Deus não ouve meus pedidos?

Feridas da alma provocam dores e afastamento de Deus e de si mesmo.

Fonte: Guiame, Ubirajara CrespoAtualizado: quarta-feira, 11 de dezembro de 2019 às 15:57
(Foto: Thinkstock)
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Talvez você esteja preocupado com a validade da sua oração e faz uma das perguntas mais antigas do mundo: Deus não ouve os meus pedidos, nem quando jejuo. Será que ele nem liga para mim? O Céu parece estar dormindo.

Vejamos o que Deus acha disso: Isaías 58:3. ‘Por que jejuamos, se tu nem notas? Por que nos humilhamos, se tu não levas isso em conta?’ Acontece que, no dia em que jejuam, vocês cuidam dos seus próprios interesses e oprimem os seus trabalhadores. 4. Eis que vocês jejuam apenas para discutir, brigar e bater uns nos outros; jejuando assim como hoje, o clamor de vocês não será ouvido lá no alto.

Não me lembro de nenhuma passagem bíblica, que incentive um jejum com o objetivo de torcer o braço de Deus, e fazer com que ele nos conceda algo. Lembre-se, no entanto, de que existem várias admoestações para jejuar. Eis aqui algumas: jejue para dedicar sua vida para Deus, buscado santificação e para demonstrar quebrantamento. O jejum não é uma técnica litúrgica para obter algo de Deus, mas para dar.

O que passar disso, me cheira mais ao desdém pela Graça e um esforço inútil para se tornar merecedor de presentes, que ele está disposto a nos conceder gratuitamente. Há porém, atitudes facilitadoras, pois algumas de suas promessas requerem o cumprimento de algumas condições. Muitas destas promessas sugerem um jejum mais prático do que contemplativo: jejum de fofoca, de ódio, de indiferença, de desprezo, de ofender etc.

Isaías 58: 5. Seria este o jejum que escolhi: que num só dia a pessoa se humilhe, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? É isso o que vocês chamam de jejum e dia aceitável ao Senhor? 6. Será que não é este o jejum que escolhi: que vocês quebrem as correntes da injustiça, desfaçam as ataduras da servidão, deixem livres os oprimidos e acabem com todo tipo de servidão? 7. Será que não é também que vocês repartam o seu pão com os famintos, recolham em casa os pobres desabrigados, vistam os que encontrarem nus e não voltem as costas ao seu semelhante?” 8. “Então a luz de vocês romperá como a luz do alvorecer, e a sua cura brotará sem demora; a justiça irá adiante de vocês, e a glória do Senhor será a sua retaguarda.

Talvez você tente dizer o seguinte: Mas eu sinto que a bênção é minha....  Desculpe a objetividade, mas não me interessa o que você sente, mas sim o que a Bíblia diz. Esta passagem é, sem dúvida alguma, uma das mais esclarecedoras, sobre o assunto. Motivação errada em liturgia correta, não nos aproxima de Deus, tanto quanto gostaríamos e nem cria algum tipo de pré-disposição para respostas positivas ao nosso pedido.

Isaías 59: 1. Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; e o seu ouvido não está surdo, para não poder ouvir. 2. Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem o levam a esconder o seu rosto de vocês, para não ouvir os seus pedidos. 3. Porque as mãos de vocês estão manchadas de sangue, e os seus dedos, de iniquidade; os lábios de vocês falam mentiras, e a sua língua profere maldade.

Deus não pode fazer nada por um coração que preferiu o ódio e a amargura do que a paz. Feridas da alma provocam dores e afastamento de Deus e de si mesmo. Estes sentimentos nos separam de Deus e criam barreiras que precisam não apenas de fé, para serem removidas. A Bíblia diz, que sem a santificação é impossível ver a Deus. A impossibilidade foi gerada em mim e não em Deus.

Antes de prometer um milagre a uma pessoa agredida, os pregadores deveriam orientá-la no tocante a este particular. É preciso limpar o terreno, para que a semente da Palavra caia em terra fértil. Você pode até tentar, mas dificilmente conseguirá cultivar flores em terreno pedregoso. Não é a fraqueza de Deus que impede que o milagre aconteça, mas a nossa falta de compromisso com a Palavra.

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor, autor das notas de rodapé da Bíblia do Guerreiro e dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Sacode a poeira, povo de Deus!

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