A importãncia dos super heróis para as crianças

A importãncia dos super heróis para as crianças

Atualizado: Sexta-feira, 22 Julho de 2011 as 10

A Mattel do Brasil, em conjunto com o instituto GFK Indicator, realizou pesquisa inédita no País, com meninos de seis a dez anos, para entender qual função que a fantasia e, em particular, os heróis, ocupam hoje no imaginário infantil. Desenvolvido sob consultoria da psicóloga Lidia Aratangy, o estudo revelou, entre outras conclusões, que esses personagens têm função essencial na formação das crianças, incentivando valores como a ética, coragem e humildade.

A metodologia utilizada pela pesquisa envolveu a observação de grupos de meninos e entrevistas com seus pais e mães, em separado. Além disso, com o objetivo de conhecer a narrativa da própria criança sobre o herói, as crianças foram estimuladas a construir uma história sobre o encontro com seu "super-homem". Cada grupo recebeu uma cartolina com quadrinhos em branco, como numa revista em quadrinhos, e foi convidado a desenvolver o enredo do encontro por meio de desenhos com giz de cera e canetinhas.

Conforme observação da especialista sobre os resultados, os heróis estimulam nas crianças virtudes como a coragem de enfrentar desafios, vencer os medos, proteger os mais fracos, defender ideais e combater o inaceitável. Nesse cenário, eles representam os atributos que os humanos mais admiram em si próprios. "Mais do que ídolos, são modelos a serem respeitados e imitados. No entanto, não são desprovidos de medo e, justamente por isso, são fonte de coragem", diz Aratangy.

Ainda segundo o estudo, apesar do apego à TV e aos videogames, as brincadeiras com bonecos ainda ocupam lugar de destaque entre as atividades infantis. Elas continuam funcionando como ensaio para a vida adulta, pois é por meio das mesmas que a criança aprende a seguir regras, a colaborar com os parceiros, a ganhar sem arrogância e perder sem se sentir humilhada. Para Aratangy, como num laboratório teatral, os pequenos colocam-se em diferentes situações e papéis. Ali, eles devem obedecer aos iguais - são as regras do jogo e não as ordens dos adultos que norteiam a brincadeira.

Outra conclusão importante da pesquisa é que, por meio da imaginação, a criança pode reparar suas próprias faltas e compensar as injustiças da realidade. "Na fantasia tudo é permitido, não há limites e o fim não precisa ser resultado de um processo. A fantasia passa a vida a limpo, coloca a justiça onde havia opressão, dá força a quem é fraco. Ali, o solitário tem turma, o tímido é popular, o franzino é líder", ressalta a psicóloga.

Visão dos pais - O estudo analisou também a visão dos pais sobre o imaginário de seus filhos e trouxe dados sobre a importância das brincadeiras com bonecos representando heróis no contexto da família moderna, que tem pouco tempo e falta espaços adequados para diversão ao ar livre. Além de aproximá-los dos filhos, as atividades também são vistas como instrumento de educação, que ensinam a respeitar limites e, de certa forma, trazem de volta a alegria da infância.

Para os pais, mesmo mostrando-se confusos diante dos novos elementos pautados por seus filhos - personagens mais sofisticados - brinquedos como bonecos de aventura continuam a ter grande popularidade. Dados da pesquisa revelam que, na opinião dos pais e mães, as figuras de ação também cumprem o papel importante de estimular a fantasia e amenizar a solidão das crianças, além de favorecer a interação entre amigos, numa fase em que os pequenos são especialmente tímidos e têm dificuldade de fazer contatos. "Fontes de compensação de tristezas ou raivas vividas pela criança, os bonecos e figuras de ação muitas vezes se tornam o melhor amigo ou o objeto de segurança que se transforma num verdadeiro amuleto contra a solidão", comenta Aratangy.

Heróis x vilões - Durante o estudo, as narrativas das crianças seguiram, de forma espontânea, o roteiro das sagas dos heróis da mitologia e dos romances, com etapas definidas no processo de mudança do menino em herói. Há um momento de encontro, quando se estabelece a parceria entre o menino e o personagem para enfrentar o vilão. Nesse cenário, acontece então uma luta, pela qual o menino passa por uma transformação em que atinge a estatura do herói e passa a ser seu seguidor e substituto.

Esses relatos revelam heróis poderosos, mas com fragilidades humanas que criam as circunstâncias para a aproximação entre as crianças e eles. "Todos têm um ponto fraco, o que os aproxima das pessoas comuns e favorece o processo de identificação do menino. Se ele, tão poderoso, tem fraquezas e dificuldades como eu, também posso ser tão forte quanto ele", observa Aratangy.

Para a psicóloga, nas tramas inventadas pelas crianças o vilão se apresenta como contraponto e complemento do herói. Em suas histórias, os meninos revelam que não é só o herói que habita as pessoas - o vilão também existe dentro de cada um. "As crianças conhecem seu lado invejoso, ciumento, vaidoso, sabem da capacidade destrutiva de cada um. Sem isso, o herói não seria necessário, não haveria quem combater nem contra quem defender o mundo", completa.

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