Grupo instrumental apresenta música barroca em Igreja Central

Grupo instrumental apresenta música barroca em Igreja Central

Atualizado: Quinta-feira, 9 Dezembro de 2010 as 9:43

O projeto Música Antiga nas Igrejas desenvolvido pelo grupo Instrumentarium, de Porto Alegre, chega a sua sétima edição com uma turnê que, este ano, chegará a Santa Cruz do Sul. O concerto é hoje, a partir das 20 horas, na Igreja Evangélica do Centro (na Rua Venâncio de Aires com a 7 de Setembro), com entrada franca e promoção da Unisc.

Integram esse programa (confira mais detalhes no boxe) obras dos compositores Claudio Monteverdi (famoso, dentre outros trabalhos, pelo drama cantado L’Orfeo, de 1607, considerado a primeira ópera), Luigi Pozzi, Ludovico Viadana Grossa e Giovanni Paolo Cima, entre outros expoentes do Barroco italiano, e os alemães Mathias Weckmann e Philipp Heirich Erlebach, além do organista Dietrich Buxtehude. Entre os gêneros, o Grupo Instrumentarium irá executar cantatas, sonatas e peças musicais do século XVII, mostrando, assim, a meticulosidade de um trabalho que vem gerando o reconhecimento da crítica internacional.

O Instrumentarium é considerado um dos principais grupos especializados na interpretação da música antiga, que abrange os períodos medieval, renascentista e barroco. Dirigido e formado em 1996 pelo flautista Rodrigo Calveyra, o grupo varia sua formação conforme o projeto a ser realizado. Além de Rodrigo, que toca flauta doce e cornetto, compõem o conjunto atualmente o barítono Victor Torres, o violinista Roberto Rutkauskas, o cravista Jorge Lavista e Juan Manuel Quintana, que toca viola da gamba. A coordenação geral é de Marli Calveyra.

Rodrigo está satisfeito com a turnê – que já passou por Canoas, Teutônia, Porto Alegre, São Francisco de Paula, Taquara e Estrela – e disse que essa é uma oportunidade de conferir “como conseguimos recriar com êxito a sonoridade e os tratos estilísticos de uma época tão fecunda para a história da música”. Uma época, segundo ele, em que os oratórios, orquestras de câmara e instrumentos como o cravo e órgão atingiram grande popularidade. O projeto Música Antiga nas Igrejas é patrocinado pela Randon e Grupo CEEE por intermédio da Lei Rouanet.

PROGRAMA

Luigi Pozzi – Cantata Sopra la Passacaglia Ludovico Viadana Grossa – Canzon Francese in Risposta            Giovanni Paolo Cima – Surge Propera Bartolomeo de Selma y Salaverde – Vestiva i Colli Biagio Marini – La Vecchia Innamorata Salomone Rossi – La Bergamasca Claudio Monteverdi – Sì Dolce è’l Tormento Mathias Weckmann – Toccata em Mi m Dietrich Buxtehude – Sonata em Mi m Philipp Heirich Erlebach – Himmel du Weilst meine Plagen Tarquino Merula – La Trecha Tarquino Merula – Folle è Ben che si Crede Tarquino Merula – Ciaccona Dietrich Buxtehude – Quemadmodum Desiderat Cervus SAIBA MAIS

Originalmente italiano, o Barroco musical, que se estendeu de 1600 a 1750, estabeleceu uma série de rupturas em relação à Renascença. Refletia o conflito do homem e era ricamente ornamentado, tanto que já no início do século XVI um grupo de músicos, intelectuais e comerciantes reuniu-se em Veneza e designou-se Camerata, tendo por objetivo a descoberta de aplicações dramáticas à música.

Dentre as inovações do Barroco estão a ópera, a Teoria dos Afetos e o advento do Baixo Contínuo – denominação antiga para o baixo que não se interrompe e era executado quase sempre com uma viola baixa, um fagote ou qualquer outro instrumento grave. Na música sacra, o Barroco em muito utilizou os lamentos em tons elegíacos. Na dança, que assim como a música expressa os sentimentos de um determinado período histórico, uma de suas referências mais populares foi a Sarabanda, dança espanhola surgida no século XVI, que apresenta poucas notas musicais, repleta de ornamentos e com andamento muito grave.

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