MENU

Não seja fiador de políticos!

Não seja fiador de políticos!

Atualizado: Quinta-feira, 30 Setembro de 2010 as 2:49

Uma frase bem controversa é essa: "A Corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela". Uma pessoa que viu isso na minha camisa reclamou: "Isso é forte demais!". Eu parei para pensar e achei que a pessoa poderia estar com a razão, afinal, fui eu mesmo quem a escreveu. Mas, quanto mais eu penso sobre o assunto, mais eu vejo que a comunidade cristã é decisiva na questão da corrupção.

No Brasil cerca de 85% da população professa uma religião chamada cristã. A maioria destes já ouviu ou leu grandes porções da Bíblia. E em média, a presença nas reuniões e confiança nas lideranças é forte. A pergunta a ser feita é: Por que há tanta corrupção no Brasil, já que há tantos cristãos no Brasil?

A mensagem bíblica de salvação leva em consideração os atos do homem enquanto ser social. O homem é chamado para agir de acordo com a justiça de Deus (Ef 5:15), faz comparação com a maldade reinante no mundo (Rm 6:19) e revela que a corrupção é uma das conseqüências do pecado na vida do homem (Jer 17:9). Ser salvo é ser liberto das tentações da carne (1Cor 10:13) e o padrão de santidade para a conduta do crente é o próprio Deus (1Pe 1:15). Por isso, o que nós fazemos aqui enquanto carregamos o nome de cristão é visto nos céus por Deus (Jer 16:17).

Sendo assim, toda vez que um cristão se envolver com a corrupção, por menor que seja, ele ou ela, estará quebrando o relacionamento que tem com Deus (Isa 59:2), o que traz para nós conseqüências drásticas no dia a dia. Pense em ficar sem a proteção de Deus ou sua misericórdia (Lm 3:22). Imagine não ter as suas orações ouvidas por Deus (Isa 1:15) ou ficar à mercê dos ataques de Satanás (1Pe 5:8).

Nessa época de eleições, os brasileiros, incluindo os cristãos, devem procurar conhecer os candidatos e escolher os melhores. É claro que, pelo que foi mostrado na TV até agora, é difícil encontrar os melhores. O processo eleitoral não contribui em nada com o eleitor. Mas isso fica para outro dia. Aqui, vale considerar que no processo de escolha, o brasileiro ainda pode estar escolhendo com base no fisiologismo ou no patrimonialismo. Vamos ver melhor o que isso significa.

Fisiologismo tem a ver com 'fisiologia' que é a base das necessidades iminentes de uma pessoa. É o que lhe é natural. No cenário político, Fisiologismo representa agir de maneira a buscar somente os seus benefícios próprios, sem levar em consideração as necessidades das outras pessoas. No meu livro Corrupção: Desvendando um mal de todas as épocas – Editora Fôlego (2010), eu abordo como Esaú vendeu a sua primogenitura para o seu irmão Jacó por causa de um momento de fisiologismo. Jacó agiu da mesma maneira, obtendo um direito que não era dele.

Patrimonialismo é uma atitude de pessoas que trabalham manuseando bens públicos, mas agem como se esses bens fossem deles. Eles não conseguem ver a linha que limita o uso privado do uso público. Em meu livro Democracia e Corrupção - LGE Editora (em parceria com CALDAS, R.W. - 2007) eu registro uma das definições de Corrupção, dada por Dininio (2002): 'abusos de ofício para ganhos privados'. Ao que tudo indica, o político brasileiro tem grandes dificuldades em reprimir o desejo de usar os bens públicos para seu proveito próprio. Mas até que ponto pode-se justificar isso como sendo uma ação tolerável? E além disso, como podemos imaginar que cristãos possam participar disso?

Nesses últimos dias de campanha, temos visto líderes cristãos se envolvendo de maneira inescrupulosa com candidatos que, mais à frente poderão se mostrar corruptos. Em outras palavras, eles estão sendo fiadores de políticos. Isso é muito perigoso. O Estado de São Paulo do dia 30/09 mostra uma foto com alguns líderes de grandes denominações afirmando apoio à candidatura de Dilma Roussef. A mensagem parece clara: Os Cristãos estão com Dilma. Isso é extremamente perigoso. Aliás, o perigo seria o mesmo, se a foto fosse tirada com José Serra, Marina Silva ou um dos outros candidatos a presidência da República.

