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Os Caminhantes Distraídos, o Profeta Nazareno e a Miopia Espiritual

Os Caminhantes Distraídos, o Profeta Nazareno e a Miopia Espiritual

Atualizado: Segunda-feira, 31 Outubro de 2011 as 10:54

E eis que, no mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecesse (Lc 24: 13-16).

A vida cristã é uma grande caminhada. Às vezes andamos por terreno plano, sem muita dificuldade, e em outras podemos estar desviando de barreiras ou até tendo que pular alguns obstáculos. O grande diferencial daqueles que chegam ao objetivo esperado é o fato de reconhecer nessa caminhada Aquele quem os está guiando e obedecê-Lo.

Em Provérbios 10: 29 lemos que "o caminho do Senhor é fortaleza para os retos”. Fortaleza é um local intransponível para os inimigos. Espiritualmente falando é o lugar onde podemos gozar da proteção e cuidados do Senhor. Fora desse caminho não há proteção. Sua proteção é promessa para aqueles que pautam suas vidas à luz da Palavra de Deus, e que, na verdade, é o próprio Senhor Jesus, como Ele mesmo afirma em João 14: 6, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, a não ser por mim".

Aqueles que caminham precisam estar atentos a cada passo que der; lembrar-se sempre das orientações recebidas anteriormente, e das vitórias que tiveram por obedecê-las. É preciso focar no alvo, para que desvios enganosos não os peguem de surpresa, e estes percam definitivamente a recompensa almejada e prometida aos vencedores. Provérbios 14: 12 nos adverte: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte". Aventurar-se por caminhos próprios, sem a direção de Deus, ou decidir-se por algo que sabidamente são contrários aos Seus preceitos é "comprar passagem" para a derrota, dor e perdição eterna.

Muitas vezes agimos como caminhantes esquecidos ou distraídos. Esquecemo-nos facilmente das vitórias e bênçãos que tivemos em algum momento da nossa caminhada, e, por estarmos vivenciando alguma provação no momento presente, deixamos a dúvida reinar em nosso coração, e perdemos o agir de Deus em nossa vida como fora no passado. Deixamos o esquecimento e a visão atrofiada ganharem terreno; e, na mesma proporção, o poder de Deus se distancia de nós ou se torna inoperante.

 Não podemos recuar. Quem recua não agrada a Deus e nem alcança a promessa da salvação (Hb 10: 38, 39). Salvação esta que abrange todas as esferas da vida humana; não se restringindo apenas ao livramento da condenação eterna. As palavras gregas e hebraicas que significam SALVAÇÃO nas Escrituras subentendem as idéias de LIVRAMENTO, SEGURANÇA, PRESERVAÇÃO, CURA e PERFEIÇÃO. No Caminho temos o direito de gozar da salvação completa!

Os caminhantes que seguiam para Emaús esqueceram-se rapidamente dos milagres extraordinários que Jesus realizou na vida daqueles que creram no Evangelho do Reino, "que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1: 16). Também não se lembraram das palavras que Ele falou aos discípulos em diversas ocasiões sobre o que lhe aconteceria:

”Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padeceria muitas coisas dos anciãos, dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro ressuscitasse" (Mt 16: 21).

Jesus Cristo havia dito várias vezes sobre sua prisão, morte e ressurreição, como nos confirmam os textos de Mt17: 22, 23; Mt 20: 17- 19; Mc 9: 31 e Lc 9: 22; mas, mesmo assim, aqueles que ouviram não retiveram a informação; rapidamente esqueceram-se devido à grande tristeza e sentimento de abandono, visto que confiavam Naquele que viria para libertá-los do domínio romano, segundo suas crenças, e, aparentemente, haviam sido traídos. 

Quando Jesus juntou-se a eles na caminhada seus olhos estavam como que atrofiados. Eles agiram como míopes espirituais. Não reconheceram naquele caminhante Aquele que disse que ressurgiria dos mortos ao terceiro dia.

Quando os caminhantes questionaram Jesus sobre o fato Dele desconhecer os últimos episódios ocorridos em Jerusalém demonstraram indignação, pois como poderia alguém 'desconhecer' "a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo" (Lc 24:19)? E quantos de nós também já não agimos assim em muitas situações? Falamos de Jesus, o defendemos teologicamente, mas não o conhecemos de verdade! Agimos como hipócritas; “não o reconhecemos em todos os nossos caminhos” (Pv 3: 6); consequentemente Ele não pode endireitar as nossas veredas (caminhos).

Jesus ouviu pacientemente a narrativa desoladora dos caminhantes, até que, dado certo momento, indignou-se e os exortou:

E Ele lhes disse: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? E começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras (Lc 24: 25-27).

Nem assim os olhos dos caminhantes foram abertos. Quanta miopia espiritual! Estavam diante do Messias prometido e não conseguiram perceber.

A caminhada deles com o Profeta Nazareno chegara ao fim. E eles ainda não haviam reconhecido o Senhor. Até o convidaram para pousar na casa deles, pois já seria muito tarde para que Ele continuasse sozinho a caminhada.

 Durante o momento da refeição Jesus faz exatamente como fizera anteriormente no Cenáculo, na ceia com os doze discípulos. Tomou o pão, abençoou e partiu entre todos. Só então os olhos espirituais de todos foram abertos, e eles reconheceram naquele companheiro de caminhada o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Imediatamente Jesus desapareceu da presença deles (Lc 24: 31). Sua missão estava cumprida. Os caminhantes já poderiam testemunhar a todos sobre a fidelidade e o cumprimento do plano de salvação de Deus para a humanidade. 

Muitos agem como Tomé. Precisam ver para crer. A Bíblia nos ensina “crer para ver a glória de Deus” (Jo 11: 40). Por isso o nome de Tomé não se encontra na Galeria dos Heróis da Fé de Hebreus 11. Os caminhantes de Emaús nem tendo a oportunidade de ver o Mestre creram!

Precisamos estar atentos em nossa caminhada cristã, para não cometermos o mesmo erro dos caminhantes de Emaús, e deixarmos de reconhecer e desfrutar da presença do Senhor Jesus em nossas vidas. Devemos orar da maneira que a Palavra de Salmos 119: 18 nos declara: “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei”. Caso contrário, poderemos ouvir Dele: “Ouvi, agora, isto, ó povo louco e sem coração, que tendes olhos e não vedes, que tem ouvidos e não ouvis. Não temereis a mim?_diz o Senhor” (Jm 5: 21, 22a).

Fiquemos com o ensinamento que Jesus deu à Igreja de Laodicéia: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que enriqueças, [...] e que unjas os olhos com colírio, para que vejas" (Ap 3: 18). Precisamos fazer sempre uso do “colírio” do Espírito Santo, que dissemina toda treva e miopia espirituais, e nos permite enxergar além das aparências.

Mônica Valentim   é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.  

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