Deus não muda o outro por sua causa

Deus não muda o outro por sua causa

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:23

Todos têm sua história, suas frustrações, as marcas que ficaram. Aprenda a conviver com o outro na ótica do outro. Tem uma máxima interessante em alguns grupos de casais: ninguém se casa enganado e ninguém muda ninguém. Se usarmos a “história meio ao contrário” como base, imagine a pastorinha que nunca saiu dos campos da fazenda em que seu pai trabalhava, vivendo agora nos palácios do Príncipe Encantador? A questão não é o dinheiro de cada um, mas a realidade interna que trará reações absurdamente distintas entre si em coisas que serão comum dali em diante. Há de haver respeito pelo que o outro é: cultura, expectativa, história, emoções, ou haverá muita frustração na relação, mesmo com muito amor.

Deus não muda o outro por sua causa.

A ação transformadora do Espírito Santo na vida de um homem e de uma mulher, é para levá-lo a se parecer cada dia mais com o criador e prepará-lo para encontrar-se com Ele um dia. Não por minha causa, não por sua causa. Este entendimento egoísta da ação de Deus na história, a partir do umbigo do indivíduo, já me trouxe oportunidades engraçadíssimas, como de uma pessoa que afirmava que ouviu de Deus, que seus problemas conjugais seriam resolvidos em até no máximo 60 dias.

Especulei como pude, e descobri que aquela pessoa acreditava que aquele cônjuge “mau” seria alvo de punição divina e partiria (para a eternidade) naquele tempo determinado. Afirmei para ela que o desafio não era viver sem ele, mas viver com ele. Certamente, o conceito que ela tinha a meu respeito diminuiu quando não partilhei da sua euforia, e não tive mais contato. Sempre os revejo por aí.   

VIDA AMARRADA

 Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens  guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais

 formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo...

- Nós nos amamos e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã...  alguma coisa  que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até  encontrarmos a morte.

Há algo que possamos fazer?

E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...

Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e, apenas com uma rede e tuas mãos deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o  terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo, continuou o feiticeiro,deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada.

No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco de linhagem. O velho pediu que com cuidado as tirassem dos sacos e viu eram verdadeiramente formosos exemplares.

E agora o que faremos? - perguntou o jovem: - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?

Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.

- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro; quando as tiverem amarrado,  soltem-nas, para que voem  livres.

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros. A águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho acrescentou:

- Jamais esqueçam o que estão vendo; este é o meu  conselho. Vocês são como a águia e o falcão; se estiverem amarrados um ao outro, ainda  que por amor, não só viverão  arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão  a machucar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, aprendam a voar juntos, mas jamais amarrados.

Retirado do livro 'Ainda dá pra ser feliz?' de Cleydemir de Oliveira Santos

Ubirajara Crespo é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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