Ajude seu filho a lidar com o bullying

Ajude seu filho a lidar com o bullying

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 9:16

Quem nunca foi alvo de um colega metido a valentão na escola? Ou sofreu ao descobrir que o fofoqueiro do grupo revelou um segredo seu a todos? Pior ainda, decepcionou-se com aquele (falso) amigo que virou as costas na primeira oportunidade? Humilhações desse tipo, sejam físicas ou psíquicas, são classificadas como bullying (termo que significa agressão, em inglês) e podem acontecer com qualquer criança, principalmente no ambiente escolar. Para ensinar as crianças a lidar com o problema que foi vivido por seu próprio filho, a inglesa Jenny Alexander escreveu o guia “Valentões, fofoqueiros e falsos amigos – Torne-se à prova de bullying ” (Ed. Rocco, R$ 19), que acaba de ser lançado no Brasil. O livro traz diversos exemplos de situações cotidianas, além de testes e ilustrações, para ajudar o leitor a reconhecer o bullying e a reagir de forma correta. A seguir, a autora conta à CRESCER, entre outras coisas, por que relevar a agressão é melhor do que confrontar o agressor.

CRESCER - Como saber se meu filho é vítima de bullying, já que nem sempre as crianças querem falar sobre o assunto?

Jenny Alexander - Os sinais podem ser físicos, como marcas roxas, cortes ou danos nos pertences dele, como também dores de cabeça, de estômago e insônia. Também podem ser sociais (ele reluta em convidar amigos ou em ir à escola) e psicológicos (ansiedade, raiva e depressão). Na maior parte dos casos, é uma mistura dos três. Mas a única maneira de ter certeza absoluta é ver com os próprios olhos ou ouvir dele mesmo. Pode acontecer com qualquer criança, mas elas costumam ser mais vulneráveis quando estão vivendo algum tipo de estresse em casa.

CRESCER - A criança não deve ignorar a provocação, mas também não pode revidar. O que ela tem de fazer para se defender, então? 

JA - Se a agressão é física ou envolve a ação de um grupo, a criança precisa de ajuda de um adulto. Mas a forma mais comum de bullying acontece por provocação ou xingamento, sendo que o maior trauma é, em geral, psicológico. Por isso mesmo, acredito que a criança tem de aprender a se defender emocionalmente – e o primeiro passo é entender que a culpa não é dela. Quando a criança sabe como relevar a provocação ela não é mais uma vítima que satisfaz, digamos assim. E deixar de ser a vítima é a melhor defesa contra o bullying.

CRESCER - Assim sendo, você sugere uma mudança de atitude? Como os pais e a escola podem ajudar nesse processo de auto-conhecimento?

JA - Recomendo duas coisas: a criança tem de conhecer e aceitar sua força e sua fraqueza, o que é o princípio básico da autoestima. Os pais podem ajudá-la ouvindo o que ela tem a dizer e valorizando as coisas que ela gosta. Já a escola deve enfatizar todos os tipos de habilidades – acadêmicas, artísticas, esportivas, sociais. Conhecer e valorizar os nossos pontos fortes nos ajuda a não ligar muito para os defeitos, afinal ninguém é perfeito. Assim, aprendemos a ter uma atitude positiva em relação às nossas fraquezas: “Eu uso óculos... e daí?” Isso é um antídoto contra o bullying.

CRESCER - Quem presencia uma situação de bullying e não faz nada também está errado?

JA - Quando a agressão é física, não há dúvida de que os adultos devem interferir. Mas se a situação for verbal, é preciso uma intervenção diferente, menos punitiva e mais educacional. Por isso, pais e professores devem descobrir exatamente o que está acontecendo antes de agir.      

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