Não que líderes não possam demonstrar seu favoritismo, mas o perigo está pelo fato de não haver um paralelo ideológico entre as partes. É puro fisiologismo! Ou seja, o que os cristãos estão comunicando é que eles se unem ao que oferece mais. E o que está sendo oferecido? Como a Sra. Dilma conseguiria reunir pessoas daquele calibre? Ao que tudo indica, na reunião não havia pessoas que queriam ser convencidas das idéias de Dilma. Pelo contrário, um dos pastores a chamou de 'nossa candidata'. Parecia mais um batalhão de choque para blindar Dilma dos ataques que estavam sendo feitos pela mídia por causa dos escândalos dos seus protegidos, da onda de medo que surgiu entre os evangélicos sobre os itens do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) que vai contra vários valores da Igreja Cristã e da mobilização sistemática da Igreja Católica contrária a candidatura da Sra. Dilma. Um grande líder chegou a afirmar que os boatos na mídia são 'jogo do diabo'. Lembramos que no passado, evangélicos já compararam o presidente Lula a satanás.

A tristeza que dá é que grupos de líderes cristãos importantes se curvam às suas supostas necessidades pessoais (fisiologismo) e encontram alguém que não consegue ver a diferença entre o público e o privado (patrimonialismo). O resultado será mais corrupção com o endosso de vários cristãos. Os projetos atuais continuarão sendo realizados, mas a sangria de dinheiro público continuará. A violência nas ruas continuará, o caos na saúde continuará, os baixos salários dos professores, médicos e policiais continuarão, os altos impostos continuarão, as negociatas no Congresso continuarão e os cristãos estarão no meio disso tudo por causa de migalhas.

Vale ressaltar que os benefícios recebidos hoje representam morte para milhares de brasileiros amanhã! Não podemos participar disso sem achar que Deus está vendo. Não podemos liderar nossas igrejas sabendo que estamos sendo fiadores de pessoas que irão romper com o compromisso feito. A conta é grande demais. 

Volto a achar que a corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela. Talvez seja rude demais, radical demais, mas me parece verdade demais. Talvez, nossa oração e ação deva ser para que Deus permita a vergonha, permita a exposição e permita a dor para que nós, cristãos aprendamos a servi-lo sem o fisiologismo.

Mas vale também acreditar que apesar dos fisiologistas, a Igreja do Senhor é bem maior. Os que não se dobraram ao deus da corrupção serão exaltados no dia da glorificação do nosso Senhor. Isso é o que mais nos anima. Nossos olhos se entristecem com o que vemos nesses dias, especialmente quando sabemos que o que está aí gerará mais dor e morte aos pobres e falência aos trabalhadores. Mas os nossos olhos estão no nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é maior que tudo e que todos. E o Brasil ainda se curvará diante dEle, de um jeito ou do outro.

Lembre-se: não seja fiador de políticos. Antes, vamos sair da corrupção e vencê-la para a glória de Deus!

Robson Costa Pereira é carioca, 43, formado em Teologia pelo Spurgeon's College em Londres e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi missionário em Israel e Holanda. É o fundador do Movimento Criscor - Cristãos Contra a Corrupção e pastor titular da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Maringá. É autor do Livro Infantil Uma Família Muito Louca e apaixonado por evangelismo. Robson é casado com Juliette e eles têm duas filhas: Shannon e Lydia. Seu hobby é leitura e música.

Uma frase bem controversa é essa: "A Corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela". Uma pessoa que viu isso na minha camisa reclamou: "Isso é forte demais!". Eu parei para pensar e achei que a pessoa poderia estar com a razão, afinal, fui eu mesmo quem a escreveu. Mas, quanto mais eu penso sobre o assunto, mais eu vejo que a comunidade cristã é decisiva na questão da corrupção.

No Brasil cerca de 85% da população professa uma religião chamada cristã. A maioria destes já ouviu ou leu grandes porções da Bíblia. E em média, a presença nas reuniões e confiança nas lideranças é forte. A pergunta a ser feita é: Por que há tanta corrupção no Brasil, já que há tantos cristãos no Brasil?

