Agenda dos filhos pede equilíbrio

Agenda dos filhos pede equilíbrio

Atualizado: Segunda-feira, 10 Outubro de 2011 as 8:17

A globalização, a facilidade de acesso às novas mídias e a crescente competitividade, características de nossa época, fazem com que muitos pais queiram dar o melhor em termos de instrução a seus filhos. Mas alguns sobrecarregam as crianças de atividades escolares e extracurriculares, não deixando tempo para descanso e lazer, muito importantes para o aprendizado social.

A psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), diz que muitos pais saturam os filhos com essas atividades porque projetam neles suas frustrações infantis. O “quero lhe dar tudo que não tive” pode parecer algo bom, com ótimas intenções, mas cobra um alto preço, um desgaste muitas vezes desnecessário, segundo a especialista.

Quézia também esclarece que o excesso de compromissos pode ser resultado da falta de tempo dos pais para se dedicar aos filhos como gostariam ou deveriam. “Desta forma, uma agenda lotada dá aos pais a ilusão de controle e proteção da ausência de suas figuras na rotina de seus filhos, e que estes não ficarão expostos aos ‘perigos’ da ociosidade.”

Muitos especialistas alertam sobre as consequências psicológicas do excesso de atividades: ansiedade, estresse, agressividade, desânimo, irritação, distúrbios alimentares, falta de concentração, distúrbios do sono e baixo desempenho escolar, entre outros.

A psicopedagoga reforça que as atividades extraescolares são importantes, pois reforçam a aprendizagem e suprem eventuais deficiências do ensino. “O problema não está em ter ou não atividades extracurriculares”, esclarece Quézia, salientando que o importante é o verdadeiro motivo de as crianças estarem nesses cursos. “O objetivo é potencializar talentos? Proporcionar atividades lúdicas à criança? Deixar mais tempo livre para os pais? Aplacar a culpa pela ausência destes na educação de seus filhos? Ou promover o desenvolvimento desta criança oferecendo-lhe um mundo de estímulos diferentes dos que recebe no ambiente escolar, para que possa ampliar a sua imagem sociocultural?”

O período de lazer e de descanso são tão importantes quanto o estudo e as demais atividades. A educadora lembra que qualquer lugar serve para aprender: “Experiências adquiridas por meio do convívio com os companheiros são fundamentais para o desenvolvimento da criança e do adolescente.”

As atividades além da escola têm um lado positivo: a criança passa a ter uma ideia do que é administrar o tempo e aprende a estabelecer prioridades, assim como aumenta sua noção de responsabilidade. “No entanto, os pais devem respeitar o limite dos filhos, caso contrário, a atividade pode virar um verdadeiro tormento para a criança”, avisa Quézia.

As atividades não são desaconselháveis, mas requerem um equilíbrio em relação ao ócio, numa medida saudável. Para as crianças mais novas, por exemplo, são indispensáveis alguns momentos sem nada marcado na agenda, pois de vez em quando elas precisam de tempo para que façam suas próprias descobertas longe da intencionalidade do adulto, esclarece a presidente da ABPp. A qualidade da informação não pode se perder em meio à turbulência da quantidade.

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