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"Você soube da última?" - A irresistível atração pela fofoca

"Você soube da última?" - A irresistível atração pela fofoca

Atualizado: Quinta-feira, 27 Maio de 2010 as 4:47

Porque toda a natureza, tanto de bestas- feras como de aves, tanto de répteis como animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. (Tg 3: 7 e 8)

O interesse em observar a vida alheia não é novo. Já na Antiguidade, nossos ancestrais descobriram como era importante conhecer os pontos fracos dos adversários para melhor tecer estratégias, e, assim, derrotá-los nas batalhas.

Hoje, a prática parece ainda mais ''saborosa'' quando o alvo dos comentários é uma celebridade, seja ela um ator de Hollywood, com seus habituais escândalos,ou a vida particular dos jogadores de futebol: quem casou, quem separou; quem foi visto com traficantes. Enfim, tudo é motivo para aguçar a curiosidade dos simples mortais.

Mesmo sabendo que a notoriedade dos famosos tem tão pouco embasamento, é difícil desviar o olhar das manchetes sensacionalistas que estampam as capas de jornais e revistas de fofocas. Não é por acaso que essas revistas fazem tanto sucesso - ainda que muitos dos seus leitores não se orgulhem desse hábito.

Enquanto houver público para esse segmento, a mídia e os veículos de comunicação terão material abundante para explorar, fato visto pelos críticos sociais como uma espécie de falha coletiva de caráter, que na verdade, nada mais é que um desfecho de colisão entre a mídia do século 21 e as mentes dos primórdios da História.     

Um dado curioso sobre o fenômeno ''fofoca'', é que este parece ser qualitativamente parecido onde quer que ocorra, independente do grupo social. Embora todo mundo pareça detestar ''fofoqueiros'', poucas pessoas usem esse rótulo para descrever a si próprias.

Infelizmente essa faceta sombria do comportamento humano tem sido observada, não somente no meio secular, permeado por vaidades. Nossas igrejas estão cheias de indivíduos, que, ou foram vítimas das fofocas, ou foram os algozes das mesmas.

Mas, afinal; porque informações privadas a respeito de outras pessoas representam uma tentação tão irresistível, a ponto de desprezarmos completamente os ensinamentos das Escrituras, e darmos vazão a um comportamento tão traiçoeiro e diabólico?

O apóstolo Tiago, irmão do Senhor, exorta em sua epístola sobre a nossa inclinação ao pecado através da fala. Ele afirma que a língua, apesar de ser um pequeno membro, gloria-se de grandes coisas. É como fogo, cheia de peçonha e iniqüidade e é inflamada pelo inferno (Tg 3: 5, 6).    

''Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto seja assim''. (Tg 3: 9, 10)

Esse comportamento ambíguo e diabólico precisa ser colocado sob o controle do Espírito Santo, pois, além de ser pecado e nos afastar do Senhor (Is 59: 2), destrói  pessoas que foram criadas à imagem e semelhança de Deus. Ele não aceitará nem a oração feita pela pessoa que tem prazer em falar da vida alheia. Por sua rebeldia à Palavra de Deus, sua oração tornar-se-á abominável. 

''O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável''. (Pv 28:9)

Muitos se deixam envolver por esse hábito pernicioso por defeito de caráter. Outros, que por considerarem suas vidas tão vazias e sem graça, vêem na fofoca uma oportunidade de preencherem essas lacunas. E, também encontramos o grupo de pessoas que, em seu inconsciente, nutrem um desejo de se sobressair junto aos demais; porém, ao não conseguir por sua própria incompetência, depreciam o seu próximo na ilusão de ascender mediante a queda do outro.

O profeta Jeremias também exortou o povo de sua época sobre o pecado de falar mal do próximo. A fofoca  permeada  de zombaria e falsidade são para ele indicadores de  rebeldia a Deus e malícia.

''E zombará cada um do seu próximo e não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira; andam-se cansando de obrar perversamente.[...] Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu companheiro, mas no interior arma-lhe ciladas'' (Jr 9: 5 e 8)

Crentes nascidos de novo devem aprender a crucificar a velha criatura, cheia de ''defeitos de fabricação'', e manter sua inclinação ao pecado da fofoca sob controle, mediante a ajuda do Espírito Santo, que leva ''cativo todo o entendimento à obediência de Cristo'' (2 Co 10: 5).

Nossa boca deve ser uma fonte de bênção para o próximo, não arma de destruição. Precisamos alegrar o coração do Pai, que não quer ver seus filhos emprestando a língua para ser instrumento de destruição na mão do diabo.

Aquele que é salvo em Jesus Cristo precisa buscar sua transformação por meio da renovação constante da mente, através da leitura da Palavra; para viver neste mundo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12: 2).

Mônica Valentim   é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.  

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