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Quero que meus filhos saibam...

Quero que meus filhos saibam...

Atualizado: Quarta-feira, 1 Setembro de 2010 as 4:18

No ano passado, após um almoço pelo dia das mães, minha mãe reuniu a família e orou por nós pedindo por direção de Deus e agradeceu ao Senhor por sua vida até aquele momento. Depois da oração ela pediu para ir para o hospital. Nós a ajudamos a sair do carro, esperamos ao seu lado até que fosse internada e, nos dias seguintes, ela passou para o Senhor. Suas forças foram diminuindo e ela, silenciosamente como em toda sua vida, partiu, nada pedindo mais do que apenas o ar para respirar.

Durante aqueles dias no hospital cantamos, ao lado de seu leito, o hino que ultimamente ela preferia: “Senhor, eu te amo” de Eyshila. Quero produzir ternura ao teu coração, Senhor/ Quero comover-te com uma canção de amor/ Quero te adorar seja onde for. Quero que os meus filhos saibam que eu sou amada/ E que através de mim eles conheçam o teu cuidado/ Quero ser exemplo nessa geração/ Atrair pra ti uma multidão. Quero tocar tua face/ Ser mergulhado na tua unção/ Porque, Senhor, eu te amo de coração. Minha mãe era assim, com poucas palavras e uma vida exemplar, com mansidão e paciência, com perseverança e devoção, com simplicidade e fervor ela comunicou primeiro aos seus filhos e depois a uma multidão de pessoas o cuidado amoroso do Senhor. Ela foi um exemplo para minha geração e hoje está adorando o Senhor junto ao trono celestial.

Nascida em Paulista-PE, Maria José veio para São Paulo com cerca de quatro anos, cruzando o nordeste em época de seca, em uma viagem que durou cerca de 13 dias e bem pouca água para beber. Em sua infância sofreu de uma severa bronquite. Durante uma crise que ameaçava ceifar-lhe a vida, sua mãe, ainda não crente, a levantou nos braços e orou dizendo: “Se Deus curar minha filha ela seguirá a religião de seu tio”, referindo-se ao pastor Nelson, primeiro evangélico da família. Em São Paulo a pobreza fez de uma mala de viagem a sua cama por meses. A infância sofrida lhe deu pouca instrução que ela completou com muita leitura e observação, achando sabedoria suficiente para até para ensinar. Casou-se no Senhor aos desenove anos com José Bernardo e teve três filhos, José, Jônatas e Gilce. Viveu para eles, educando-os com esmero e depois do casamento da filha floresceu e frutificou no ministério, pastoreando junto com o esposo a Igreja Assembléia de Deus em Vila Paulicéia. Foi grande amiga de suas noras Alda e Vasti e de seu genro Josias, também se abençoou a vida dos netos Juliana, Jônatas, Isabella, Bruno, João, Gisele e Júlia.

Durante seu ministério com o esposo, a igreja que por algumas décadas funcionara sempre no mesmo pequeno templo constituiu-se em uma grande templo para 700 pessoas, salão social, prédio de educação cristã e estacionamento anexo, além de várias congregações. Amorosa e dedicada, manteve juntas as mulheres, sempre em grande atividade e com muitos resultados. Como uma Dorcas destes tempos modernos, se desdobrou-se na visitação, no cuidado aos necessitados e na produção artesanal de enxovais que tecia, bordava e pintava para presentear e para arrecadar fundos para seus projetos e para a construção do templo.

No início daquela construção um sonho chamou o casal ao preparo: viam-se os dois na inauguração, mas abatidos por alguma tristeza. Cerca de cinco anos antes de sua passagem, Maria José foi acometida de câncer no pâncreas que lhe minou as forças rapidamente, em razão de diagnóstico tardio por causa da burocracia e injustiça no sistema de saúde privada. Mais uma vez foi o Senhor quem lhe valeu. Em resposta às orações de milhares de crentes de muitas igrejas em várias partes do país, e contra toda a expectativa dos médicos, o Senhor a levantou do leito de morte e lhe deu mais três anos de próspero ministério e então a chamou de volta ao lar. Ela não se recusou a atender a este chamado. “Chegou o meu tempo”, ela disse, e foi para a mansão celestial.

Naqueles três anos a família aprendeu que um milagre definitivo, que quase sempre se espera, seria pouco frente às centenas de milagres que foram cada dia sem dor ou desconforto naqueles anos, mesmo enfrentando, sem tratamento adequado, uma das formas mais agressivas de câncer. Verdadeiramente se cumpriu a passagem bíblica preferida desta serva do Senhor: O Senhor foi o seu pastor, nada lhe faltou e por fim a fez descansar em verdes pastos, junto de águas tranquilas, mergulhada na unção de Deus. A nós, neste dia das mães, restou a saudade e o profundo desejo de encontrá-la novamente no grande Banquete.

José Bernardo , 46, casado com Vasti e pai de João Marcos e Isabella, é pastor, escritor e conferencista. Depois de uma significativa carreira em marketing, e bem sucedido pastorado, fundou, no ano 2.000, a missão AMME Evangelizar, com o propósito de ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir a Grande Comissão. Sob sua liderança a AMME já ajudou mais de 30.000 igrejas a apresentar o Evangelho a mais de 90.000.000 de pessoas e agora avança para os outros países de língua portuguesa.

Site: www.evangelizabrasil.com  .

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