O lado negro do gênero. Ou: a verdade sobre o gênero

O otimismo “brilhante”, o desejo de superação, inclusive superação do gênero humano, vem do Iluminismo, ele é o germe da criatura-deus.

Fonte: Guiame, Sergio Renato de MelloAtualizado: quarta-feira, 22 de junho de 2022 16:33
(Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Nem tudo que brilha é ouro. As aparências enganam. Quem vê cara não vê coração. Num mundo de aparências e de um otimismo existencial ridículo como o de hoje, esses ditados estão mais do que vivos e nunca podem ficar no esquecimento, pois o silêncio dos bons dá força, empodera, usando um termo da moda, os maus (revolucionários). Recorramos, então, à liberdade de expressão, último reduto do bons. Logo, mais línguas à obra (tanto quanto mãos à obra).

O otimismo “brilhante”, o desejo de superação, inclusive superação do gênero humano, vem do Iluminismo, ele é o germe da criatura-deus, uma limpeza eugenista ideológica na raça humana. Luis Felipe Pondé diz que a limpeza transumana vem da associação do capital na inteligência para produção de seres humanos melhores. Eu prefiro ser o inteligentinho que ele, Pondé, sarcasticamente ironiza. O poder global vem por mãos fortes do Estado.

A Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII, ficou marcada pelo otimismo da razão iluminista, que orgulhava-se em deixar Deus de lado para se autogovernar. Só que este otimismo, de tão maduro, acompanhado de uma liberdade irresponsável, apodreceu. Dois caminhos se abriram. Vieram os sentimentos e as emoções e o culto da anticiência. O gênero tomou esse segundo rumo. Ele é anticiência, ou seja, luta contra ela, quer eliminá-la.

A teoria do gênero é anti-iluminista. Os revolucionários iluministas não souberam separar fé de entusiasmo ou foram bem maldosos mesmo. Deram concretude àquela mensagem cristã: vaidade, tudo vaidade! Cristãos são pessimistas porque o Espírito Santo é pessimista, sabe separar a vaidade e crime do equilíbrio.

A palavra “gênero” quer combater igualdade e preconceito, principalmente a violência contra a mulher dona de casa. Mas, apesar de fazer um bom papel contra a violência sexual, não é ouro nem de longe.

De onde veio o gênero? O gênero é uma ideia. Ele vem da ideologia de gênero, uma maneira pós-moderna de ver o ser humano como construção social e não mais como um ser biologicamente criado. Judith Butler declarou guerra ao homem e à mulher, professando que masculino e feminino são erros. Simone de Beauvoir escreveu que mulher não nasce mulher, é criação social.

O gênero é um transumanismo. Ele contraria nossa natureza humana de ser o que somos, homens ou mulheres, diversificados pela criação divina. Somos criaturas. Pertencemos à ordem do ser, do criado, não do construído.

Uma coisa é certa. O gênero não veio da Agenda 2030, que projeta uma certa sustentatibilidade para a humanidade, ou melhor, uma “sobrevida”. Não foi a tal da Agenda quem o criou.

No site do Supremo Tribunal Federal, que se acha um braço direito da ONU, diz que a Agenda 2030 da ONU é um plano global para atingirmos em 2030 um mundo melhor para todos os povos e nações. Tudo em nome do Estado de Direito, dos direitos humanos e da responsividade das instituições políticas, diz.

Clicando no ícone 5, que trata da igualdade de gênero, tem-se que o objetivo é alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; … assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivosadotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis.

O problema é o movimento que a razão de gênero tem. Ela se aventura, caindo numa deriva de otimismo perigosa e fatal. O que é, por exemplo, empoderamento, acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos? Certamente que, caindo em descontrole, como está acontecendo, desencadeia direitos além de deveres. Democracia demais dá nisso.

Exemplos. Alguém já ouviu falar em mostrar partes pudendas para crianças pequenas como demonstração de mais inclusão? Alguém ja viu feministas invadirem as ruas defendendo o aborto a qualquer preço? Já viram que precisou a capital Goiânia, contra a tentativa de desvalorização e desconstrução da família natural, iniciar projeto de lei para proteger a comemoração do dia dos pais e das mães? Meninas expondo seus nudes na internet?

O movimento feminista passou por ondas, etapas. Primeiramente pretendia o voto feminino, depois passou para a liberação sexual, por fim culminou com o feminismo radical, ou seja, eliminação da figura masculina opressora, o tal do patriarcalismo demonizado.

Surgiram também outras correntes feministas chamadas de terceira onda do feminismo.

O pós-feminismo ou o feminismo pós-moderno é a nomenclatura dada aos movimentos feministas a partir da década de 1980, criticam as teorias anteriores por usarem apenas a mulher na luta contra a desigualdade de gênero. Defende, portanto, a diversidade de mulheres, na chamada intersecção de outras categorias, entrando raça, etnia, nacionalidade, classe social, orientação sexual.

As teorias filosóficas que fundamentam a luta feminista também são pra lá de revolucionárias. São relativistas, anticientíficas. Nada é fixo, tudo navega, flui. A linguagem é usada para oprimir. Michael Foucault, em História da sexualidade, é pós-moderno e deu asas a esta imaginação ilógica, irreal, ideal, sonhadora, delirante. Jean Paul Sartre e seu existencialismo, para quem a liberdade humana é ilimitada. O desconstrutivismo de Derrida.

A teoria queer, sendo teórica mais influente Judith Butler e sua performatividade de gênero, que veio de grupos radicais desde a década de 1960 formados por gays e lésbicas, entende que o normal deve ser substituído, trocado. Se o normal é falar homem, mulher, masculino, feminino, heterossexual, homossexual, gay, lésbica, bissexual, entre outras nomenclaturas, ele deve ser destruído, vindo daí nova linguística diferenciada que acate pessoas que não se encaixam nesses padrões. Por tal motivo, a realidade objetiva, tal como nós a conhecemos e consolidamos, deve ser rejeitada porque, entendem, ela não é alcançável. O conhecimento não nos é possível, alega a teoria queer. Busca-se uma identidade sem essência.

Não escrevo assim defendendo o preconceito contra quem quer que seja. A desigualdade tem que ser combatida, mas não a qualquer custo. Existe um custo de se viver em sociedade, e este custo é ter um olho para o geral e outro para o particular.

A coisa saiu do controle, como toda ideologia. Isso é egoísmo demais, coletivização, totalitarismo.

Por Sergio Renato de Mello, defensor público de Santa Catarina, colunista do Jornal da Cidade Online e Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas, cristão membro da Igreja Universal do Reino de Deus.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A dignidade da mulher não vem do feminismo ou do gênero

 

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