Abuso doméstico: como proteger as mulheres desta violência?

Abuso doméstico: como proteger as mulheres desta violência?

Atualizado: Segunda-feira, 21 Novembro de 2011 as 3:57

Ela saía para trabalhar todos os dias. Era o tipo de mulher que além de ser uma boa profissional, cuidava bem da casa, dos filhos e do marido. Depois de um tempo, porém, começou a engordar. Por isso, passou a sentir-se tão mal, que desistiu do emprego.

E, como se não bastasse o ganho de peso, desenvolveu pelos no rosto, costas, coceiras e erupções na pele.

Nem ela nem a família imaginavam as causas desses estranhos sinais em seu corpo. Foi então que pediu ao marido para levá-la ao médico, mas ele disse que ela estava se preocupando sem haver motivos para isso.

Até que a filha do casal viu o pai amassando remédios, e o plano dele de fazer a mulher sentir-se feia e não mais sair de casa foi descoberto.

O homem envolvido no caso, um britânico, admitiu que administrava esteroides na esposa, com a intenção dela sentir-se mal com a própria aparência e, assim, sair do emprego e ficar em casa cuidando da família.

Sensação de impunidade O caso de abuso doméstico acima é apenas um entre os inúmeros que acontecem todos os dias, no Brasil e no mundo. Há ainda, os registros de violência mais graves cometidas por homens, como agressão física e verbal, maus-tratos e até mortes. E as vítimas, por sua vez, afundam-se cada vez mais na angústia, medo e sensação de que nada pode ser feito por elas.

Para você ter uma ideia, uma pesquisa realizada no Morro Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro (RJ), pela Organização Não Governamental (ONG ) Promundo, revela que mais de 35% dos homens entrevistados já praticaram algum tipo de violência contra as suas parceiras. No entanto, destes casos, somente 20% foram denunciados.

Para o coordenador de pesquisa e avaliação da ONG, Márcio Segundo, muitos homens que cometem violência contra a mulher foram testemunhas dos pais cometendo violência contra as mães. Além de que, de acordo com ele, a base é o machismo.

Segundo afirma também que mais de 90% dos homens conhecem a Lei Maria da Penha, que criminaliza a violência doméstica, apesar disso, continuam maltratando suas parceiras.

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