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Em defesa da amizade

Em defesa da amizade

Atualizado: Quinta-feira, 10 Março de 2011 as 1:39

É tempo de fazer amigos. “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro.” Pv 27:12. Este texto nos desperta da bucólica idéia que temos da amizade perfeita, plácida e tranqüila, e nos lança na realidade de que a verdadeira amizade exige um grau de atrito produtivo, que ajuda os amigos a se aperfeiçoarem para seu propósito de vida. Este é o lema atual de nosso ministério, que escolhemos para refletir sobre a porta aberta para a evangelização em nossos dias: os relacionamentos.

Entretanto e principalmente entre brasileiros, que somos tão fleumáticos, avessos aos conflitos, a angústia que a possibilidade de um atrito causa ativa nossos mecanismos de defesa, o que nos impede de viver uma amizade bíblica e verdadeira, que afeta a vida do próximo e o aproxima de Deus. Os mecanismos de defesa são um tema amplo, freqüente para muitos autores na psicologia. O primeiro mecanismo que aparece neste cenário é a negação, que nos leva a afirmar que não há nada errado com o amigo, que tudo não passa de uma fase, um deslize, quando na verdade há um grande pecado que deveriamos ajudar a confessar, restituir e corrigir. Mas afirmar que não vemos problema algum evita o conflito e mantém essa amizade hipócrita e inútil, mas confortável.

É possível usar a negação também quando somos confrontados por um amigo sobre algo que precisa ser “afiado” em nossa vida, então dizemos: “Você está enganado! Não é nada disso que você está pensando”, e amizade segue sem maiores problemas. Há muitos outros mecanismos de defesa, que usamos para evitar entrar em conflito. É possível usar a repressão e calcar os problemas em uma área do incosciente onde não nos incomode tanto. Também se pode usar a racionalização, dando longas, complexas e bonitas explicações para coisas que, na verdade, são feias e inaceitáveis. Pode-se encenar reações intensas para encobrir o que realmente sentimos; projetar nos outros nossas tensões, querendo tratar neles o que deveria ser tratado em nós; pode-se levar tudo na brincadeira e deixar o assunto “acabar em pizza”, adiando assim a questão; desviar-se a tensão para algo sublime, um bom propósito como “estou orando e jejuando sobre o assunto” e nunca fazer o que precisa ser feito; é possível ainda ocupar-se com uma grande batalha em outro campo, longe da situação que pede o conflito.

Uma amizade verdadeira, bíblica, que possa servir a Deus levando amigos a Cristo, precisa ser transparente e objetiva, capaz de utilizar o atrito de forma produtiva para o aperfeiçoamento mútuo. Nesse sentido a amizade entre Jônatas e Davi é quase um arquétipo. Em 1Samuel 18:3,4 vemos que Jônatas fez um acordo com Davi porque se tornara seu melhor amigo, e esse acordo consistiu em tirar sua capa, sua armadura, suas armas e entregá-las ao amigo. Esse desarmar-se para com o amigo, também na alma, produziu um efeito muito positivo quando precisaram tratar um tema tão difícil como a questão de família com a intenção assassina do pai de Jônatas. Nem sempre é fácil reconhecer que estamos utilizando mecanismos de defesa, mas agiremos bem em fazer todo o esforço para manter amizades produtivas, sendo transparentes e verdadeiros.

*Publicado anteriormente no site www.evangelizabrasil.com .

José Bernardo , 46, casado com Vasti e pai de João Marcos e Isabella, é pastor, escritor e conferencista. Depois de uma significativa carreira em marketing, e bem sucedido pastorado, fundou, no ano 2.000, a missão AMME Evangelizar, com o propósito de ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir a Grande Comissão. Sob sua liderança a AMME já ajudou mais de 30.000 igrejas a apresentar o Evangelho a mais de 90.000.000 de pessoas e agora avança para os outros países de língua portuguesa.  

Site:   www.evangelizabrasil.com .

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