Bola Cheia e Bola Murcha

Bola Cheia e Bola Murcha

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 10:08

Já desejei parar a vida e esticar um minuto bom, como se fosse elástico. Me intriga olhar o tempo passar, sabendo que não é como o rabo da largatixa que é cortado e nasce de novo. O que passou, passou.

Emoções expontâneas, palavras carregadas de significado, sorrisos de neto, olhos felizes e sorrisos de orelha a orelha constróem um momento único e inigualável, do qual desfrutaremos uma única vez, um de cada vez.

Gostaríamos de estancar as horas, de paralisar os dias e de adiar o inadiável e incerto futuro. Quem não anda, não chega a lugar algum e para estes a vida não acontece. Os fracos não conseguem, os fortes vencem, e os covardes não tentam.

Nuvens sombrias machucam e permanecem por mais tempo do que gostaríamos. Se pudéssemos, evitaríamos ocorrências desagradáveis, faríamos de conta que não as vemos e as trataríamos com um falso desdém.

Quem gosta de injeção na veia, de ficar soterrado nas Minas Chilenas e de dores lombares? Quem consegue fechar os olhos para a vergonha ou esconder o medo?

O tormento está dentro e não fora de nós e não será se desfazendo de coisas e pessoas que escaparemos. Ninguém consegue fugir de si mesmo quando está nervoso, sair do corpo quando ele dói e desligar a vida quando desmoronam as construções ao seu redor. Há quem entenda que se livrará do seu maior opressor eliminando a si mesmo.

O relâmpago, assusta, mas logo vai, e não posso evitar de ser afetado por ele. Sabemos que, por piores que sejam as noites, a cada manhã as misericórdias do Senhor se renovarão e a esperança renascerá. Um dia mau prepara a cama para a chegada da bênção.

O aprendizado é difícil porque somos lerdos e desatentos. Quem sabe a gente assimila a lição se ela for encravada na pele com ferro e fogo. A verdade dói, mas liberta. Poderia ser mais fácil se fôssemos macios, maleáveis e aprendizes. Isto seria remir o tempo, ou seja, aprender a exercer um certo senhorio sobre o relógio, fazendo com que trabalhe a nosso favor. Esta expressão foi usada por Paulo. (agoratzo, no grego significa comprar).

A impressão provocaria dor no papel, se ele fosse sensível, mas não seria nada agradável vê-lo gemendo durante o processo.

Na hora de aulas assim, escolha entre gemer ou regozijar. Eu escolhi em tudo dar graças, mesmo quando não tenho vontade e não sei qual é o motivo.

Ubirajara Crespo

Ubirajara Crespo é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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