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Pra que lado fica o céu?

Pra que lado fica o céu?

Atualizado: Quarta-feira, 22 Fevereiro de 2012 as 9:16

Desde criança fui ensinado que a Bíblia é o mapa que nos mostra o caminho do céu. Lembrei-me disso, quando comecei a questionar algumas pregações e músicas tidas como evangélicas ou cristãs, mas totalmente dissociadas da mensagem bíblica. Parece-me que muitos cristãos realmente perderam o mapa que conduz ao céu, e buscam às cegas um caminho que torne o céu menos distante. O caminho para o céu da Bíblia é muito longo e a caminhada difícil. Talvez isso tenha levado estes cristãos a essa busca por um caminho alternativo.

Tenho saudades do tempo em que as músicas cristãs falavam do céu e de nossa caminhada pra lá. As pregações buscavam consolar os que estavam cansados da árdua caminhada, enquanto mostravam aos que se postavam à beira do caminho sua situação de miserabilidade e a necessidade de iniciar, imediatamente, sua caminha para um país distante, mas muito melhor do que o mundo d’aquém. Então, as pessoas se convertiam de verdade. Convertiam-se porque reconheciam seu estado de miséria. Não de uma miséria material ou física, mas da pior miséria que existe: a miséria da alma.

Então veio a Teologia da Prosperidade, trazendo em sua essência o vírus do capitalismo selvagem, que transforma as pessoas em escravos do consumismo. Os dedos em riste dos pregadores começaram a apontar um céu tão perto quem nem mesmo é preciso morrer para chegar lá. Aliás, morrer fica adiado que Deus cumprir todas as promessas materialistas que fez – ou que alguém fez em nome dele – ao crente capitalista.

As canções, agora, já não expressam o desejo do crente de chegar ao céu, mas sim a ânsia frenética de possuir a terra. As pregações, consequentemente, buscam convencer os desesperados a fecharem acordos milionários com “Deus”, desprendendo-se de seus pequenos tesouros para alcançar tesouros maiores. Não o Tesouro invisível e incorruptível, mas um tesouro mais visível e material. O triunfalismo arrasta as pessoas para um egocentrismo que as leva a uma competitividade tão louca que passam adesconfiar da própria sombra. As pessoas que se aproximam podem estar interessadasem puxar o seu tapete, impedir que você se torne cabeça e ele cauda ou, de algumaforma, roubar sua benção. Seu vizinho é o invejoso, o olho gordo, e não um alvo da salvação de Jesus Cristo que você deveria transmitir para ele.

Assim, as canções e pregações, antes carregadas do amor de Deus e da ânsia do espírito pela redenção eterna, ficam povoadas de rancor, competitividade,inveja, vingança e até mesmo ódio. Sentimentos próprios de quem deixou de ser cidadão e embaixador de um país muito distante, com valores muito diferentes destes e naturalizou-se, tornando-se cidadão da terra, passando a reivindicar direitos utópicos. Vejo, com muita tristeza, esses sentimentos transbordarem e se derramar das canções e pregações triunfalistas, descendo como uma onda pelas beiradas dos púlpitos luxuosos, eles atingem em cheio os espectadores hipnotizados.

Não. Eu não sou o dono da verdade. Por isso mesmo, quando estou em dúvida quanto ao verdadeiro rumo do céu, abro novamente aquele velho mapae convido o Santo Espírito para me mostrar mais uma vez pra que lado fica o céu. Então, retomo pacientemente a minha caminhada. Às vezes, me arrastando, às vezes mancando, tropeçando ou até caindo, mas com o mapa sempre ao alcance da mão, dos olhos e do coração, continuo andando até chegar lá.

 

Por Pr. Elias Soares

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