Alimentação diferente para mulheres

Alimentação diferente para mulheres

Atualizado: Terça-feira, 4 Março de 2008 as 12

Homens e mulheres, apesar de não terem o hábito em função da cultura alimentar do mundo ocidental, precisam se alimentar de forma diferente, mas com um objetivo comum: agir preventivamente contra as doenças gerais e específicas de cada gênero. Em função de patologias que acometem mais as mulheres e vice-versa, alimentos podem contribuir ou não com essa prevenção.

De acordo com a nutricionista do Hospital e Maternidade São Camilo Ipiranga, Camila Zago, a alimentação em geral deve ser equilibrada, tanto qualitativamente quanto quantitativamente, de forma individualizada. Para isso, vários fatores devem ser considerados na hora da elaboração do cardápio: peso, altura, sexo, idade, compleição óssea, atividade física e intelectual, fator estresse, patologias de base, hábitos alimentares e riscos nutricionais. "Os alimentos contidos nas refeições do dia-a-dia têm a mesma propriedade para todas as pessoas, no entanto, os benefícios reais de cada alimento dependerão das necessidades nutricionais de cada um, bem como dos hábitos de vida", explica Camila.

Para a mulher, o direcionamento da alimentação deve ser principalmente preventivo contra doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e as dificuldades da menopausa. Para evitar doenças cardiovasculares e câncer, é necessário evitar consumir alimentos com excesso de gordura saturada como, por exemplo, frituras, carnes gordas, produtos industrializados e sorvete. "As mulheres devem dar preferência para uma alimentação mais natural possível", comenta.

Menopausa altera o metabolismo e alimentação deve ser especial - Devido a baixa nos níveis de estrógeno, que ocorre no período do climatério (que antecede o fim da menstruação), a mulher é afetada principalmente em sua pele e suas curvas. Há uma diminuição do colágeno que provoca a perda da elasticidade da pele e dos vasos sangüíneos, assim como a massa muscular diminuir e aumenta a concentração de gordura corporal, principalmente na região abdominal.

À medida que a produção de estrógeno cai, as taxas de colesterol e triglicérides no sangue tendem a aumentar, a absorção do cálcio pelos ossos fica prejudicada e, deste modo, aparecem os riscos para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares e osteoporose. Tudo isso deve ser compensado com a alimentação.

Se estiver nessa fase, a mulher deve redobrar os cuidados com o cardápio, sempre com planejamento: controle do consumo de alimentos gordurosos, sal e açúcar; ingestão diária de, no mínimo, cinco porções de hortaliças e grãos. As refeições devem conter apenas 1/3 de carne magra e 2/3 de cereais integrais, hortaliças e grãos. A linhaça contém lignanas, um tipo de fitoestrógeno, utilizado como alternativa para a Terapia de Reposição Hormonal (TRH). Além disso, a mulher deve aumentar o consumo de alimentos fontes de cálcio (leite e iogurtes desnatados, queijos brancos e magros, soja e derivados). Incluir o leite de soja é uma ótima opção: três a quatro copos por dia.

Como o ferro prejudica a absorção de cálcio, o ideal é não misturar alimentos fontes de cálcio (leite, queijos e iogurtes) e de ferro (carnes). "Tome, ao longo do dia, muita água e chás de folhas verdes (cidreira, melissa, hortelã, ban-cha etc.) e consuma soja e derivados. Uma dieta que inclui 25 gramas de soja por dia contribui para a diminuição dos riscos de doenças do coração", afirma Camila.

Como as mulheres têm mais tendência a anemia, por conta da perda de sangue mensal na menstruação, precisam ficar atentas às fontes de ferro e ácido fólico. Derivados do leite, carnes e vegetais verdes escuros são imprescindíveis. É recomendado também o consumo diário de fibras, importantes para evitar a constipação intestinal, mais comum no gênero feminino. Devem fugir das comidas ricas em sódio como embutidos e salgadinhos industrializados, principalmente para prevenir a hipertensão. "É necessário pensar que alguns alimentos possuem propriedades nutricionais não tão importantes e podem agregar as famosas "calorias vazias": são mais calóricos do que nutricionalmente completos", comenta.

Além dos cuidados com os hábitos alimentares, a mulher deve para de fumar, evitar bebidas alcoólicas, praticar exercícios físicos regularmente e realizar exames médicos periódicos para o controle da glicemia, pressão arterial, níveis de colesterol e triglicérides. No mais, não tomar nenhum medicamento ou suplemento nutricional por conta própria são fundamentais. "Faça acompanhamento médico e nutricional", indica.

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