A mensagem bíblica de salvação leva em consideração os atos do homem enquanto ser social. O homem é chamado para agir de acordo com a justiça de Deus (Ef 5:15), faz comparação com a maldade reinante no mundo (Rm 6:19) e revela que a corrupção é uma das conseqüências do pecado na vida do homem (Jer 17:9). Ser salvo é ser liberto das tentações da carne (1Cor 10:13) e o padrão de santidade para a conduta do crente é o próprio Deus (1Pe 1:15). Por isso, o que nós fazemos aqui enquanto carregamos o nome de cristão é visto nos céus por Deus (Jer 16:17).

Sendo assim, toda vez que um cristão se envolver com a corrupção, por menor que seja, ele ou ela, estará quebrando o relacionamento que tem com Deus (Isa 59:2), o que traz para nós conseqüências drásticas no dia a dia. Pense em ficar sem a proteção de Deus ou sua misericórdia (Lm 3:22). Imagine não ter as suas orações ouvidas por Deus (Isa 1:15) ou ficar à mercê dos ataques de Satanás (1Pe 5:8).

Nessa época de eleições, os brasileiros, incluindo os cristãos, devem procurar conhecer os candidatos e escolher os melhores. É claro que, pelo que foi mostrado na TV até agora, é difícil encontrar os melhores. O processo eleitoral não contribui em nada com o eleitor. Mas isso fica para outro dia. Aqui, vale considerar que no processo de escolha, o brasileiro ainda pode estar escolhendo com base no fisiologismo ou no patrimonialismo. Vamos ver melhor o que isso significa.

Fisiologismo tem a ver com 'fisiologia' que é a base das necessidades iminentes de uma pessoa. É o que lhe é natural. No cenário político, Fisiologismo representa agir de maneira a buscar somente os seus benefícios próprios, sem levar em consideração as necessidades das outras pessoas. No meu livro Corrupção: Desvendando um mal de todas as épocas – Editora Fôlego (2010), eu abordo como Esaú vendeu a sua primogenitura para o seu irmão Jacó por causa de um momento de fisiologismo. Jacó agiu da mesma maneira, obtendo um direito que não era dele.

Patrimonialismo é uma atitude de pessoas que trabalham manuseando bens públicos, mas agem como se esses bens fossem deles. Eles não conseguem ver a linha que limita o uso privado do uso público. Em meu livro Democracia e Corrupção - LGE Editora (em parceria com CALDAS, R.W. - 2007) eu registro uma das definições de Corrupção, dada por Dininio (2002): 'abusos de ofício para ganhos privados'. Ao que tudo indica, o político brasileiro tem grandes dificuldades em reprimir o desejo de usar os bens públicos para seu proveito próprio. Mas até que ponto pode-se justificar isso como sendo uma ação tolerável? E além disso, como podemos imaginar que cristãos possam participar disso?

Nesses últimos dias de campanha, temos visto líderes cristãos se envolvendo de maneira inescrupulosa com candidatos que, mais à frente poderão se mostrar corruptos. Em outras palavras, eles estão sendo fiadores de políticos. Isso é muito perigoso. O Estado de São Paulo do dia 30/09 mostra uma foto com alguns líderes de grandes denominações afirmando apoio à candidatura de Dilma Roussef. A mensagem parece clara: Os Cristãos estão com Dilma. Isso é extremamente perigoso. Aliás, o perigo seria o mesmo, se a foto fosse tirada com José Serra, Marina Silva ou um dos outros candidatos a presidência da República.

Não que líderes não possam demonstrar seu favoritismo, mas o perigo está pelo fato de não haver um paralelo ideológico entre as partes. É puro fisiologismo! Ou seja, o que os cristãos estão comunicando é que eles se unem ao que oferece mais. E o que está sendo oferecido? Como a Sra. Dilma conseguiria reunir pessoas daquele calibre? Ao que tudo indica, na reunião não havia pessoas que queriam ser convencidas das idéias de Dilma. Pelo contrário, um dos pastores a chamou de 'nossa candidata'. Parecia mais um batalhão de choque para blindar Dilma dos ataques que estavam sendo feitos pela mídia por causa dos escândalos dos seus protegidos, da onda de medo que surgiu entre os evangélicos sobre os itens do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) que vai contra vários valores da Igreja Cristã e da mobilização sistemática da Igreja Católica contrária a candidatura da Sra. Dilma. Um grande líder chegou a afirmar que os boatos na mídia são 'jogo do diabo'. Lembramos que no passado, evangélicos já compararam o presidente Lula a satanás.

