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Escravos Livres

Escravos Livres

Atualizado: Quarta-feira, 2 Junho de 2010 as 10:51

Durante os últimos anos recebemos pelos jornais, revistas e telejornais as notícias de corrupção dentro do governo: Cartão Corporativo, mensalão do PT, mensalão do DEM, dossiê, propinas, escândalo das ambulâncias, mas os últimos acontecimentos revelam escândalos envolvendo a igreja evangélica no Brasil. A forma como o assunto vem sendo tratado revela a fragilidade do caráter de todas as partes envolvidas, quer seja dos possíveis culpados ou daqueles que noticiam e participam indiretamente do assunto. Sejam eles pastores ou apresentadores em ambos os lados. Existe a tendência e o desejo de se achar um bode expiatório, de banalizar e generalizar a situação, só que agora não é o governo e sim a igreja.

É claro que os homens de Deus passaram a agir como homens de negócios, que a igreja se tornou empresa, mas a sociedade também tem sua culpa, pois deveria primar pela verdade, e não terceirizar sua opinião. Esta terceirização é na maioria das vezes é entregue apenas à mídia que vende um enlatado barato e de difícil digestão. A igreja evangélica tem sim culpa e está atolada em escândalos, mas este não é um privilégio dela apenas, pois os segmentos industriais, comerciais, governamentais e sociais também estão atolados com ela neste mar de lama, mentira e engano.

Não quero defender a igreja evangélica, mas ninguém está ilibado. O que dizer das grandes posses de terras, garantidas por lei, possuídas pela igreja predominante no planeta? O que dizer de suas obras de arte e reservas de ouro? O que dizer das religiões orientais que também mercadejam suas doutrinas via mídia? O que dizer das religiões médio-orientais que investem na violência, treinamento de guerrilha para crianças e em mega investimentos na compra e desenvolvimento de armas? O que dizer das afro-religiões que contemplam em seu rol de membros a grande maioria dos artistas, políticos e líderes de governo que promovem a sensualidade e a deturpação da moral e bons costumes? Todos tem culpa.

A resposta não está em achar um bode expiatório, pois quando o encontramos produzimos animosidade e divisão. Ainda ficamos felizes quando o outro é exposto. Há alegria em podermos dizer: Ainda bem que não sou eu! Estamos distraídos. Combatemos um ao outro e continuamos perdendo terreno para o mal. Não conseguimos produzir um resultado que funcione e anule a maldade predominante na terra. O padrão caiu, despencou. Desviamos o foco da luz! Desviamos os nossos olhos de Deus!

O que fazer quando somos funcionários de uma empresa que vende um produto ruim para outras pessoas? O que fazer quando somos obrigados a omitir parte do contrato escondido entre letras pequenas? O que fazer quando somos obrigados a enganar, mentir, burlar, trapacear e fraudar para promover a falcatrua? Se a empresa, banco, governo e a igreja podem, eu também posso! É assim que pensamos. É a perpetuação do mal!

Daniel, o profeta bíblico, não vivia em sua terra, não servia seu governo original e convivia com pessoas estranhas ao seu redor. Daniel via sua família e povo sendo escravizados e era também escravo com eles. Será que isto não acontece conosco de igual forma hoje? Será que não somos escravos do sistema? Mas há uma diferença gritante: Daniel era um escravo e nós somos apenas funcionários. O escravo Daniel não tinha o direito de não se curvar diante da estátua, mas mesmo sem possuir este direito, permaneceu de pé. Em tudo ele se destacava e em tudo o que fez, fez bem feito, exceto ''se curvar''.

Hoje somos empregados e a qualquer momento podemos pedir demissão e ir embora, mas não conseguimos deixar de ser escravos. Não fazemos o melhor em tudo para podermos fazer a diferença em uma situação especifica depois. Estamos nos curvando omissos. Não conseguimos expressar com palavras o descontentamento com a mentira e com o engano. Somos covardes. Isto tem impedido Deus de nos livrar da cova dos leões e da fornalha de fogo ardente. Pior, gente que não faz chover fogo do céu.

José também era escravo no Egito e não possuía direito algum, mas fez tudo bem feito inclusive fugir da mulher que o assediava. Hoje, não conseguimos escapar das mãos sedutoras de homens e mulheres sem Deus, não conseguimos correr da corrupção, não vencemos o sistema e isto tem impedido Deus de livrar nossas vidas da seca e da fome material e espiritual.

Vamos esperar para ver outras matérias sensacionalistas? Vamos continuar participando das mentiras e enganos presentes na nossa vida religiosa e profissional? Não! Você pode pedir as contas. Deus presente em nós nos leva a um alto índice de produtividade, mas também nos leva decisões pessoais radicais que expressam a primazia pelo correto, pela verdade. Não nos curvamos, não cedemos ao assédio. Todas as vezes que confiarmos em Deus teremos uma chance. Precisamos ter coragem de pedir a conta, de trocar de caminho, de escolher andar na verdade e de dizer: não. A maior virtude de quem é livre é poder dizer: não!

Pense nisto: Para ser livre em Deus é preciso ser escravo de Deus. Para ser escravo do mundo só é preciso estar livre no mundo.  O que vamos escolher?

Valdir Ávila S. Junior   é pastor, teólogo, músico e produtor musical. Participou com a Ruach Ministries International de viagem missionária à Finlândia com Asaph Borba e Donald Stoll, fundadores do Estúdio Life (RS). Gravou com Adhemar de Campos, Daniel Souza, Gerson Ortega, Gregório McNutt, Nívea Soares, Massao Suguihara, Sostenes Mendes e David Quinlan.

Site pessoal:   www.vidanaverdade.com.br   - e.mail: [email protected]

Proprietário da Escola de Educação Infantil e Berçário Cercado de amor, uma escola com princípios cristãos, que cuida de crianças entre zero e cinco ano de idade.   www.cercadodeamor.com.br . Foi pastor em Botucatu onde dirigiu grupos relacionados ao louvor congregacional, tais como: dança, libras, backing vocals, coral, músicos e técnicos de áudio. Implantou o Estúdio Voima que já produziu e gravou vários outros trabalhos pelo Brasil. Atualmente é Pastor da Igreja Bíblica Evangélica de Piracicaba, cidade onde reside e tem se dedicado ao ministério da palavra.É integrante do Conselho Editorial da Revista Impacto - Americana.- www.revistaimpacto.com .

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