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Buscando a excelência na relação com Deus

Buscando a excelência na relação com Deus

Atualizado: Quarta-feira, 18 Janeiro de 2012 as 1:04

Para se relacionar com Deus, o homem sempre buscou seus caminhos e no imaginário humano criou vários perfis ou imagens de Deus. Mesmo nós, cristãos temos a tendência de formar uma imagem de um Deus que se coadune com a nossa consciência. Na busca pela excelência na relação com o divino faz-se necessário avaliar a imagem que temos dele, porque a forma como o vemos influencia a nossa relação com Ele. Deus é um Deus que se revela nas Escrituras, pela iluminação do Espírito Santo na nossa mente e pelas experiências na interação da vida real com a verdade escrita. Refletiremos sobre o conhecimento de Deus com o objetivo de avaliar nossa percepção dele e a nossa relação com ele.
O conhecimento de Deus é um processo que se dá numa sequência crescente. Primeiro vem a consciência de que conhecemos a Deus. Esta certeza advém das experiências que temos com Ele, iniciadas na experiência mor, a principal, que é o ponto de partida para as demais. A experiência do novo nascimento ou conversão. A partir desta, o Senhor nos conduz a uma estrada ampla e vasta de experiências.
Não podemos dizer que conhecemos a Deus pelo fato de estudarmos acerca dele, porque a apreensão do conhecimento do infinito é indescritível. Deus não pode conter-se na forma do raciocínio nem na sistematização do conhecer humano. “Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem pois, conheceu a mente do Senhor?” (Rm. 11:33-34).

Conhecer a Deus é uma experiência de fé. Ao iniciar a relação com Deus, somos conduzidos por Ele para experiências de fé. A fé não é um conceito ou assentimento intelectual, a fé é prática, é uma atitude de confiança na pessoa divina. Se dissermos que cremos em Deus iremos conhecer a forma como ele age a nosso favor, e nessa forma Ele nos revela os caracteres da sua personalidade. Por isso, a Palavra nos chama para “tirar as provas” da sua bondade. “Provai e vede que o Senhor é bom” (Sl. 34:8).
Experimentamos a fé de forma mais profunda, quando Deus nos conduz a decidir sem que tenhamos total clareza para onde ele vai nos conduzir. Disse Deus a Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12.1). Sair sem saber para onde ir é uma atitude de fé, sair sem saber o que nos acontecerá e sem possuir o mapa do caminho de volta, é para quem se entrega com plena confiança Àquele que tem o controle da vida. Podemos passar conflitos familiares, provações na vida profissional e financeira, desânimo na vida espiritual e embates na Igreja, mas continuar declarando a fé no ser invisível, que pela experiência se faz percebível e real, assim, é possível enfrentar os riscos da caminhada cristã com júbilo, na certeza de que o caminho é sem retorno, mas, o porto é seguro.
Estava vendo um filme – “O Corpo”, era a narrativa de uma judia arqueóloga, examinando um corpo de um judeu morto na mesma época de Cristo, com o objetivo de provar que Jesus não ressuscitou. Um padre, muito preocupado com as descobertas daquela mulher, sua amiga,
chegou a pedi-la para não prosseguir com os exames, porque se fosse descoberto que aqueles ossos eram de Cristo, todo o cristianismo seria destruído e a fé cristã ficaria desmoronada. Isto, era apenas ficção. Mas, nós não necessitamos de provas, nem de “bater o martelo” para assegurar que o santo sudário que está no poder de Roma é o verdadeiro, como se isso fosse subsidio para a fé. A fé é dom de Deus e é alimentada pelo Espírito Santo no nosso interior.

Conhecer a Deus é experimentar a graça. Ninguém mantém uma relação saudável com Deus, se não conhecer o Deus da graça, na experimentação da graça em suas multiformas. (Jo. 1:14,17) A graça é a capacidade de viver acima do natural. Paulo experimentou esta verdade, quando foi atingido por um espinho na carne e clamou três vezes para Deus livrá-lo, Deus não prometeu tirá-lo daquela situação dolorosa, mas prometeu que através do poder da graça ele seria capaz de se gloriar nas fraquezas. A graça lhe foi concedida numa dimensão além de suas necessidades e da sua própria forma de ser. (II Co. 12.7-10).
Viver na graça é negar qualquer mérito pessoal e não reivindicar nenhuma dádiva, como se Deus fosse obrigado a doar o que desejamos para provar a sua fidelidade. Podemos passar por privações, os anseios da alma podem não ser atendidos, mas a única coisa que não pode faltar é a graça.
Encontrei-me com uma missionária que há mais de uma década servia a Deus de forma muito abnegada, mas não com plena satisfação, porque achava que diante de todo seu esforço na obra missionária, Deus já deveria ter-lhe atendido o desejo de construir um lar. Conhecer o Deus da graça é achar gozo na falta. Se a graça basta, ela é suficiente e nenhuma falta sobrepuja a medida dessa graça, por isso devemos usufruí-la e não torná-la inútil. (I Co.15:10)
Estas verdades divinas são aprendidas na escola da vida, quando na experimentação da sua graça, conhecemos o Deus gracioso.

