A comunicação pode ser a causa de términos de relacionamentos que nem começaram

A comunicação pode ser a causa de términos de relacionamentos que nem começaram

Atualizado: Quarta-feira, 18 Agosto de 2010 as 2:48

Tudo começa com um flerte. Eles trocam telefones e marcam um encontro. No tão esperado dia, a impressão que se tem é que um foi feito para o outro. No dia seguinte, ela - ou ele - esperam um telefonema para marcar um novo encontro. No entanto, nada mais acontece. A magia se acabou antes de começar. Por que não deu certo?

Esta é uma das principais perguntas que a psicóloga Laila Pincelli ouve de seus clientes - homens e mulheres - durante as sessões de terapia na qual discorrem sobre sua vida amorosa. "Quando analiso cada uma das situações percebo que a falta de comunicação adequada entre as pessoas vem sendo o grande entrave para o início ou a continuidade de uma relação. E, muitas vezes, pelo menos em tese, elas teriam muitas chances de dar certo".

Na visão da psicóloga, entende-se por falta de comunicação o fato de que as pessoas não conseguem deixar claro o que querem por conta de insegurança, baixa auto-estima e experiências anteriores mal sucedidas, entre outros fatores. "Por conta disto, na relação com o outro, perdem a espontaneidade e deixam que a ansiedade tome conta. Resultado: ou ficam na defensiva, não demonstram interesse e também não conseguem perceber os sinais que o outro emite ou ficam literalmente 'em cima': exageram em se fazer presentes, ligam e mandam mensagens a todo instante".

Laila recorda uma das histórias de consultório que ilustra a explicação dada acima. "Uma paciente conheceu um rapaz e se apaixonou por ele. Por medo de se entregar e ser rejeitada, ficou na defensiva, não mostrou interesse e o caso esfriou", conta. "Tempos depois, a moça reencontrou o rapaz e teve a coragem de perguntar a ele porque o relacionamento não foi adiante já que ela estava apaixonada. A resposta foi surpreendente. Ele disse que também estava apaixonado, mas que se afastou porque acreditava não ser correspondido".

A questão, reforça a psicóloga, é encontrar o equilíbrio e, com isto, agir com naturalidade e espontaneidade. "Se você não emite nenhum sinal, apenas fica na defensiva, demonstrará desinteresse. Por outro lado, se for muito ansioso, pode, sim, assustar o outro. É preciso ter sensibilidade para demonstrar os próprios sentimentos e para perceber as reações do outro, sem se esquecer de que ele também carrega um arsenal de expectativas".

E como encontrar o equilíbrio para ter mais chances de ser bem sucedido no amor? Laila já deu a dica: auto-conhecimento. "Quando uma pessoa se conhece ela é mais segura", explica. "O caminho do auto-conhecimento passa pela reflexão, avaliação e aprendizado. A base são os próprios erros e situações vividas. Foque a análise em você e não no outro: como você tem se comportado? Que atitudes fizeram com que ele ou ela se afastasse?".

Além disto, a psicóloga lembra que relacionar-se é, sim, correr riscos. "Quando o assunto é relacionamento, não existe certeza absoluta. Não espere que o outro dê todos os sinais do que sente por você e o que quer para, depois, definir quais serão os seus próximos passos. Ele também pode estar aguardando alguma confirmação sua para poder ser mais direto. Se esta manifestação não vem da parte de nenhum dos dois, pode ser que o momento passe e mais um relacionamento chegue ao fim antes mesmo de começar".

Dicas para casais 'em formação' ou para quem busca um relacionamento:

A expressão das emoções é fundamental numa relação independentemente da fase em que esteja. Busque entender o que está sentindo e administre sua ansiedade. Você se comunica não apenas com palavras, mas também com a sua postura, voz, olhar, respiração, gestos. Tire proveito da linguagem não-verbal, mas esteja ciente de que a você não controla a interpretação do outro; Procure não agir de forma mecânica, deixe fluir. "Há pessoas que pensam assim: 'primeiro eu ligo para demonstrar interesse. Depois, eu sumo para ver se ele ou ela sente a minha falta'. No entanto, elas não pensam que nem sempre o outro interpreta a mensagem da mesma maneira". Em se tratando de relacionamento, não há certo nem errado. Cada situação requer um tipo de atitude. O senso comum, no entanto, mostra que a apatia é vista como desinteresse e a ansiedade assusta; Se você tem medo dos diálogos mais 'abertos', busque outras formas de mostrar o que quer e o que sente. "Se o outro diz que não quer relacionamentos sérios, mas você quer, não responda dizendo que não quer também. O outro pode ter dito isto para testá-lo ou para se defender. É preferível dizer: 'não tenho pressa, mas se eu estiver com alguém que eu goste, não teria problemas em assumir um relacionamento'".

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