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O abismo entre o querer e o realizar

O abismo entre o querer e o realizar

Atualizado: Quinta-feira, 15 Abril de 2010 as 12

''Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço ''

(Rm 7: 18, 19)

Passadas as festas de fim de ano muitos fazem promessas para serem cumpridas ao longo do ano que se inicia. É comum que as pessoas façam planos de praticar esportes regularmente, aprender um novo idioma, rever velhos amigos, reservar mais tempo com seu cônjuge para namorar, entre outros.

Chega o mês de janeiro: férias; talvez depois. Passa fevereiro: carnaval. Esperamos por março, afinal, estamos no Brasil, onde o ano se inicia de fato neste período. E onde foram parar aquelas boas intenções? Afinal, saber o que nos faz bem ou o que é mais adequado, a maioria de nós sabe. Difícil é colocar os planos em prática, já que demandam esforço e persistência.

Percebemos que há uma grande lacuna entre o querer e o realizar. O nosso ''bicho-preguiça'' interior representa um grande desafio a ser vencido.

Há um outro fator de suma importância a ser considerado: A origem da motivação ou o grau de autodeterminação. Se resolvermos fazer algo porque cedemos à pressão de alguém, então estamos motivados apenas ''extrinsecamente'', ou seja, nossa atitude partiu de uma sugestão externa, e não de uma decisão pessoal. Temos apenas o estímulo, que sempre será externo.

Quando estamos motivados ''intrinsecamente'', ou seja, nós mesmos reconhecemos tal demanda, buscamos com mais afinco por os planos em prática, pois reconhecemos o que será melhor para nós.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, discorreu sobre esse dilema humano. Mesmo reconhecendo que devemos fazer escolhas acertadas, muitas das vezes não conseguimos fazê-las ou  até optamos por nem tentar, deixando-nos levar por nossa natureza caída, dirigida por Satanás.

Aqueles que são salvos em Jesus Cristo contam com a ajuda do Espírito Santo, ''que nos ajuda em nossas fraquezas''  (Rm 8: 26 a), pois ''a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz'' (Rm 8: 6).

Os que tentam obedecer a Deus sem a graça salvífica de  Cristo, descobrem que são incapazes de realizar as boas intenções do seu coração. Não são senhores de si mesmos; o mal e o pecado governam o seu ser.

O mesmo apóstolo Paulo dá a receita  para vivermos do modo que agrada a Deus e podermos optar pelo melhor: ''Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne'' (Gl 5: 16). E ele logo explica o porquê desta necessidade:

''Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro; para que não façais o que quereis ''

(Gl 5: 17).

Vemos que o campo de batalha está na própria mente do cristão, e esse conflito continuará por toda a sua vida; daí a necessidade de se buscar uma dependência total do Espírito Santo, ''pois Ele nos ensinará todas as coisas'' (Jo 14:26).

Independente das decisões a serem tomadas, seja na vida profissional, espiritual, de relacionamentos, entre outras, devemos pedir a capacitação do Espírito de Deus. Esta motivação será sempre ''intrínseca'', dentro do nosso espírito.  Não dependerá de algo externo, que, num primeiro momento, criará uma motivação inicial, mas que por si só não terá condições de se estabelecer.  Desta forma terá sido uma escolha ''na carne'' (no natural humano).

Devemos aprender a silenciar para ouvir a voz meiga e suave do Espírito Santo nos guiando. Assim calaremos as outras vozes externas que somam para trazer confusão. Poderemos, então, realizar com sucesso aquilo que melhor for para nós, pois terá o respaldo de Deus.

Deus não nos criou como marionetes, mas por nos ter amado tanto, deu-nos o Seu Filho para nos resgatar de uma dívida impagável, e ainda nos deixou o Seu Espírito para nos ajudar em todas as coisas, até que possamos um dia nos encontrar pessoalmente com Ele.

Mônica Valentim é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.

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