindo” quando Abrão tinha oitenta e cinco anos. O “arranjo” culturalmente aceito pela sociedade da época não teve a mesma opinião de Deus, pois ficava claro que haviam duvidado do Deus do impossível. Abrão amargou o silêncio de Deus por treze anos. Antes, o Senhor falava sempre com ele, agora ele se vê só e sem a direção de que tanto necessitava.

Quando Abrão tinha noventa e nove anos o Senhor apareceu a ele. Apresentou-se como o Deus Todo-poderoso; aquele que faz coisas extraordinárias aos olhos humanos, incluindo sarar um ventre amortecido; “que faz com que a mulher estéril habite em família e seja alegre mãe de filhos” (Sl 113.9), e ainda o advertiu a andar na presença dEle e ser perfeito (Gn 17.1). Abrão deveria buscar a perfeição olhando apenas para a promessa da Palavra do Senhor, e não dando ouvidos a opiniões humanas.

Após amargar o triste silêncio de Deus, e ter sido advertido por Ele, Abrão reconhece o seu erro, ficando visível sua atitude quando caiu sobre seu rosto (Gn 17.3). O Senhor pode, então, reiterar o Seu concerto com ele, e ainda ampliá-lo, mudando também seu nome para Abraão, pois Deus faria dele, agora, pai de uma multidão de nações. E assim aconteceu, pois a partir da sua semente deu origem ao povo árabe, através de Ismael, e aos judeus, com o nascimento de Isaque.

O ditado popular que diz que “a voz do povo é a voz de Deus” nunca poderá ser aplicado aos servos do Senhor, pois precisamos aprender a calar as vozes ao nosso redor, e esperarmos pelo cumprimento da palavra dAquele que é a Verdade, “que vela sobre a Sua Palavra para a cumprir” (Jm 1.12). Se recebermos uma promessa de Deus deveremos esperar por seu cumprimento, e não tentarmos dar um “jeitinho brasileiro” para que aconteça.

Quantos tomam atitudes precipitadas quando se encontram em situações difíceis, como crises financeiras, e, que, ao invés de orar a Deus, colocando suas necessidades, pedindo uma direção sábia e aguardando a resposta, optam por contrair empréstimos a juros abusivos; e aquilo que a princípio parecia ser uma solução fácil, mostra-se como uma armadilha ou transferência de dívidas. Deixa-se de dever um, e passa-se a dever três. 

Quando estamos diante de problemas simples ou aparentemente de difícil solução, devemos confiar na Palavra infalível de Deus, que diz: “O meu Deus, segundo suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fl 4.19). Todas as necessidades incluem finanças, saúde, emoções, entre outras. A Palavra diz “quem crer verá a gloria de Deus” (Jo 11.40). Logicamente que “o crer” é a peça fundamental para mover a mão de Deus em nosso favor. Crer é mais do que apenas dizer que tem fé. A fé é o combustível para dar força às nossas orações, baseadas nas promessas da Palavra de Deus, e o crer, como verbo, denota ação. Portanto devo agir em relação à palavra de fé que saiu dos meus lábios na oração; como se aquilo de que preciso já estivesse comigo. Assim Jesus Cristo promete:

“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7).

Quando damos “voz” a Palavra escrita de Deus, em Nome de Jesus, os anjos vêm e realizam a obra necessária que estamos pleiteando, assim como nos afirma Salmos 103.20: “Bendizei ao Senhor, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua Palavra”. Se escolhermos trilhar nossos próprios caminhos não poderemos contar com os anjos de Deus em nosso favor. Estaremos entregues a nós mesmos e Deus não mais falará conosco. Para quê falaria Ele a alguém que não acataria as Suas ordens?

Nunca devemos tentar dar “uma mãozinha” a Deus, como se Ele precisasse disso para nos abençoar. Muitas atitudes que são tomadas sem a permissão de Deus acarretam problemas terríveis para os que as fazem. Assim como a atitude de Abraão trouxe a inimizade entre as nações as quais ele deu origem; até hoje os filhos herdeiros, os judeus, enfrentam a hostilidade dos seus “meio” irmãos árabes. Ambos brigam pelo mesmo direito de herança: Jerusalém; ainda que Deus nunca tenha dito que os descendentes de Ismael teriam este direito.

Devemos observar o que Deus orienta em Sua Palavra. Ele nos diz: “Porque necessitais de paciência para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará. Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10.36-38). Se recuarmos, olharmos para outras direções opostas as de Deus, não poderemos contar com Ele. Sua Palavra orienta que “o obedecer é melhor do que sacrificar” (1 Sm 15.22). Não adianta fazer o que Ele não mandou e depois ficar fazendo sacrifícios, campanhas e jejuns. Deus não é mercenário! É melhor ficarmos com Sua Palavra e termos sucesso em tudo.

 

Mônica Valentim

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