Conhecer a Deus na forma de pensar. O Criador fez o humano a sua imagem e semelhança, dando-lhe, portanto, a capacidade de racionar, inquirir, usar a lógica e a razão para conhecer a Verdade. O apóstolo Pedro escreve que os profetas buscaram a compreensão da revelação divina investigando atentamente, para entender os planos divinos e manter uma fé viva na relação com o Deus da promessa. (I Pd. 1:10-11)
Pensar biblicamente é procurar conhecer a Deus para se relacionar com ele, dentro dos princípios e da manifestação do seu caráter, como expostos nas Escrituras. Ao invés de deduções vazias ou pensamentos recheados de moralidade humana, ou declarações positivistas de um deus falso, criado para satisfazer as exigências do egoísmo humano. O salmista declara: “ Em Deus cuja palavra eu louvo, neste Deus ponho a minha confiança.” (Sl. 56:4) O Deus revelado nas Escrituras. Daí vem a necessidade de conhecê-la ampla e profundamente. Paulo escrevendo a Timóteo diz: “Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas.” (II Tm.2:7) “Paulo nos ordena a pensar
sobre o que ele disse. Use a sua mente. Empregue seus poderes de raciocínio quando você ouve a Palavra de Deus.” 1

Conhecer a Deus pelo sentido. Se o nosso Deus não pode ser descrito, se o mais erudito dos homens não pode dissertar sobre Ele, e as tentativas para conceituá-lo são impróprias e a linguagem humana não encontra símbolos para identificá-lo na sua plenitude; se a realidade de Deus ultrapassa a mente e a razão, é necessário buscar a área dos sentidos para conhecê-lo no afetivo, no coração. Uma das formas que Deus nos ensina a conhecê-lo é pela linguagem do amor e pelo desejo de agradá-lo. ( I Jo. 4:7-8; Sl. 84:1-3)
O conhecimento de Deus está além do cognitivo, transcende as argumentações cientificas, é real porque experimentamos a Deus na experiência de Deus nos sentidos humanos. Ele é real pela força do afeto, é percebível pelo coração! “O conhecimento de Deus é uma relação emocional, assim como intelectual e volitivo, e não seria realmente um relacionamento profundo entre duas pessoas se não houvesse emoção.” 2 Quando o Senhor Jesus resumiu os mandamentos em dois, ele afirmou que deveríamos amá-lo com todo o coração e com todo o entendimento. (Lc.10:27)

Conhecer a Deus na face de Jesus. “...para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” (II Co.4:6) Deus decidiu se revelar em Jesus, sem Ele não existe cristianismo verdadeiro.
Diante da mulher samaritana Jesus declarou: “Se você conhecesse o Dom de Deus e quem é o que te pede dá-me de beber, você lhe pediria...(Jo 4.10). Conhecer Deus é conhecer a dádiva de Deus aos homens. Jesus, se tornou da parte do Pai, nossa redenção, nossa alegria, nossa paz, nossa salvação com todas as potencialidades de seu ser. Conhecer Jesus é conhecer a paz, porque o perdão põe fim às acusações da consciência culposa. Ser perdoado é experimentar o amor que nos faz aceitos no Amado, é ser constrangido a amar o outro como Ele ama. Conhecer a Deus na face de Jesus é encontrar descanso para as nossas almas. “ É crer que “em Jesus se consumou a aliança de Deus com seu povo; nele o Deus que havia prometido ‘eu serei vosso Deus’, começou a ser ‘Deus conosco’....” 3
O verdadeiro cristianismo se caracteriza pelo nosso relacionamento com Deus. Que a graça nos capacite a conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor numa relação profunda e eficaz.

Por Durvalina B. Bezerra
Diretora do Seminário do Betel Brasileiro em S. Paulo WWW.betelbrasileiro.com.br


1 Piper. John. Pense, a vida da mente e o amor de Deus. p. 94. Ed. Fiel. São José dos Campos, 2011
2 Packer. J. L. O conhecimento de Deus. p. 33, Ed. Mundo Cristão.São Paulo,1980.
3 Packer. J. L. O conhecimento de Deus. p.100, Ed. Mundo Cristão.São Paulo,1980

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