A tristeza que dá é que grupos de líderes cristãos importantes se curvam às suas supostas necessidades pessoais (fisiologismo) e encontram alguém que não consegue ver a diferença entre o público e o privado (patrimonialismo). O resultado será mais corrupção com o endosso de vários cristãos. Os projetos atuais continuarão sendo realizados, mas a sangria de dinheiro público continuará. A violência nas ruas continuará, o caos na saúde continuará, os baixos salários dos professores, médicos e policiais continuarão, os altos impostos continuarão, as negociatas no Congresso continuarão e os cristãos estarão no meio disso tudo por causa de migalhas.

Vale ressaltar que os benefícios recebidos hoje representam morte para milhares de brasileiros amanhã! Não podemos participar disso sem achar que Deus está vendo. Não podemos liderar nossas igrejas sabendo que estamos sendo fiadores de pessoas que irão romper com o compromisso feito. A conta é grande demais. 

Volto a achar que a corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela. Talvez seja rude demais, radical demais, mas me parece verdade demais. Talvez, nossa oração e ação deva ser para que Deus permita a vergonha, permita a exposição e permita a dor para que nós, cristãos aprendamos a servi-lo sem o fisiologismo.

Mas vale também acreditar que apesar dos fisiologistas, a Igreja do Senhor é bem maior. Os que não se dobraram ao deus da corrupção serão exaltados no dia da glorificação do nosso Senhor. Isso é o que mais nos anima. Nossos olhos se entristecem com o que vemos nesses dias, especialmente quando sabemos que o que está aí gerará mais dor e morte aos pobres e falência aos trabalhadores. Mas os nossos olhos estão no nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é maior que tudo e que todos. E o Brasil ainda se curvará diante dEle, de um jeito ou do outro.

Lembre-se: não seja fiador de políticos. Antes, vamos sair da corrupção e vencê-la para a glória de Deus!

Robson Costa Pereira é carioca, 43, formado em Teologia pelo Spurgeon's College em Londres e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi missionário em Israel e Holanda. É o fundador do Movimento Criscor - Cristãos Contra a Corrupção e pastor titular da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Maringá. É autor do Livro Infantil Uma Família Muito Louca e apaixonado por evangelismo. Robson é casado com Juliette e eles têm duas filhas: Shannon e Lydia. Seu hobby é leitura e música.

Uma frase bem controversa é essa: "A Corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela". Uma pessoa que viu isso na minha camisa reclamou: "Isso é forte demais!". Eu parei para pensar e achei que a pessoa poderia estar com a razão, afinal, fui eu mesmo quem a escreveu. Mas, quanto mais eu penso sobre o assunto, mais eu vejo que a comunidade cristã é decisiva na questão da corrupção.

No Brasil cerca de 85% da população professa uma religião chamada cristã. A maioria destes já ouviu ou leu grandes porções da Bíblia. E em média, a presença nas reuniões e confiança nas lideranças é forte. A pergunta a ser feita é: Por que há tanta corrupção no Brasil, já que há tantos cristãos no Brasil?

A mensagem bíblica de salvação leva em consideração os atos do homem enquanto ser social. O homem é chamado para agir de acordo com a justiça de Deus (Ef 5:15), faz comparação com a maldade reinante no mundo (Rm 6:19) e revela que a corrupção é uma das conseqüências do pecado na vida do homem (Jer 17:9). Ser salvo é ser liberto das tentações da carne (1Cor 10:13) e o padrão de santidade para a conduta do crente é o próprio Deus (1Pe 1:15). Por isso, o que nós fazemos aqui enquanto carregamos o nome de cristão é visto nos céus por Deus (Jer 16:17).

Sendo assim, toda vez que um cristão se envolver com a corrupção, por menor que seja, ele ou ela, estará quebrando o relacionamento que tem com Deus (Isa 59:2), o que traz para nós conseqüências drásticas no dia a dia. Pense em ficar sem a proteção de Deus ou sua misericórdia (Lm 3:22). Imagine não ter as suas orações ouvidas por Deus (Isa 1:15) ou ficar à mercê dos ataques de Satanás (1Pe 5:8).

Nessa época de eleições, os brasileiros, incluindo os cristãos, devem procurar conhecer os candidatos e escolher os melhores. É claro que, pelo que foi mostrado na TV até agora, é difícil encontrar os melhores. O processo eleitoral não contribui em nada com o eleitor. Mas isso fica para outro dia. Aqui, vale considerar que no processo de escolha, o brasileiro ainda pode estar escolhendo com base no fisiologismo ou no patrimonialismo. Vamos ver melhor o que isso significa.

