Amor de mãe adotiva é especial

Amor de mãe adotiva é especial

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 11:48

Adotar uma criança é o desejo de muitas mulheres e os motivos que levam à esta decisão são os mais variados. Existem aquelas que não podem ter filhos e adotam um pequeno para viver a experiência de ser mãe. Há outras que estão em idade de risco para engravidar e também aquelas que já possuem filhos, mas sempre tiveram o desejo de ter um menino ou uma menina. Este é o caso de Valdirene Santos,  40 anos.

Há 14 anos, ela decidiu com o marido que queria adotar uma menina, depois de dar à luz a três homens. Após fazer a inscrição para adoção no Fórum de Lauro de Freitas e não obter resultado, procurou uma amiga que trabalhava no Conselho Tutelar, explicou a situação e em poucos dias apareceu na sua casa Aline Barros, na época com apenas um ano e meio de idade. “Eu e meu marido preferimos não escolher a criança. Conhecemos Aline no dia em que ela chegou ao lado de um membro do conselho, que veio conferir a casa e a família”.

Com o passar do tempo, Valdirene percebeu que a filha era especial, possuía algumas dificuldades e precisava de acompanhamento com fonoaudióloga, neurologista e alguns estímulos de fisioterapia. “Não tenho um diagnóstico dela. O que sei é apenas que a mãe biológica teve rubéola na gravidez, por isso, ela nasceu com algumas sequelas. Porém os médicos nunca deram um parecer”. Aline chegou a ser adotada antes de chegar à família de Valdirene, mas foi abandonada pelos antigos pais, moradores de Conceição do Jacuípe, que não tinham condição de bancar os tratamentos.   A mãe adotiva explica que a menina é como uma filha, não existe diferença entre ela e os irmãos. “Nunca escondi o fato dela ter sido adotada. Digo que a mãe biológica gostava dela, mas achou melhor deixá-la com outras pessoas, porque não tinha condições de cuidar”. Valdirene fala que a menina é muito carinhosa e tem um apego grande ao pai.  O que deixa a mãe atormentada é o fato de até hoje não possuir a guarda da garota. “O juizado de menores nunca resolveu nossa situação. Perdemos vários processos no fórum. Eles pedem documentação que não temos e não esclarecem o que devemos fazer, apenas dizem que o processo é lento. Falam que adotar é a coisa mais fácil do mundo, eu digo que não”.

Atualmente Aline está com 14 anos e continua fazendo tratamentos diários.  No próximo ano, a pré-adolescente entrará no ginásio, o que preocupa a mãe. “Tenho dificuldades com a convivência de Aline com os colegas. Ela é muito rejeitada, já passei por situações difíceis”. Valdirene confessa que já mudou a menina de escola muitas vezes e, no ano que vem, mudará novamente. Ela espera que a situação melhore. Para isso já conversou com coordenadores e professores, coisa que procura fazer com frequência para saber como anda o rendimento da criança.

“Aline é muito carinhosa. Fico triste por vivenciar estas situações de rejeição. Ela não vai para casa de coleguinhas, nem eles vêm para cá. Os amigos dela são os primos. A família, neste momento, é muito importante”. Quando questionada sobre o significado em ser mãe, ela responde: “Às vezes, é difícil mas suportamos tudo. Aprendi muita coisa com meus filhos e continuo aprendendo”.

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