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Orgulho como arma de autodestruição

Orgulho como arma de autodestruição

Atualizado: Segunda-feira, 5 Julho de 2010 as 11:57

''O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda''. (Pv 16: 18 NVI)

Existem sentimentos que, quando cultivados, são dignos de elogio e admiração de todos. Outros, por sua vez, são tidos como desprezíveis, mas, ainda assim, são facilmente identificáveis em várias pessoas; até mesmo em nós.

A ficção tem utilizado uma enorme bagagem de temas associados ao comportamento e sentimento humanos. As bilheterias têm dado prova do quanto esses assuntos despertam a curiosidade das pessoas, ainda que retratem a face sombria que muitos tentam esconder.

O filme Orgulho e Preconceito, baseado no livro homônimo da escritora britânica Jane Austen, mostra a dinâmica social no século XVIII, na Inglaterra, onde o personagem principal masculino, mr. Darcy, personifica o próprio orgulho. Homem sombrio, de eterno olhar blasé, impunha sua presença superior onde quer que fosse.

O romance conta a trajetória de uma família, a um só tempo, comum e bastante peculiar. Na residência dos Bennet havia cinco moças que foram criadas com o único propósito de se casar. Peculiar porque essas cinco moças tinham outros atributos além da beleza, dentre os quais cabe destacar a inteligência e a argúcia para enxergar e compreender o caráter para além das palavras e do rígido código de cordialidade que os bons costumes estimavam na época. Cria-se um certo clima de expectativa quando a família Bennet, encabeçada pela matriarca, descobre que dois ricos e saudáveis rapazes (mr. Bingley e mr. Darcy) aparecem na região de Longburn, onde a família Bennet reside. A intriga acontece justamente porque um dos rapazes, mr. Darcy, se mostra por demais orgulhoso para o gosto da família Bennet.

Há arrogância, orgulho e a utilização de um estilo mais refinado no romance, onde as personagens também se impressionam com a aparência e com o gênio aparentemente indomável de determinadas personas naquele círculo social. . É o que acontece, por exemplo, com mr. Darcy, cujas atitudes fazem com que Elizabeth Bennet crie uma espécie de redoma sempre que tem de se dirigir a ele. Nesta obra, o desfecho das personagens termina em happy  end, onde o amor vence o orgulho e o preconceito. Diferente de muitas outras histórias  reais e tão próximas, das quais muitos de nós já fizemos parte; vítimas ou algozes, mas, certamente, com um final nada feliz.

O orgulho sufoca, destrói, mata, derruba, etc. É um pecado mencionado com bastante freqüência nas Escrituras e todas as suas menções indicam que Deus o odeia. Deus realmente abomina o sentimento de orgulho!

Segundo o dicionário Aurélio, o orgulho pode ser definido como: ''Elevado conceito que alguém faz de si próprio. Amor-próprio exagerado, brio, altivez, soberba, ufania''.

Toda criatura que cai nesta perigosa cilada enfrenta o Deus Todo Poderoso sem o menor temor. Isto porque o orgulho cega o entendimento. Ele faz seus escravos pensarem que podem tomar o lugar do Onipotente Deus ou que podem ser uma criatura superior às outras. Mas isto é engano, um caminho que leva tudo à destruição.

O primeiro pecado mencionado na Bíblia é o orgulho. Lúcifer queria ser como Deus, queria destroná-lo. Assim nasceu a primeira contenda no céu. Um terço dos anjos foram seduzidos. Acreditaram nas promessas do suposto futuro ''senhor'' de tudo. Encheram-se de orgulho influenciados por ele. A propósito, aqueles que pensam que o sentimento de orgulho não traz contenda e desordem, estão completamente errados. O orgulho causa confusão, contenda, mágoa, brigas, discussões, divisões, etc. Além disso, o cristão quando é orgulhoso envergonha o nome de Cristo, pois isto contraria tudo o que o Mestre ensinou e viveu: ''Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma'' (Mt 11:29).

Quando o espírito de orgulho e autoconfiança tomam conta do coração do homem, ele passa a não ouvir mais ninguém, muito menos a Deus. Satanás, ainda hoje, mantém pessoas presas a esse pecado, fazendo-as crer ser esse ''um mal menor'', sem importância, quando comparado a roubar e matar.

Davi foi chamado ''o homem segundo o coração de Deus'', no entanto, deixou-se elevar seu coração após tantas vitórias sobre seus adversários. E, de repente, esqueceu-se que foi o Todo Poderoso que o havia ''cingido de força e  adestrado suas mãos para o combate'' (Sl 18: 32a, 34a). Decidiu, sem a orientação de Deus, numerar o povo de Israel por puro orgulho nacional (1 Cr 21). Iludido por Satanás, achou  que o grande exército que possuía era o responsável por suas  vitórias e, não pelo fato ''do Senhor pelejar pelo seu povo'' (2 Cr 20:17). Como consequência, amargou uma grande derrota.

''Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a numerar a Israel.[...] E Joabe deu a Davi a soma do número do povo; e era todo o Israel um milhão e cem mil homens, dos que arrancavam a espada; e de Judá quatrocentos e setenta mil homens, dos que arrancavam a espada. [...] E esse negócio também pareceu mal aos olhos de Deus, pelo que feriu a Israel'' (1 Cr 21: 1,5 e 7).

Precisamos abrir os olhos para identificar quando determinadas situações se apresentam a nós, de forma sutil, mas com a intenção de nos fazer agir em rebeldia a Deus. O próprio diabo influencia os homens, infelizmente até os filhos de Deus, a tomarem atitudes sem a dependência do Espírito Santo, contaminando-os com o espírito de orgulho. O desejo de se realizar sem Deus leva o homem à autodestruição.

''Antes da sua queda o coração do homem se envaidece, mas a humildade antecede a honra'' (Pv 18:12).

Pedro, mesmo andando com o Mestre, provou na pele a consequência de  deixar a arrogância tomar conta das suas atitudes. Ele esqueceu-se de que ''o nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra'' (Sl 121: 2). Avisado por Jesus de que o Pastor seria ferido, e as ovelhas dispersas por se escandalizarem (Mc 14: 27), Pedro, tomado pelo espírito do orgulho e auto-confiança, refutou o Senhor dizendo que permaneceria fiel até o fim, e que nunca o negaria. Mas o próprio Jesus lhe disse que havia rogado a Deus por ele, pois ''Ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos pó'' (Sl 103: 14).

''Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para cirandar como o trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos'' (Lc 22: 31, 32).  

Ainda assim Pedro não deixou o orgulho de lado, discordando mais uma vez do Senhor. E o resultado nós conhecemos pela Palavra: Pedro, por ocasião da prisão de Jesus, negou três vezes o fato de conhecê-lo. Ele caiu vergonhosamente pelo pecado do orgulho e autoconfiança.

Precisamos aprender com a simplicidade das criancinhas, das quais o Senhor Jesus diz ser o Reino dos Céus. Elas não duvidam que seus pais sejam capazes de suprir suas necessidades, mesmo quando a realidade se mostra contrária. Crêem que eles terão uma solução para todos os problemas apenas por serem adultos. Nada somos sem o Senhor, e o que somos é fruto da Sua Graça em nossas vidas, pois ''a  nossa capacidade vem de Deus'' (2 Co 3: 5b).

Não esqueçamos: Humildade está para a honra, assim como coração orgulhoso para a queda (Pv 18: 12). São princípios espirituais imutáveis. O que seremos ou teremos vai depender das nossas atitudes diante da Palavra de Deus. Que a Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos nós!

Mônica Valentim   é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.

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