Fisiologismo tem a ver com 'fisiologia' que é a base das necessidades iminentes de uma pessoa. É o que lhe é natural. No cenário político, Fisiologismo representa agir de maneira a buscar somente os seus benefícios próprios, sem levar em consideração as necessidades das outras pessoas. No meu livro Corrupção: Desvendando um mal de todas as épocas – Editora Fôlego (2010), eu abordo como Esaú vendeu a sua primogenitura para o seu irmão Jacó por causa de um momento de fisiologismo. Jacó agiu da mesma maneira, obtendo um direito que não era dele.

Patrimonialismo é uma atitude de pessoas que trabalham manuseando bens públicos, mas agem como se esses bens fossem deles. Eles não conseguem ver a linha que limita o uso privado do uso público. Em meu livro Democracia e Corrupção - LGE Editora (em parceria com CALDAS, R.W. - 2007) eu registro uma das definições de Corrupção, dada por Dininio (2002): 'abusos de ofício para ganhos privados'. Ao que tudo indica, o político brasileiro tem grandes dificuldades em reprimir o desejo de usar os bens públicos para seu proveito próprio. Mas até que ponto pode-se justificar isso como sendo uma ação tolerável? E além disso, como podemos imaginar que cristãos possam participar disso?

Nesses últimos dias de campanha, temos visto líderes cristãos se envolvendo de maneira inescrupulosa com candidatos que, mais à frente poderão se mostrar corruptos. Em outras palavras, eles estão sendo fiadores de políticos. Isso é muito perigoso. O Estado de São Paulo do dia 30/09 mostra uma foto com alguns líderes de grandes denominações afirmando apoio à candidatura de Dilma Roussef. A mensagem parece clara: Os Cristãos estão com Dilma. Isso é extremamente perigoso. Aliás, o perigo seria o mesmo, se a foto fosse tirada com José Serra, Marina Silva ou um dos outros candidatos a presidência da República.

Não que líderes não possam demonstrar seu favoritismo, mas o perigo está pelo fato de não haver um paralelo ideológico entre as partes. É puro fisiologismo! Ou seja, o que os cristãos estão comunicando é que eles se unem ao que oferece mais. E o que está sendo oferecido? Como a Sra. Dilma conseguiria reunir pessoas daquele calibre? Ao que tudo indica, na reunião não havia pessoas que queriam ser convencidas das idéias de Dilma. Pelo contrário, um dos pastores a chamou de 'nossa candidata'. Parecia mais um batalhão de choque para blindar Dilma dos ataques que estavam sendo feitos pela mídia por causa dos escândalos dos seus protegidos, da onda de medo que surgiu entre os evangélicos sobre os itens do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) que vai contra vários valores da Igreja Cristã e da mobilização sistemática da Igreja Católica contrária a candidatura da Sra. Dilma. Um grande líder chegou a afirmar que os boatos na mídia são 'jogo do diabo'. Lembramos que no passado, evangélicos já compararam o presidente Lula a satanás.

A tristeza que dá é que grupos de líderes cristãos importantes se curvam às suas supostas necessidades pessoais (fisiologismo) e encontram alguém que não consegue ver a diferença entre o público e o privado (patrimonialismo). O resultado será mais corrupção com o endosso de vários cristãos. Os projetos atuais continuarão sendo realizados, mas a sangria de dinheiro público continuará. A violência nas ruas continuará, o caos na saúde continuará, os baixos salários dos professores, médicos e policiais continuarão, os altos impostos continuarão, as negociatas no Congresso continuarão e os cristãos estarão no meio disso tudo por causa de migalhas.

Vale ressaltar que os benefícios recebidos hoje representam morte para milhares de brasileiros amanhã! Não podemos participar disso sem achar que Deus está vendo. Não podemos liderar nossas igrejas sabendo que estamos sendo fiadores de pessoas que irão romper com o compromisso feito. A conta é grande demais. 

Volto a achar que a corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela. Talvez seja rude demais, radical demais, mas me parece verdade demais. Talvez, nossa oração e ação deva ser para que Deus permita a vergonha, permita a exposição e permita a dor para que nós, cristãos aprendamos a servi-lo sem o fisiologismo.

