A violência contra a mulher

A violência contra a mulher

Atualizado: Segunda-feira, 10 Outubro de 2011 as 7:34

Nos casos em que a mulher é vítima do próprio marido, os filhos do casal também sofrem com a violência de forma direta ou indireta. No primeiro caso, refere-se à questão do trauma, da sensação de perigo iminente. Na forma indireta, a mãe que sofre violência acaba tendo prejuízo no cuidado com os filhos, conforme relata Júlia Durand, psicóloga e membro do Núcleo de Pesquisa e Intervenção sobre Violência da Universidade de São Paulo (USP).

“A mulher acaba não conseguindo acompanhar o andamento dos filhos na escola. Além disso, um estudo mostrou que mulheres vítimas de violência acabam tendo mais filhos, porque não há como negociar o controle familiar com o marido”, esclarece.

Nos casos de violência sofrida por mulheres grávidas, os problemas afetam tanto a mãe quanto o bebê. Pode ocorrer aborto, hipertensão arterial gestacional, sangramento no primeiro trimestre da gestação e dificuldades no parto.

Segundo a profissional, a criança exposta à violência pode vir a ter problemas na fase adulta. “Não é algo padrão, mas meninas vítimas de agressões voltam a encontrar parceiros violentos na vida adulta. Outras aprendem com a própria mãe a tolerar as agressões, ao dizer para elas que ‘é assim mesmo, mulher precisa aguentar a violência’. É uma diversidade de situações”, aponta Júlia.

Além do tratamento com profissionais especializados como psicólogos, psiquiatras e instituições jurídicas de proteção à criança e ao adolescente, a psicóloga alerta ainda para casos em que medidas judiciais são importantes, a fim de proteger as vítimas de violência, tanto nos casos da mulher, como da criança. “Essas medidas são fundamentais para mostrar que a família não está fazendo com que as regras da lei, do respeito e da integridade sejam desrespeitadas, então, que uma lei se imponha a fim de protegê-los”, explica.

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

 O atendimento funciona 24 horas por dia, de segunda a domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e o atendimento é de âmbito nacional. Na central, todas as mulheres recebem atenção adequada – quando estão vivendo situação de violência –, e sem nenhuma exposição. O sigilo é absoluto e a identificação é opcional. A Central de Atendimento à Mulher é uma parceria da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) com empresas privadas e públicas e com o Disque Denúncia do Rio de Janeiro.

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