Amor e paternidade #1

Amor e paternidade #1

Atualizado: Quinta-feira, 17 Janeiro de 2013 as 8:32

 

 

 

Há um pensamento moderno que diz que nós, pais, devemos ser amigos de nossos filhos. Está ideia tem levado muitas famílias, cristãs ou não, a entender que o alvo de sua paternidade está em conquistar a amizade de seu filho como forma de alcançar bons resultados na educação da criança.
 
Nossos filhos não precisam de um amigo ou uma amiga. Isso eles já têm na igreja, na escola e em outros lugares. O que eles realmente precisam é de pai e mãe. Trocar nosso papel de pais por uma amizade tem trazido confusão, não somente para as crianças, mas também para os pais, minando nossa principal estrutura social e emocional: a família.
 
Ao fazermos isso, estamos deixando de lado todo preceito de autoridade e nos tornando par com aqueles que deveriam ver em nós um modelo de maturidade.
 
De fato é bom conquistarmos a confiança e sermos bons amigos de nossos filhos, mas não durante o período em que ele está sendo treinado e ensinado. Não quando está sendo educado para que se torne um jovem adulto responsável por seus atos, que sabe o que é exercer autocontrole, que ama a retidão e livremente escolhe caminhos de santidade. A partir daí, sim, será um bom momento para você ser o melhor amigo de seu filho.
 
Até lá, nosso papel é formar neles um caráter capaz de refletir a glória do Senhor.
 
Como esta tarefa não é fácil, chamamos esta etapa de “trabalho nosso de cada dia”.
 
Sim, “feliz é o homem que enche deles sua aljava” e, se você abstrair os pensamentos modernos (muitos deles mundanos), verá que esta felicidade não está relacionada ao gostoso sorriso de um bebê ou àquela gargalhada espontânea e contagiante de seu menino, ou mesmo ao momento em que nossa filha nos surpreende dizendo coisas que ficamos espantados. Não! Esta alegria está intrinsecamente relacionada ao desafio diário de trabalhar com nosso “parceiro de ombro” (marido e esposa) para construirmos nossa própria identidade familiar, enraizada em valores bíblicos, dia a dia nesta jornada de aprendizado e ensino.
 
Pense um pouco nesta frase: “Um verdadeiro lar só existe, quando se busca o amor do Senhor”. Mas não são só pessoas que formam este lar, pois toda sabedoria e afeição que elas recebem, que constituem o lar, são doadas pelo Senhor, assim como também a vontade sincera dos parceiros de ombro em esforço para que um lar exista. O Senhor dá esse desejo e Ele mesmo o realiza e edifica em nós.
 
Como então queremos “ser amigos” de nossos filhos e retirar deles um dos mais importantes preceitos da educação: o valor de autoridade, lealdade e o ensino de que estão ligados a alguma coisa maior que eles mesmos, a família? Como poderemos ensinar submissão a Deus e à Sua Palavra e Vontade, imprimir fé ao coração de nossos pequenos, se estamos nos colocando em pé de igualdade com eles? Afinal, como eles e nós fazemos sempre que um amigo nos coloca pressão demasiada? Basta ignorá-lo por um tempo, deixar a pressão de lado para fazer o que entendemos ser melhor e logo aquele amigo volta arrependido e sofrendo pela perda.
 
Buscar agradar nossos filhos na ânsia da nossa aceitação por parte deles não é efetivamente ensiná-los no caminho do Senhor.
 
O princípio da semeadura é bastante claro na Bíblia. E o que há de se colher, quando não plantamos e cultivamos verdadeiros Pai e Mãe no coração e alma de nossos filhos? Quando acreditamos que a “felicidade” da criança deve sobrepujar nosso papel de pai e mãe, deixando a cargo da própria criança a decisão de como e com o que se dará esta felicidade, estamos não somente descaracterizando o princípio, mas tornando a bênção maior que o abençoador e invertendo os papéis.
 
Entenda que isso tudo não tem nada a ver com afeto, carinho, atenção e/ou demonstrações de seu amor para com sua pequena ou já grandinha criança. Brincar, correr, rir, passear, viajar, nadar, pular, abraçar, beijar e tudo mais que podemos fazer e fazemos com nossos amados filhos são importantes partes do processo de treinamento e educação que realizamos com eles e até mesmo estes momentos devem ser utilizados para ensinar e inculcar valores nos corações de nossos pequenos.
 
Como bons pais, devemos saber bem os valores e significados relacionados direta ou indiretamente às palavras SIM e NÃO, fazendo seu uso correto e apropriado.
 
Estabelecer, definir limites e fazer com que eles sejam cumpridos é uma das nossas mais importantes missões na viagem pela paternidade.
 
Pense em nossa relação com Deus (que também é de paternidade): Será que Ele nos deixa assim tão relapsos e folgados como muitos pais têm feito com suas crianças?
 
 
Marcelo Amaral
http://www.batistadopovo.org.br

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