Mas vale também acreditar que apesar dos fisiologistas, a Igreja do Senhor é bem maior. Os que não se dobraram ao deus da corrupção serão exaltados no dia da glorificação do nosso Senhor. Isso é o que mais nos anima. Nossos olhos se entristecem com o que vemos nesses dias, especialmente quando sabemos que o que está aí gerará mais dor e morte aos pobres e falência aos trabalhadores. Mas os nossos olhos estão no nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é maior que tudo e que todos. E o Brasil ainda se curvará diante dEle, de um jeito ou do outro.

Lembre-se: não seja fiador de políticos. Antes, vamos sair da corrupção e vencê-la para a glória de Deus!

Robson Costa Pereira é carioca, 43, formado em Teologia pelo Spurgeon's College em Londres e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi missionário em Israel e Holanda. É o fundador do Movimento Criscor - Cristãos Contra a Corrupção e pastor titular da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Maringá. É autor do Livro Infantil Uma Família Muito Louca e apaixonado por evangelismo. Robson é casado com Juliette e eles têm duas filhas: Shannon e Lydia. Seu hobby é leitura e música.

Uma frase bem controversa é essa: "A Corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela". Uma pessoa que viu isso na minha camisa reclamou: "Isso é forte demais!". Eu parei para pensar e achei que a pessoa poderia estar com a razão, afinal, fui eu mesmo quem a escreveu. Mas, quanto mais eu penso sobre o assunto, mais eu vejo que a comunidade cristã é decisiva na questão da corrupção.

No Brasil cerca de 85% da população professa uma religião chamada cristã. A maioria destes já ouviu ou leu grandes porções da Bíblia. E em média, a presença nas reuniões e confiança nas lideranças é forte. A pergunta a ser feita é: Por que há tanta corrupção no Brasil, já que há tantos cristãos no Brasil?

A mensagem bíblica de salvação leva em consideração os atos do homem enquanto ser social. O homem é chamado para agir de acordo com a justiça de Deus (Ef 5:15), faz comparação com a maldade reinante no mundo (Rm 6:19) e revela que a corrupção é uma das conseqüências do pecado na vida do homem (Jer 17:9). Ser salvo é ser liberto das tentações da carne (1Cor 10:13) e o padrão de santidade para a conduta do crente é o próprio Deus (1Pe 1:15). Por isso, o que nós fazemos aqui enquanto carregamos o nome de cristão é visto nos céus por Deus (Jer 16:17).

Sendo assim, toda vez que um cristão se envolver com a corrupção, por menor que seja, ele ou ela, estará quebrando o relacionamento que tem com Deus (Isa 59:2), o que traz para nós conseqüências drásticas no dia a dia. Pense em ficar sem a proteção de Deus ou sua misericórdia (Lm 3:22). Imagine não ter as suas orações ouvidas por Deus (Isa 1:15) ou ficar à mercê dos ataques de Satanás (1Pe 5:8).

Nessa época de eleições, os brasileiros, incluindo os cristãos, devem procurar conhecer os candidatos e escolher os melhores. É claro que, pelo que foi mostrado na TV até agora, é difícil encontrar os melhores. O processo eleitoral não contribui em nada com o eleitor. Mas isso fica para outro dia. Aqui, vale considerar que no processo de escolha, o brasileiro ainda pode estar escolhendo com base no fisiologismo ou no patrimonialismo. Vamos ver melhor o que isso significa.

Fisiologismo tem a ver com 'fisiologia' que é a base das necessidades iminentes de uma pessoa. É o que lhe é natural. No cenário político, Fisiologismo representa agir de maneira a buscar somente os seus benefícios próprios, sem levar em consideração as necessidades das outras pessoas. No meu livro Corrupção: Desvendando um mal de todas as épocas – Editora Fôlego (2010), eu abordo como Esaú vendeu a sua primogenitura para o seu irmão Jacó por causa de um momento de fisiologismo. Jacó agiu da mesma maneira, obtendo um direito que não era dele.

Patrimonialismo é uma atitude de pessoas que trabalham manuseando bens públicos, mas agem como se esses bens fossem deles. Eles não conseguem ver a linha que limita o uso privado do uso público. Em meu livro Democracia e Corrupção - LGE Editora (em parceria com CALDAS, R.W. - 2007) eu registro uma das definições de Corrupção, dada por Dininio (2002): 'abusos de ofício para ganhos privados'. Ao que tudo indica, o político brasileiro tem grandes dificuldades em reprimir o desejo de usar os bens públicos para seu proveito próprio. Mas até que ponto pode-se justificar isso como sendo uma ação tolerável? E além disso, como podemos imaginar que cristãos possam participar disso?

