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Socorro, entulharam meus poços!

Socorro, entulharam meus poços!

Atualizado: Terça-feira, 22 Junho de 2010 as 5:19

''Isaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor o abençoou. E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou poderoso; e tinha possessões de rebanhos e gado, e muita gente de serviço; de modo que os filisteus o invejavam. Ora, todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra' ' (Gn 26: 12- 15).

De acordo com o Dicionário Aurélio, o conceito de inveja é : Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem - Desejo violento de possuir o bem alheio.

Inveja é um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano. Geralmente, quando existe uma estima de algum objeto de desejo, e ainda se este der status, a inveja se instala. (Diz-se objeto de desejo para coisas não palpáveis também). É fruto também da comparação com as outras pessoas. Ela não existe sem que antes o indivíduo não tenha feito comparações. É a auto-aversão por não ser como os outros são.

Se uma pessoa destaca-se em alguma atividade, por mais tola que possa parecer, o invejoso está pronto para aparecer e apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Surge um sentimento de raiva, de ira, porque geralmente o invejoso sente-se muito mais merecedor da conquista do que o outro. O invejoso não agüenta ter uma outra pessoa invadindo seu território, que em sua lassidão, deixou de ocupar, por pura incapacidade ou inércia. O invejoso é capaz de boicotar, de fofocar e de fazer armadilhas, a fim de destruir o outro.   

Recentemente assisti a uma apresentação na TV do cantor Davi Sacer,  interpretando a música “Marca da Promessa”; letra e música muito abençoadas, diga-se de passagem. Mas, um trecho da música, em especial, me chamou a atenção:  

'' Se tentam destruir-me; zombando da minha fé e até tramam contra mim.

Querem entulhar meus poços; querem frustrar meus sonhos e me fazer desistir ''.

(Davi Sacer, Luis Arcanjo, Deco Rodrigues e Ronald Fonseca)

Enquanto letra e melodia ecoavam na minha mente sentia um certo pesar em meu coração; talvez por perceber que não somente no meio secular a inveja se apresente, ou seja, no local de trabalho, na escola, até mesmo no seio familiar, entre outros. Mas também a Igreja do Senhor Jesus tem deixado esse ''câncer'' se disseminar.

Quantos irmãos em Cristo têm sido ''boicotados'' por aqueles que se sentem ameaçados com a maneira maravilhosa com que Deus os usa. Ou até nós mesmos, já tivemos nossos ''poços entulhados'' por aqueles que não suportaram nos ver abençoados por Deus, ou de sermos canais de bênçãos para outros!

Desde que o pecado entrou no mundo todo o tipo de iniqüidade se instalou no coração do homem. A inveja foi uma delas.

Isaque, filho de Abraão e Sara, também foi alvo da inveja dos seus contemporâneos, visto que, independente da fome que assolava a terra à época, o Senhor o abençoava muito, devido à abrangência da aliança que Deus tinha feito com seu pai, extensiva a todas as suas gerações (Gn 26).

Isaque mudou-se com sua família e seus rebanhos para os termos de Gerar, no domínio dos filisteus, face uma grande fome haver se instalado sobre Canaã (v. 1).  O texto bíblico explica que o próprio Senhor instruiu Isaque a não ir para o Egito, uma das opções, mas a dirigir-se a Gerar.  Anteriormente, Abraão havia passado por lá.  O rei de Gerar, Abimeleque, não era o mesmo rei de quando Abraão esteve por lá.  Abimeleque, ao que parece, era um título real, como ''faraó'' para os egípcios.

Lá em Gerar ele encontraria água. Água para matar sua sede e de sua família, água para o gado, água para seus servos. Naquela região árida da Palestina água era sinônimo de prosperidade.

O verso 14 conta que os rebanhos de Isaque se multiplicavam e que isto despertou a inveja dos filisteus.  Invejosos, passaram a ''entulhar os poços'' de Isaque: E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus entulharam e encheram de terra (v. 15).

Na seqüência, encontramos no texto que os filisteus pediram a Isaque que fosse embora de seus domínios, mas que as dificuldades para o patriarca não cessaram.  Existe uma revelação para nossas vidas neste texto.  A exemplo de Isaque, somos peregrinos na terra - militamos junto a domínios que ainda não se submetem a Jesus Cristo, nosso Senhor.  Há um decreto de bênção sobre nós, os descendentes de Abraão e, justamente por isto, os ''filisteus'' continuam a se incomodar com as conquistas e a prosperidade que Deus nos concede.  

Todos nós, servos de Deus, vivemos as dificuldades patrocinadas pelos ''filisteus'' que insistem em ''entulhar os nossos poços''.  É bom explicar que os ''filisteus'' aqui representam todas as pessoas que, por ignorância ou incredulidade, se opõem ao Evangelho e fazem frente às nossas vidas e  ministério.    

Cada dificuldade que Isaque enfrentou nos ajuda a entender as dificuldades que hoje estamos enfrentando. O próprio diabo influencia pessoas para servirem de espinho e pedra de tropeço na vida dos servos de Deus, a fim  de fazê-los desistir do propósito Dele para suas vidas.

a) Eseque, lugar de contenda.  Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d'água. Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: a água é nossa! Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele. (vs. 19,20).

b) Sitna, lugar de inimizade.  Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna. (v. 21).  O nome ''Sitna'' significa ''inimizade'', ''acusação'', da mesma raiz de onde se origina a palavra Satanás.

c) Reobote, lugar de prosperidade.  ''Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra''. (v. 22).  O nome ''Reobote'' significa ''alargamento'' ou ''amplitude''.  Denota a fase de prosperidade para aqueles que são perseverantes.

''Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não temas, porque estou contigo; eu o abençoarei e multiplicarei a tua semente por amor ao meu servo Abraão''. (v. 24).  Um detalhe a mais: ali, onde Deus reafirmou sua aliança, Isaque edificou um altar e invocou o nome do Senhor (v. 25).

Os versos 26 a 28 contam que Abimeleque e uma comitiva de filisteus foram até Isaque para se retratar com ele.  Uma demonstração de que Deus o honrava frente aos inimigos. ''Isaque lhes perguntou: por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora. E eles disseram: Temos visto, na verdade, que o Senhor é contigo; pelo que dissemos: Haja, agora , juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto contigo''. (vs 27,28). Aleluias! O inimigo tem de reconhecer que é o Senhor Deus quem pleiteia por nós e nos abençoa.

Não desista. Continue servindo ao Senhor em santidade e fidelidade. Continue cavando os poços, pois logo o Senhor o levará para o ''lugar espaçoso''; o lugar da prosperidade.  Mais do que isto, chegará o dia quando pessoas que hoje se colocam em oposição à sua vida  virão em busca do seu perdão e ajuda.  Elas terão que reconhecer que a bênção do Deus Eterno está sobre sua vida e ministério.

Mônica Valentim   é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.

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