Engavetamento espiritual

Engavetamento espiritual

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:32

*O primeiro ato de divisão no Reino de Deus aconteceu no céu, tendo Lúcifer como seu mentor. Ele conseguiu convencer a terça parte dos anjos que havia uma segunda opção, e que essa poderia ser melhor. Ora, se ele conseguiu convencer os anjos, que presenciaram todo o poder criador de Deus, quanto mais a homens. Veja o último ato de rebeldia ao Reino de Deus:

E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.8-10).

O inimigo sabe como amputar o Corpo. O processo é sempre o mesmo, começa alimentando o desejo de conquistar uma posição ocupada por outra pessoa. Continua procurando falhas nos líderes, o que é mais fácil do que cortar margarina e em seguida vêm os comentários depreciativos a respeito do pastor e de sua liderança. Num ambiente assim, o levante é uma conseqüência natural.

Outros fatores desencadeantes da divisão são: inveja, feridas não tratadas, ofensas, temores, falta de amor, desinteresse de uns para com os outros, agressividade, ciúmes, contendas, partidarismos, disputas por cargos, maledicências, intrigas e abandono. Um grupo composto de pessoas que não foram curadas desses males é um verdadeiro barril de pólvora.

Uma vantagem do amotinado é não terem um grande compromisso com a verdade. Podem mentir, inventar histórias, espalhar boatos e fomentar intrigas. Quando temos compromisso com a Palavra, não podemos utilizar esse tipo de armamento e nos sentimos limitados em nossa defesa, mas temos do nosso lado um grande Deus, que é soberano e se parecemos derrotados, é porque não fomos chamados para pastorear bodes e sim ovelhas.

A igreja é composta de três grupos: O primeiro é o que faz as coisas acontecerem, o segundo é o que se beneficia do que está acontecendo e o terceiro é o que sempre pergunta: O que aconteceu? Sem prévio aviso essas pessoas defrontam-se com a escolha de seguir o líder A ou B. Como saber qual dos dois é o melhor?

Salomão nos dá um sábio conselho, ao descrever a cena em que duas mulheres reclamam a maternidade da mesma criança. Depois de ouvi-lo recomendar que fosse cortada ao meio, uma das candidatas a mãe aceita a oferta e diz: Nem ela, nem eu. A mãe verdadeira optou por perder o filho, mas manter a criança intacta. O verdadeiro pastor é aquele que procura de todas as formas evitar a divisão. Fique com este, pois provavelmente o outro carrega em sua alma a chama decepadora do inferno. O resultado é um percentual cada vez maior de igrejas nascendo como fruto de divisão, uma doença degenerativa e sistêmica.

O Corpo decepado, remendado e costurado está mais para Frankenstein do que para Ciborg. De vez em quando alguém tenta montar algo, ajuntando peças que só se encaixam mediante muita martelada, e uso forçado de pregos, parafusos, remendos e esparadrapo. Mais parece um robô de fundo de quintal do que um corpo. Imita gestos e sentimentos humanos, mas a gambiarra não resiste a um exame mais acurado.

Morei na cidade de Santos, onde assisti boquiaberto a um grande crescimento de igrejas, que não se traduziu em aumento numérico ou qualitativo. UMA VERGONHA.

Há uma unidade cosmética durante os encontros de pastores. Ligações frágeis, antipatias e mágoas disfarçadas por abraços frios, expressões típicas e chavões corporativos. Unidade de caiação. Como será que essas coisas repercutem no coração de Deus?

"Quem sabe um dia o amor prevaleça e o Corpo se reconstrua." Ainda existe lugar para arrependimento.

*Trecho do livro Sob nova direção, de Ubirajara Crespo, Editora Naós.

Ubirajara Crespo é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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