Nesses últimos dias de campanha, temos visto líderes cristãos se envolvendo de maneira inescrupulosa com candidatos que, mais à frente poderão se mostrar corruptos. Em outras palavras, eles estão sendo fiadores de políticos. Isso é muito perigoso. O Estado de São Paulo do dia 30/09 mostra uma foto com alguns líderes de grandes denominações afirmando apoio à candidatura de Dilma Roussef. A mensagem parece clara: Os Cristãos estão com Dilma. Isso é extremamente perigoso. Aliás, o perigo seria o mesmo, se a foto fosse tirada com José Serra, Marina Silva ou um dos outros candidatos a presidência da República.

Não que líderes não possam demonstrar seu favoritismo, mas o perigo está pelo fato de não haver um paralelo ideológico entre as partes. É puro fisiologismo! Ou seja, o que os cristãos estão comunicando é que eles se unem ao que oferece mais. E o que está sendo oferecido? Como a Sra. Dilma conseguiria reunir pessoas daquele calibre? Ao que tudo indica, na reunião não havia pessoas que queriam ser convencidas das idéias de Dilma. Pelo contrário, um dos pastores a chamou de 'nossa candidata'. Parecia mais um batalhão de choque para blindar Dilma dos ataques que estavam sendo feitos pela mídia por causa dos escândalos dos seus protegidos, da onda de medo que surgiu entre os evangélicos sobre os itens do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) que vai contra vários valores da Igreja Cristã e da mobilização sistemática da Igreja Católica contrária a candidatura da Sra. Dilma. Um grande líder chegou a afirmar que os boatos na mídia são 'jogo do diabo'. Lembramos que no passado, evangélicos já compararam o presidente Lula a satanás.

A tristeza que dá é que grupos de líderes cristãos importantes se curvam às suas supostas necessidades pessoais (fisiologismo) e encontram alguém que não consegue ver a diferença entre o público e o privado (patrimonialismo). O resultado será mais corrupção com o endosso de vários cristãos. Os projetos atuais continuarão sendo realizados, mas a sangria de dinheiro público continuará. A violência nas ruas continuará, o caos na saúde continuará, os baixos salários dos professores, médicos e policiais continuarão, os altos impostos continuarão, as negociatas no Congresso continuarão e os cristãos estarão no meio disso tudo por causa de migalhas.

Vale ressaltar que os benefícios recebidos hoje representam morte para milhares de brasileiros amanhã! Não podemos participar disso sem achar que Deus está vendo. Não podemos liderar nossas igrejas sabendo que estamos sendo fiadores de pessoas que irão romper com o compromisso feito. A conta é grande demais. 

Volto a achar que a corrupção só será vencida quando os cristãos saírem dela. Talvez seja rude demais, radical demais, mas me parece verdade demais. Talvez, nossa oração e ação deva ser para que Deus permita a vergonha, permita a exposição e permita a dor para que nós, cristãos aprendamos a servi-lo sem o fisiologismo.

Mas vale também acreditar que apesar dos fisiologistas, a Igreja do Senhor é bem maior. Os que não se dobraram ao deus da corrupção serão exaltados no dia da glorificação do nosso Senhor. Isso é o que mais nos anima. Nossos olhos se entristecem com o que vemos nesses dias, especialmente quando sabemos que o que está aí gerará mais dor e morte aos pobres e falência aos trabalhadores. Mas os nossos olhos estão no nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é maior que tudo e que todos. E o Brasil ainda se curvará diante dEle, de um jeito ou do outro.

Lembre-se: não seja fiador de políticos. Antes, vamos sair da corrupção e vencê-la para a glória de Deus!

Robson Costa Pereira é carioca, 43, formado em Teologia pelo Spurgeon's College em Londres e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi missionário em Israel e Holanda. É o fundador do Movimento Criscor - Cristãos Contra a Corrupção e pastor titular da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Maringá. É autor do Livro Infantil Uma Família Muito Louca e apaixonado por evangelismo. Robson é casado com Juliette e eles têm duas filhas: Shannon e Lydia. Seu hobby é leitura e música.

veja também