Aposentadoria - mulheres cada vez mais preocupadas com o futuro

Aposentadoria - mulheres cada vez mais preocupadas com o futuro

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 9:20

Culturalmente, assuntos financeiros sempre nortearam o universo masculino, uma vez que eles eram os   chefes de família   e cuidavam das contas da casa. Porém, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, muita coisa mudou.   Elas passaram a abrir os jornais e a se interar do assunto, buscando formas interessantes de garantir seu sustento no futuro e, consequentemente, sua   independência .

Uma pesquisa encabeçada pela seguradora MetLine no final do ano passado comprova essa mudança. Quase dois terços das mulheres entre 45 e 70 anos temem nunca conseguirem dinheiro suficiente para se aposentar . E mais: apesar de 90% das entrevistadas afirmarem estar confiantes no que diz respeito à administração das finanças pessoais, 62% delas receiam nunca ter dinheiro suficiente para parar de trabalhar. As participantes da pesquisa ganhavam pelo menos US$ 75 mil por ano ou possuíam renda familiar de pelo menos US$ 100 mil por ano.

O Banco de Investimentos Geração Futuro também detectou uma mudança no comportamento das mulheres brasileiras. "De 2006 para cá, houve um aumento do público feminino em nossas palestras. E isso se tornou mais evidente quando passamos a fazer encontros exclusivos para mulheres", conta Paula Castro Pereira, consultora de investimentos da Geração Futuro.

"Temos desde jovens a mulheres de 50, 60 anos em nossos encontros, que querem entender os conceitos, como proceder e definir os melhores investimentos. E como elas se sentiam constrangidas na hora de fazer perguntas no meio dos homens, que culturalmente se interessam mais pelo assunto, o jeito foi criar um momento só para elas", completa.

Paula diz que é muito bom as mulheres mais jovens se interessarem cada vez mais, já que quanto mais cedo elas começarem a   poupar , mais retorno terão. "O tempo favorece quem quer poupar dinheiro. Hoje os pais procuram fundos de investimentos até para os filhos recém-nascidos", conta Patrícia.

Até pouco tempo, era comum as mulheres deixarem suas finanças pessoais nas mãos de um homem, seja marido ou irmão. Mas hoje a preocupação delas em tomar as rédeas e se interar do assunto é bem maior. "A maioria delas começa com a poupança, mas quando percebem que não rende muito, partem para planos de previdência, fundos de renda fixa ou de ações, apesar de o risco ser maior".

A consultora explica que hoje há mulheres que arriscam e partem direto para o fundo de ações. "Desde 1994, nós tínhamos uma economia pouquíssimo equilibrada. Não havia ações e os planos de renda fixa eram mais comuns. Mas de lá para cá, com a chegada do Real, tivemos uma estabilidade econômica e os fundos de ações passaram a ser mais procurados, principalmente a partir de 2007", diz Paula. "Porém, os números ainda são baixos. Aqui no Brasil apenas 10% dos investimentos são em ações. Nos Estados Unidos esta média é de 40%".

Paula acredita que esta mudança de comportamento da mulher se deve ao desejo de alcançar a independência financeira. "Elas querem poupar recursos para o futuro. Há casos de mulheres que deixaram as contas a cargo do marido e quando veio o divórcio, ficaram quase sem nada. E elas não querem mais passar por isso", afirma.   Apesar do estereótipo de consumistas, as mulheres tem se preocupado cada vez mais com o futuro. "Elas fazem planilhas, gastam menos com outras coisas. Elas estão no caminho certo", finaliza.    

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