Vencer a indiferença

O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.

Fonte: Guiame, Valcelí LeiteAtualizado: terça-feira, 25 de março de 2025 às 17:32
(Foto: Unsplash/Gabriel Tovar)
(Foto: Unsplash/Gabriel Tovar)

Em nossas relações, especialmente no casamento, um dos sentimentos mais perigosos não é o ódio, mas a indiferença. A frase frequentemente atribuída a Elie Wiesel expressa essa realidade: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença." Ainda que não haja comprovação de sua autoria, o conceito ressoa com verdades profundas da experiência humana e das Escrituras.

O ódio e a raiva são sentimentos intensos que, de certa forma, ainda nos mantêm conectados ao outro. A indiferença, por outro lado, representa o total afastamento, um estado de apatia e insensibilidade que gradativamente mina os relacionamentos. No contexto da Teopsicoterapia Psicanalítica (Terapia Cristã), podemos compreender essa indiferença como um mecanismo de defesa psíquico que busca evitar a dor, mas que, paradoxalmente, aprisiona a pessoa em um ciclo de distanciamento e frieza emocional.

A indiferença manifesta-se por meio da falta de interesse, desconsideração e desprezo, criando um ambiente de desamor e distanciamento no casamento. No livro de 2 Samuel, encontramos a história de Mical, filha de Saul e esposa de Davi. Inicialmente, Mical amava Davi, mas com o tempo e as circunstâncias da vida, seu coração esfriou. Quando viu Davi dançando diante da Arca do Senhor, ao invés de compartilhar de sua alegria, ela o desprezou em seu coração (2 Samuel 6:16). Sua indiferença a afastou do próprio marido, resultando em um casamento marcado pela desconexão.

A Teopsicoterapia (Terapia Cristã) nos ensina que esse tipo de distanciamento pode ser superado através da elaboração psíquica e da reconfiguração espiritual. A indiferença é um estado que pode ser transformado quando decidimos agir conscientemente para resgatar o vínculo afetivo.

EXERCÍCIO TEOTERAPÊUTICO PARA ROMPER A INDIFERENÇA

1. Autoanálise e Reflexão: Pegue um caderno e escreva quais aspectos do seu relacionamento têm sido afetados pela indiferença. Você sente distanciamento? Falta de diálogo? Falta de interesse pelos sentimentos do outro?

2. Identificação das Raízes: Pergunte-se: quando essa indiferença começou? Existe alguma ferida emocional não resolvida que levou a esse estado? Reflita sobre traumas passados ou decepções que possam ter gerado esse bloqueio emocional.

3. Orientação Bíblica: Leia Efésios 4:32 - "Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo." Escreva uma oração pedindo a Deus restauração emocional e capacidade de perdoar e reaproximar-se do cônjuge.

4. Ação Consciente: Durante uma semana, tome pelo menos uma atitude intencional para demonstrar interesse pelo seu cônjuge. Pode ser uma pergunta sincera sobre como foi o dia dele(a), um elogio inesperado ou um gesto de carinho. Observe as reações e como você se sente ao praticar a atenção e o cuidado.

O processo de superação da indiferença exige disposição e compromisso. Mas, com a graça de Deus e o desejo de restaurar a conexão emocional, é possível vencer esse estado e reconstruir um relacionamento baseado no amor, na empatia e na presença ativa na vida do outro.

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Desejo a você e sua família uma semana na Graça.

 

Valcelí Leite (@ValceliLeite) é Psicanalista, Teoterapeuta e Pastor, atual presidente da ABRATHEO (Associação Brasileira de Teopsicoterapia), com formação em Fisioterapia e pós-graduações em Terapia Familiar Sistêmica, Cognitive Behavioral Therapy - TCC, e MBA em Teoterapia e Competência Emocional. Atua como teopsicoterapeuta com orientação a casais e famílias. Palestrante sobre temas como Educação de Filhos, Internet e Vida Conjugal, Ciência do Bem-estar e Como Evitar a Ansiedade. Ex-superintendente em instituição filantrópica, com gestão em treinamento de liderança, formação de equipes e palestras motivacionais em quatro estados brasileiros e mais de 30 cidades. Apresentou programas de rádio e TV em São Paulo, Brasília e Salvador.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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