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A doutrina do purgatório

A doutrina do purgatório

Atualizado: Segunda-feira, 25 Outubro de 2010 as 2:10

Existe diferença entre o pecado cometido e a tendência inata para o pecado?

Há como conciliar o sacrifício de Cristo e a doutrina do purgatório?

"O PURGATÓRIO"

A doutrina do purgatório teve o seu início no Concílio de Florença (1439). Neste Concílio foi estabelecida a diferença entre o pecado cometido e a tendência inata para o pecado, chegando-se a conclusão de que o perdão conseguido através da confissão ao sacerdote e a participação nos sacramentos* acaba com o pecado, mas não acaba com a má tendência.

*(Sacramentos são as fases que o católico tem em sua vida e são definidos como: batismo, confirmação do batismo ou crisma, reconciliação ou penitência, eucaristia, ordem, matrimônio e unção dos enfermos)*

Há, portanto, a necessidade do purgatório, um lugar intermediário entre o céu e a terra, onde os fiéis, que ainda tenham alguma dívida oriunda da má tendência para o pecado, irão sofrer no fogo do purgatório até a purificação completa.

Sobre o sofrimento do purgatório, o manual da sociedade do purgatório registra o seguinte: "Segundo os santos padres da igreja, o fogo do purgatório não difere do fogo do inferno, exceto quanto à sua duração. É o mesmo fogo, diz S. Tomás de Aquino, que atormenta os réprobos no inferno e o justo no purgatório. A dor mais amena no purgatório, ele diz, ultrapassa os maiores sofrimentos desta vida. Nada além da duração eterna torna o fogo do inferno mais terrível do que o purgatório ".

Segundo a fé católica, as orações e esmolas dos vivos e o "sacrifício da missa" ajudam a diminuir o tormento do purgatório.

Então, como será que os católicos encaram a morte, visto que são ensinados que depois da morte irão para o purgatório?

Os teólogos tentam basear a doutrina do purgatório nos livros de Macabeus e em algumas passagens das Escrituras. Sabemos que Macabeus é um livro apócrifo, isto é, não pertence ao Cânon hebraico e, quanto às passagens das Escrituras, os católicos usam o fato de existir um pecado imperdoável (blasfêmia contra o Espírito Santo) e a passagem de I Co 3:15: "Se a obra de alguém se queimar,sofrerá detrimento;mas o tal será salvo,todavia como pelo fogo ".

Ora, quando Cristo chama a blasfêmia contra o Espírito Santo de pecado imperdoável, não faz referência nenhuma ao purgatório, que segundo os católicos seria o lugar onde este pecado seria perdoado. Pelo contrário, Jesus disse: "Não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro " (Mt 12.32) e "nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo. " (Mc 3.29).

Quanto à passagem de Coríntios, Paulo trata da questão dos galardões e não da salvação. Tanto que mesmo que as obras se queimem "o tal será salvo, todavia como pelo fogo".

Resumindo, destaco 3(três) argumentos bíblicos que se contrapoem à doutrina do purgatório:

1º) A suficiência do sacrifício de Cristo.

Não há como crer na suficiência do sacrifício de Cristo e na doutrina do purgatório ao mesmo tempo. Só pode se crer em um e descartar o outro. Cristo falou: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). Ele veio salvar, não se tem nenhuma necessidade do purgatório para aperfeiçoar a salvação que Cristo trouxe. Paulo escreveu: "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. " (I Tm 1.15). Cristo na cruz disse: "Está tudo consumado ", mostrando assim que cumpriu a sua missão.

2º) Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo.

Medite: Rm 8:1 e Jo 3:18.

3º) É na presente vida que a salvação ou a condenação é definida.

Medite: Hb 9.27.

Observamos que em relação à doutrina do Purgatório, o catolicismo interpreta erroneamente as Escrituras e confunde-se em seus próprios ensinamentos, pois não crê que o sacrifício de Cristo foi o suficiente para a nossa salvação e nem fica satisfeito com a doutrina dos sacramentos. Para eles há necessidade do purgatório, enquanto a Bíblia é bem mais simples afirmando que Cristo satisfez a justiça divina (Rm 3.21-26), não havendo necessidade de mais nada.

Por tudo o que foi exposto, podemos afirmar que a doutrina do purgatório está contrária aos ensinamentos da Bíblia Sagrada, pois as palavras do Senhor Jesus são mais do que suficientes para a nossa salvação: “Quem crer e for batizado será salvo" (Mc 16.16)”!

No amor de Cristo Jesus

Pr Ronaldo Didini

Ronaldo Didini   é pastor, jornalista, radialista, escritor e apresentador. Ficou conhecido em todo Brasil por apresentar o programa de televisão 25ª Hora, na década de 90, na Rede Record. Atualmente, é gestor e apresentador do Canal 21.  

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