Amor não precisa rimar com dor

Amor não precisa rimar com dor

Atualizado: Quarta-feira, 14 Maio de 2008 as 12

Amor não precisa rimar com dor

Muitas mulheres não sabem, mas passam por um problema sério quando se relacionam. São os namoros conflituosos e cheios de dor e tristeza. Em vez de uma relação de troca, companheirismo e afinidade, elas vivem um amor patológico.

Apesar de também ocorrerem com homens, o problema é mais diagnosticado nas mulheres. De acordo com o psicólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Thiago de Almeida, o fenômeno da "co-dependência" ou também conhecido como "Síndrome das mulheres que amam demais" é uma incapacidade que algumas pessoas têm para estabelecerem relacionamentos amorosos saudáveis, com uma tendência constante para se apaixonarem por indivíduos muito problemáticos e ficarem presas emotivamente a elas.

Há diversas características que indicam que uma pessoa sofra desse mal. Algumas delas são ciúmes excessivos, o desejo de querer controlar tudo o que o outro faz e o "comportamento repetitivo e sem controle de prestar cuidados e atenção excessivos ao parceiro, com a intenção de receber o seu afeto e evitar sentimentos pessoais de angústia e de menos-valia".

"Para a caracterização do amor patológico é importante, também, que essa atitude seja mantida pelo portador, mesmo após concretas e reiteradas evidências de que está sendo prejudicial para a sua vida e/ou para a vida de seus familiares. Sinais e sintomas de abstinência, ou seja, quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou perante ameaça de abandono, podem ocorrer: insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando-se períodos de letargia e intensa atividade", explica.

O especialista aconselha ajuda psicológica para superar o problema e diz que é natural que, nestes casos, a pessoa sinta um enorme vazio e imensas mudanças emocionais quando tenta se comportar de forma diferente com o companheiro ou quando o relacionamento requer uma separação. "Há quem se mantenha na co-dependência a vida toda para não ter de passar pelo angustiante processo de separação. A pessoa acredita que não suporta viver sem essa pessoa e prefere manter-se infeliz e insatisfeita enquanto perdurar a relação", lamenta.

Procura pela "sofrimento"

O especialista alerta que as pessoas que sofrem de amor patológico, mesmo que não conscientemente, sabem que padecem e que continuará sofrendo. É difícil de acreditar, mas elas acreditam que precisam dessa instabilidade para viver.

"Atribuem a atitude ao amor que sentem pela outra pessoa e não à dependência que, entretanto criaram. Um envolvimento com um parceiro que não seja problemático torna-se para esses parceiros insípido, aborrecedor ou mesmo monótono, devido ao fato de não contemplar o componente ´dramatismo`, que acreditam ser essencial ao bom funcionamento do mesmo. Contudo, amor não precisa necessariamente rimar com dor", ressalta.

O que é normal?

Há fatos que devem ser levados em consideração. Sofrer por um amor não correspondido, de uma forma geral, faz parte das frustrações humanas e não devem se enquadrar no transtorno de amor patológico. Além disso, muitas pessoas com baixa auto-estima também não se enquadram na síndrome.

Amor e paixão

Apesar de serem constantemente usadas como sinônima, as palavras amor e paixão têm significados diferentes. Inclusive, segundo o professor Thiago, a doença referida nesta matéria seria mais adequada se fosse chamada de "paixão patológica".

"Utilizamos amor para algo que cause uma ascese para o ser humano e não um prejuízo em qualquer instância", ressalta.

Ser feliz

"Para viver um relacionamento satisfatório para ambas as partes, deveríamos nos lembrar de que o amor em uma relação precisa de dois parceiros com grande afinidade, com graus semelhantes de maturidade emocional e dispostos a ceder e a dar, de ambas as partes. Em outras palavras, o amor é não é uma questão de força e de controle emocional e sim de escolha e livre arbítrio de ambas as partes", finaliza o psicólogo.

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