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A arte de ferir a alma

A arte de ferir a alma

Atualizado: Terça-feira, 27 Julho de 2010 as 10:41

''Considerem: Uma árvore boa dá fruto bom, e uma árvore ruim dá fruto ruim, pois uma árvore é conhecida por seu fruto. Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do seu mau tesouro tira coisas más. Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados''. - Mateus 12.33-37.

Estava meditando nessa palavra e me questionei: ''Como pode uma palavra ferir tanto a nossa alma?''. É perturbador como um comentário ou uma resposta pode machucar mais do que um tapa. Sentimo-nos completamente vulneráveis, sem chão, sem proteção. Não há remédio para aquele nó na garganta, aquela vontade de chorar ou a sensação de injustiça.

A calúnia e a maldade sempre vêm acompanhadas pelo gosto amargo da incompreensão. Gente que não suporta a diferença, o pensamento livre, a verdade sem misturas, prefere viver o ópio da religiosidade. Cantam suas cantigas egocêntricas e embriagam-se da fé que coloca o homem no palco, que busca aplausos, que destrói seus irmãos.

Como é bom receber respostas às minhas reflexões, de gente que pensa diferente, que vê por outro ângulo, que me mostra outras possibilidades. Calvinistas, arminianos, teístas e tantos outros, enxergam coisas que eu simplesmente não vi na beira da estrada. Estes me escrevem e dizem: ''Mas será que o texto tal não quer dizer...'' - com respeito, educação, senso crítico. Assim, vou desenvolvendo minha fé, criando bases sólidas daquilo que creio, daquilo que a Bíblia diz.

Ah, mas como é desanimador receber respostas imbecis, insensatas, cruéis, totalmente destituídas de amor, baseadas na achologia. Gente que por sua ignorância não consegue (ou não tenta) interpretar textos tão simples como os meus. Não sou nenhum Cabral, Brizotti ou Yancey. Sou apenas um cristão que decidiu pensar e escrever. É claro que não sou dono da verdade, mas luto por ela. Só não imaginei ferir-me tão cedo nessa batalha.

Entendi que seria bem mais fácil se, ao invés de ficar recheando meus textos de versículos que sustentam minha fé, eu dissesse: ''É como disse o apóstolo tal, o reverendo x ou o cantor y''. Aliás, cheguei a seguinte conclusão: você pode falar até mesmo contra a Bíblia, só não mexa com meu cantor favorito!

Mas que bom! Percebo que estou no caminho certo, afinal... cada um dá o que tem!

L. Rogério

L. Rogério   é autor do livro ''Adoração para Anônimos'' (Editora Reflexão) e tem ministrado nas áreas de adoração, apologética, liderança, família e outras. Seu ministério consiste em encorajar a igreja a um relacionamento íntimo e autêntico com Deus. Casado com Daniela Miranda, que faz parte ativamente de seu ministério, já ministrou em diversas igrejas no Brasil e nos Estados Unidos. É fundador do projeto ''Escola de Adoração'' em SP que reúne todos os anos diversos músicos, cantores e palestrantes comprometidos com o Reino. É formado em Análise de Sistemas e pós-graduado em Marketing e Comunicação Integrada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011)

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