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Vícios da Modernidade

Vícios da Modernidade

Atualizado: Terça-feira, 13 Outubro de 2009 as 12

Há algumas coisas que não são mais cabíveis no meio do povo de Deus, eu as chamo de vícios da modernidade, vícios empresariais. Cada vez que os vícios são praticados, fico assombrado com o fato de nos tornamos uma empresa e deixarmos de ser família.

Como é que conseguimos, numa reunião de lideranças, pedir que o irmão ore com o irmão de “outra igreja”? Será que existem duas? Ou só temos uma Igreja de Cristo! Como é que podemos dizer: “a minha igreja vai bem”!

Será que eu nasci de uma virgem, fui pregado na cruz e ressurgi ao terceiro dia para que ela seja minha? Como posso dizer que a filial de minha igreja só me dá trabalho e dor de cabeça? Será que a administração da matriz não está apenas olhando os gráficos produzidos pelo Excel referentes aos resultados de dízimos e aumento no número de fieis? Será que não nos esquecemos de apascentar o rebanho e passamos a gerenciar? Atualmente abrimos filiais e não concebemos filhos e netos cristãos.

A cada dia fica mais distante a chance de um avivamento acontecer no Brasil e isto me deixa feliz, pois sei que os homens que estão liderando as igrejas na terra não poderão fazer nada por força própria e que se acontecer algo desta magnitude, será mérito total e exclusivo do mover, agir e intervenção de Deus. Quanto a nós, só fazemos bons eventos e mais nada!

Como é difícil ver irmãos, sábios e doutores na Palavra tão inexperientes com o Espírito da Verdade que produz uma mudança radical de vida e de posturas. São como o apóstolo Pedro antes do evento de Atos 2: acertam de vez em quando, mas há discrepância nas atitudes e palavras. Ética e educação não são resultados do mover de Deus, mas de uma educação de base familiar. Todos deveríamos ser éticos e educados.

Caráter é algo que sumiu do meio da igreja e nos esquecemos de que a única coisa que as pessoas vêem em nós é nosso testemunho. Os líderes são muito rudes no lidar com o rebanho; tratam-nos de maneira gerencial e se não atingem os limites pré-estabelecidos pela organização empresarial, manipulam e trocam as peças como num jogo de xadrez. Cada placa defende sua placa e ainda oramos com o “irmão da outra igreja” e tratamos a família que nasceu da família de “filial”. Que vergonhoso vermos o que nós, homens, fizemos com a igreja na terra, no Brasil. As igrejas e o seus CNPJ's estão sujos!

É muito difícil ouvir lamentos e mágoas de um líder que perdeu um membro ou um visitante assíduo de seu rebanho. Dias atrás Deus falou conosco através de uma palavra: “O filho pródigo só voltou para casa quando estava comendo bolotas”. Será que não é isso que nós, pastores da modernidade, administradores desta empresa denominada Igreja na terra, temos oferecido ao povo? Bolotas?

Onde estão os homens que cuidam do rebanho como quem cuida de filhos? Onde estão aqueles que ficam olhando para o horizonte, chorando, dizendo: “livra meu filho da vergonha e o traz de volta”! Onde estão os homens de corações simples que não usam seus tablados para justificar suas doutrinas. Ouvi certa vez que a minha doutrina é boa apenas para mim e quando ela começa a interferir na vida de meu irmão, ela se torna má.

Há esperança para nossa nação se nos despirmos de todo orgulho particular, se deixarmos de valorizar os ícones terrenos e passarmos a dar valor a Jesus, mas com uma diferença: vivendo o que Ele viveu na terra e mostrando como nos tornamos mansos e amorosos com um testemunho particular e singular, se tratarmos os membros como filhos, se olharmos para Jesus e não para o tamanho das nossas empresas. Chega de vícios da modernidade.

O Céu será no Céu e não dá para tentar fazer da Terra nosso Céu particular. Quem vive o Céu na Terra pode perder o Céu no Céu. Que venha sobre nós o avivamento, mas precedido de um grande arrependimento e quebrantamento, coisas estas ainda não vistas no meio da igreja no Brasil, mas que virão!

Valdir Ávila S. Junior é pastor, teólogo, músico e produtor musical. Participou com a Ruach Ministries International de viagem missionária à Finlândia com Asaph Borba e Donald Stoll, fundadores do Estúdio Life (RS). Gravou com Adhemar de Campos, Daniel Souza, Gerson Ortega, Gregório McNutt, Nívea Soares, Massao Suguihara, Sostenes Mendes e David Quinlan.

Foi pastor em Botucatu onde dirigiu grupos relacionados ao louvor congregacional, tais como: dança, libras, backing vocals, coral, músicos e técnicos de áudio. Implantou o Estúdio Voima que já produziu e gravou vários outros trabalhos pelo Brasil. Atualmente é Pastor da Igreja Bíblica Evangélica de Piracicaba, cidade onde reside e tem se dedicado ao ministério da palavra.

É integrante do Conselho Editorial da Revista Impacto - Americana.- www.revistaimpacto.com

Site pessoal: www.vidanaverdade.com.br - e.mail:[email protected]

Proprietário da Escola de Educação Infantil e Berçário Cercado de amor, uma escola com princípios cristãos, que cuida de crianças entre zero e cinco ano de idade. www.cercadodeamor.com.br

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