A polêmica da coleira para crianças

A polêmica da coleira para crianças

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 11:06

Um acessório tem causado polêmica entre mães e psicólogos da infância no Brasil. A chamada " coleira infantil ", uma espécie de mochila extremamente parecida com a guia para cachorros, é usada há muitos anos, principalmente no exterior.   Mas não pense que a repulsa ao acessório é coisa das mães brasileiras. Apesar do uso frequente, em uma breve pesquisa na internet, é possível encontrar depoimentos de mães do mundo inteiro que comparam as crianças "encoleiradas" a "cachorros presos no quintal, tentando desesperadamente caçar esquilos".

Para a psicopedagoga Milene Massucato, os grandes contras dessa medida são as consequências da falta de afeto geradas pelo uso indiscriminado do acessório, mas pondera, garantindo que o uso em locais de grande aglomeração - como aeroportos e exposições -, vez ou outra, não atrapalha em nada o desenvolvimento psicológico de uma criança.

"É muito prático poder contar com esse artigo na infância, poder passear sem ter que se preocupar com os filhos, que estão ali, amarrados. Mas e quando a   adolescência   chegar? Vamos prender os jovenzinhos em seus quartos? Acorrentá-los? É aí que o uso se torna um problema, pois essa criança, muito provavelmente, se tornará um adulto que não respeita   limites , que não aceita frustrações", alerta.

Apesar da sensação de segurança dada aos pais, Milene acredita que os vínculos entre pais e filhos acabam fragilizados, uma vez que o pequeno estará o tempo todo preso e eles não deverão se preocupar se ele obedece ou não.

Há, ainda, a questão do paradoxo na sociedade: por que cachorros são levados no colo (ou, muitas vezes, em carrinhos de bebês) e crianças são conduzidas em guias? "Sem contar o desconforto, a vergonha que seu filho poderá sentir, e os olhares reprovadores por aí", completa.

Comando de voz

Muita mãe torceu o nariz para a "mochilinha". Milene - que também é mãe - conta que, antes de sair de casa, prefere explicar ao seu filho (de dois anos) que ele deverá permanecer perto dela o tempo todo e não desobedecê-la, senão será punido. "Educo meus filhos de forma que minha palavra e meu olhar de reprovação já bastam para conter uma atitude inaceitável", relata ela, que dará luz a uma menina nos próximos dias.

Paula Belmino, pedagoga e mãe de Alice confessa que sua pequena é muito levada, mas nem por isso aprova o uso da coleira que, segundo ela, tornaria a criança "castrada", sem independência.  

"Deixo minha filha livre, mas ao mesmo tempo guardando, segurando pela mão quando vamos à rua, e nada melhor que isto, pois além de estar à minha vista, também temos o contato físico que nos une, nos fortalece o amor."

"Coleira é pra cão, guia, minha filha eu conduzo na voz, no afeto, no que ensino e   dialogo   e no toque de nossas mãos que nos faz sermos juntas em qualquer lugar por onde ela for", conclui Paula, que diz que controla a filha com conversas.  

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