Amamentar é um ato ecológico

Amamentar é um ato ecológico

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 10:30

Que o aleitamento materno é importante, você já sabe. Mas você já se deu conta de que, ao amamentar , também evita o desperdício de recursos naturais e, com isso, protege o meio ambiente? Em um estudo sobre o impacto ambiental da alimentação por mamadeira, Andrew Radford, coordenador da ONG inglesa Baby Milk Action, voltada para o combate à alimentação inadequada de crianças, justifica essa relação. “O leite materno é um dos poucos alimentos produzidos e liberados para consumo sem nenhuma poluição, embalagem desnecessária ou desperdício, já que ele é produzido de acordo com a necessidade do bebê”, explica.

Ou seja, além dos benefícios para a saúde da mãe e do bebê, a questão ecológica é mais um incentivo para que você amamente o seu filho o máximo de tempo possível. Amamentar reduz o impacto do lixo gerado pelo descarte de embalagens de leite em pó ou de mamadeiras. Ainda no estudo, Radford explica toda a rede de recursos gastos nesse processo. “Mamadeiras, bicos e demais acessórios são feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, geralmente reutilizáveis, mas raramente reciclados ao final de sua vida útil. Todos estes produtos desperdiçam recursos naturais (estanho, papel, vidro), causam poluição desnecessária na sua produção e empacotamento e proporcionam o lixo”, diz.

Segundo Radford, os plásticos representam uma preocupação importante, pois a maioria deriva do petróleo. São raramente reciclados pela ausência de equipamentos adequados e pela dificuldade em separar os diversos tipos. “Os plásticos permanecem como poluentes quando descartados, pois a fumaça resultante de sua incineração pode conter dioxinas e outros elementos tóxicos à atmosfera”. Outra questão preocupante para os ambientalistas é o processo da industrialização do leite. Antes de ser embalado, ele é aquecido e, nessa etapa, o gasto de energia é muito alto.

Thais Saito, blogueira de CRESCER, tem três filhos (Melissa, 4 anos, João, 3, e José, 9 meses) e amamenta desde que a mais velha nasceu. “Meus filhos tomaram pouquíssimo leite, seja de vaca, de soja, de cabra ou de búfala, e são lindos e saudáveis”. Ela concorda que a amamentação é uma atitude ecológica muito importante, pela sua economia e praticidade.

De acordo com a pediatra Lélia Cardamone Gouvêa, da Unifesp, é importante que a criança se alimente exclusivamente de leite materno até os 6 meses. “Depois dessa idade, a mãe deve continuar amamentando, mas o leite não será mais exclusivo porque o bebê já pode ingerir alguns alimentos. Mas, se for possível, a criança ainda deve ser amamentada até os 2 anos”, afirma.

  Benefícios do leite materno -É o alimento mais completo e equilibrado, pois atende a todas as necessidades de nutrientes e sais minerais da criança até os 6 meses de idade. Além disso, é rico em substâncias que tornam o bebê mais resistente a infecções por vírus e bactérias;

-Provoca menos cólicas nos bebês, já que é mais bem absorvido e tolerado pelo organismo da criança;

-Tem ferro, evitando que o bebê tenha anemia;

-Favorece a boa formação do sistema nervoso e estimula a inteligência da criança;

-Quanto mais tempo o bebê se alimenta de leite materno, menor será o risco de desenvolver alergias alimentares, asma, rinite ou eczema de pele;

-Ajuda no desprendimento da placenta, contribuindo para a volta do útero ao tamanho normal. Com isso, também evita o sangramento excessivo e, conseqüentemente, que a mãe sofra de anemia;

-Protege contra o câncer de mama e de ovário;

-O ato de amamentar cria um forte vínculo entre a mãe e o seu filho. Essa ligação favorece o desenvolvimento de crianças mais tranqüilas, com maior auto-estima e mais ajustadas socialmente;

-A amamentação dá às mães as sensações de bem-estar, de realização, e também ajuda a emagrecer, pois consome 500 calorias por dia (mas dá uma fome...);

-É de graça, natural, prático, e não desperdiça recursos naturais;

-Está sempre pronto para ser transportado e ingerido (não precisa nem aquecer).

Fontes: Lélia Cardamone Gouvêa, pediatra da Unifesp, e Alessandro Danesi, pediatra do Hospital Sírio-Libanês  

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