Andropausa

Andropausa

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 4:46

Seu namorado anda mais irritado que de costume? Tem um amigo que sente ondas de calor absurdas? Seu marido perde a paciência com frequência e se queixa de falta de disposição no dia a dia? Interprete os sinais: se seu par tiver mais de 50 anos, ele pode estar no caminho da andropausa, uma espécie de versão masculina da tão temida menopausa.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (www.sbu.org.br), todos os homens, a partir dos 40 anos, sofrem uma redução gradativa de 1% ao ano na produção da testosterona, o hormônio sexual masculino. Produzida nos testículos, a testosterona é responsável pelas características que identificam o homem, como voz, barba, pelos, musculatura e pomo de adão.

A andropausa é resultado de uma redução drástica na produção do hormônio, geralmente a partir dos 50 anos. Os efeitos mais comuns são disfunção erétil e a diminuição do desejo sexual (libido), falta de atenção e concentração, perda da memória, desânimo, insônia, irritabilidade, mau humor e, em alguns casos, depressão.

No entanto, ao contrário da menopausa, que inevitavelmente afetará todas as mulheres por conta da falência dos ovários e o fim do ciclo reprodutivo, a versão masculina do problema não afeta todos os homens. Apenas 20% sofrem com este mal, enquanto o restante continua produzindo espermatozóides ao longo de toda a vida. A afirmação é do chefe do Ambulatório de Andrologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), no Rio de Janeiro, João Schiavini. "Isso ocorre porque há reservas funcionais nos testículos que permitirão suportar essa redução", explica.

Nomeclatura correta

Para ele, os termos Andropausa ou Climatério Masculino são clinicamente inadequados, por isso prefere se referir ao problema como Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou Síndrome de Deficiência da Testosterona (SDT). "Nas mulheres, a testosterona é produzida pelas glândulas suprarrenais, que não falham com a idade. Por isso é comum escutarmos que elas passam a ter maior intensidade de desejo sexual após a menopausa. Essas pacientes têm relativamente mais testosterona do que estrogênio e progesterona, que são os hormônios femininos", analisa Schiavini.

Veja abaixo quais são os principais sintomas da andropausa e os tratamentos

Por maior que seja a queda da testosterona no homem, ela não se compara à queda dos hormônios femininos na menopausa. "No homem, os sintomas se instalam lenta e progressivamente", diz o médico, acrescentando que o distúrbio é diagnosticado, quase sempre, quando o paciente procura um especialista para reclamar de dificuldade de ereção ou ejaculação precoce. "Depois de examiná-lo para afastar outras causas, solicitamos as dosagens de testosterona e ainda dos hormônios luteinizante, folículo estimulante e prolactina. Costumamos dosar também os tireoidianos, já que a sua alteração causa sintomas semelhantes".

Chefe do Grupo de Medicina Sexual e médico da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), José Cury inclui ainda outros sintomas à extensa lista de reclamações dos pacientes com DAEM: "Ele pode sofrer uma diminuição de sua atividade intelectual e de massa muscular, além da queda de cabelos, acúmulo de gordura visceral e enfraquecimento dos ossos, o que pode resultar em osteoporose e facilidade para quedas e fraturas". Isso acontece, continua ele, porque a testosterona, além do hormônio da libido, é considerado o "anabolizante natural" dos homens, nos quais está presente em concentrações sanguíneas dez vezes maiores do que nas mulheres.

Diagnóstico

O especialista conta que não há como prever se o homem enfrentará este estado fisiológico. "Não há motivos aparentes ou pré-disposição do paciente para o desenvolvimento do problema, nem mesmo tratamentos preventivos. Para um diagnóstico preciso é importante levar em conta o histórico do paciente, com atenção especial para seus hábitos. Antes de se iniciar qualquer tratamento é imprescindível que sejam afastados diagnósticos de câncer de próstata e mama, policitemia (aumento do volume sanguíneo causando dificuldade de fluxo), apneia do sono, insuficiência cardíaca e aumento benigno da próstata", enumera.

Uma vez diagnosticado o DAEM, a única alternativa para amenizar seus efeitos é a reposição hormonal com testosterona. "No Brasil, o mais utilizado é a reposição hormonal com testosterona aplicável de curta duração, mas esta opção, embora mais barata, pode apresentar efeitos colaterais adversos como apneia do sono e a poliglobulia, que torna o sangue espesso. A testosterona injetável de longa duração, embora mais onerosa, permite níveis mais estáveis e causa menos picos suprafisiológicos, prevenindo os indesejáveis efeitos colaterais", explica Schiavini.

Uma terceira forma de tratamento se dá através de comprimidos de testosterona, que, além de caro, envolve a ingestão de uma grande quantidade de cápsulas diariamente. De acordo com o médico, a necessidade de uma intensa administração do hormônio o torna menos indicado. "O resultado é o resgate do homem à normalidade e a garantia de manutenção da sua qualidade e vida", conclui.

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