Adotar um filho

Adotar um filho

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 9:01

Vocês nasceram do coração da mamãe e não da barriga". Essa foi a explicação que Ricardo deu aos seus filhos adotivos, Mariana e Pedro Paulo, assim que eles tiveram condições de entender que não eram seus filhos biológicos. Na época, o casal foi aconselhado a não ter filhos devido a um tratamento contra câncer a que a mulher de Ricardo se submeteu.

Depois de dar a notícia ao casal, o médico falou sobre adoção e lhes deu o contato de um Juizado de Menores de Curitiba, que fazia um trabalho voluntário com mães solteiras sem condições de criar seus filhos. Nove meses depois, chegou Mariana, com um mês, e dois anos depois, veio Pedro Paulo, ainda bebê. Tudo isso há algum tempo, quando pouco se falava em adoção... “Num primeiro momento foi difícil tomar a decisão", lembra Ricardo. "Eu queria adotar, mas estava inseguro, com medo que não desse certo”. Mas bastou Mariana chegar que as dúvidas se dissiparam. “Eu peguei minha filha no colo e o medo sumiu na hora. Senti que ela era minha filha e que tomamos a decisão certa", ele conta.

A notícia de que um casal não pode ter filhos assusta principalmente a mulher, que se sente culpada e frustrada por não poder exercer a maternidade, a gravidez e a amamentação. Mas a impossibilidade de gerar um bebê não significa que é impossível ser mãe. Na hora de decidir por adotar uma criança, o papel do pai é muito importante, pois cabe a ele assegurar à mulher que o filho adotado será amado e cuidado da mesma forma como seria se fosse biológico. É esta certeza recíproca que o casal precisa, e que fortalece a decisão de adotar. A psicóloga, especialista em família e casal, Márcia Ferreira, diz ser muito comum num casal que não pode ter filhos o marido acabar cedendo à vontade da mulher de adotar, mesmo sem estar preparado para a decisão.

“Um filho tem de ser pensado a dois" acrescenta. "Quando um pai aceita adotar sem estar pronto, a relação do casal é prejudicada e ele provavelmente será um pai inseguro”. E aí, qualquer probleminha que surgir – porque problemas surgem mesmo, em qualquer família – abre espaço para o “Tá vendo? Eu disse que não era a hora...”. Por isso, também cabe ao pai perceber quando o desejo da mulher de adotar uma criança é real ou apenas uma forma de preencher um vazio que existe dentro dela. E lá vai o pai, mais uma vez, ajudar a mulher a não tomar decisões precipitadas, para que o filho possa ter mãe e pai em pleno exercício e bem seguros de que estão juntos nessa – e só assim o filho vai se sentir aceito na nova família.E quando os pais transmitem para os filhos essa segurança, tudo flui com mais tranquilidade.

Quer um exemplo? Certa vez, Mariana, filha de Ricardo, com apenas 7 anos de idade, quando estava na escola e participava de uma aula onde o tema era adoção, sem pestanejar levantou sua mão e disse, pra classe toda ouvir: “Eu sou adotada!”, com a maior naturalidade. De fato, para ela, isso era mesmo natural. E não há nenhum motivo pra ser diferente...Hoje Mariana e Pedro Paulo estão criados - ela com 20 anos e ele com 18. Os pais se separaram, mas, segundo Ricardo, a família nunca vai deixar de ser unida. Para ele, “pais que não podem ter filhos e não optam pela adoção estão perdendo uma grande felicidade. Meus filhos são a melhor coisa do mundo”.

CONSULTORIA: MÁRCIA FERREIRA, FILHA DE MARY INÊS E ADEL, PSICÓLOGA ESPECIALISTA EM FAMÍLIA E CASAL. TEL.: (11) 5182-3203. WWW.VIDAPSICOLOGIA.COM.BR

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