Aproveite os momentos favoráveis

Aproveite os momentos favoráveis

Atualizado: Terça-feira, 14 Julho de 2009 as 12

Seu filho gosta de futebol? Adora uma bola? Tem no sangue o esporte bretão mais brasileiro do mundo? Aproveite essa paixão para ensinar-lhe lições de Educação Financeira. Ele vai se interessar como ninguém. Será divertido e todos sairão ganhando.

É claro que isso vale também para a sua filha que adora bonecas, o garotão que quer uma guitarra ou a mocinha que gosta de andar na moda.

Aproveite a maré. Quem nada contra a corrente é Mané. E você, claro, não está nessa categoria.

A educação financeira deve ser prazerosa. Não precisa necessariamente de livros, de salas de aula ou de professores experientes. É claro que isso ajuda, e muito. Mas quem não tem cão caça com gato e é melhor aproveitar momentos em que a criança ou o jovem está receptivo. Tudo funciona melhor.

Os melhores educadores financeiros que as crianças podem ter são os próprios pais, quando atentos a essa necessidade e minimamente informados sobre teorias e técnicas hoje disponíveis.

Voltemos a seu filho que gosta de futebol. Talvez ele esteja precisando de uma chuteira ou tênis novo, ou quem sabe ele está querendo uma bola. Ou talvez o time dele tenha sido campeão recentemente ou esteja prestes a ser (Talvez ele seja um feliz Colorado!).  

Veja quantas oportunidades para boas lições de Educação Financeira:

1 – Querer x Precisar

Seu filho quer ou precisa de um tênis novo? Ajude-o a perceber as diferenças entre uma coisa e outra. Depois de satisfeitas as necessidades, aquilo que se precisa, havendo condições financeiras pode-se também atender os desejos, aquilo que se quer. Talvez ele precise de um tênis, mas certamente não precisa de uma bola. Ele apenas deseja uma. Mas isso não é motivo para não comprar. Basta que as diferenças fiquem claras.

2 – Escolha do modelo e marca

Nem todo carro precisa ser uma Ferrari para ser bom. Aliás, para usar no campo ou em ruas de calçamento irregular nem seria a melhor opção. Ajude seu filho a ter consciência sobre as condições financeiras da família. Tênis e chuteiras já se tornaram produtos de moda. Os últimos lançamentos costumam custar mais caros. Mas há várias opções que podem atender perfeitamente as necessidades. Se ele alegar que as novas têm tecnologias indispensáveis, lembre-o que as chuteiras que Pelé, Zico e Falcão usavam não tinham nada disso. E dá para fazer gols tanto com uma chuteira preta mais simples quanto com as coloridas e com marcas famosas reluzentes.

3 – Pesquisa de preços

Talvez essa seja a melhor hora de mostrar-lhe a importância de pesquisar preços. Vale para modelos diferentes ou alternativas de pontos de venda. Vale tudo. Desde pesquisar na Internet ou no jornal até sair por aí batendo pernas. Aproveite para destacar que as lojas de shoppings têm um custo operacional alto para proporcionar comodidade aos clientes e esse custo é repassado a nós, consumidores. Às vezes as boas lojas de ruas oferecem condições bem melhores que das lojas de shoppings. Vale a pena comparar.

4 – Qualidade e ética

Produtos falsificados versus verdadeiros. Comprar em lojas estabelecidas ou camelôs? Exigir Notas Fiscais ou aceitar comprar produtos de sonegadores. Arriscar comprar mercadorias roubadas e indiretamente contribuir com desvios do comércio legal. Essas são questões para você pensar. Qual imagem e estímulo deseja passar para seus filhos.

Vale a pena economizar uns trocados e arriscar a formação ética do seu filho?

5 – Escolhas e renúncias

Toda escolha implica em renúncias. Deixe seu filho fazer algumas escolhas. Se ele quer a bola, deve abrir mão de outro desejo. A chuteira nova é tudo o que ele quer? Você pode comprar? Então combine com ele que aquele carrinho deve ser esquecido. Ele escolheu a bola.

6 – Quem guarda sempre tem

Isso não vale apenas para o dinheiro. Avalie junto com seu filho como foi a conservação e os cuidados com a chuteira velha ou com a última bola que ele teve.

Nessa hora vale valorizar e estimular as crianças que valorizam o que tem. E tam várias formas de valorizar. Inclusive usando muito, aproveitando, fazendo valer cada Real "investido" naquele bem.

Aquelas que usam, que conservam e que valorizam o próprio patrimônio devem ser reconhecidas. E elogiadas. Talvez até recompensadas. Nessa hora uma chuteira desgastada, castigada pela bola e pelo uso deve ser mais valorizada do que outra que ficou o tempo todo no armário.

Comprou? É para usar. Foi útil e bem usada? Merece ganhar outra.  Não cuidou? Perdeu? Ficou pequena sem ter sido quase usada? Será que vale a pena comprar outra? Conversem a respeito.

7 - Planejamento

Desejos de última hora devem ser questionados. Pedidos que persistem no tempo, que demonstram real interesse, que vão atender desejos ou necessidades firmes devem ser privilegiados. Uma bola pela qual se espera alguns dias ou semanas certamente será mais valorizada do que outra que é comprada no instante que é vista numa vitrine pela primeira vez.

8 - Forma de pagamento

Dinheiro não dá em árvores. Descontos são para quem pede. Dinheiro não aceita desaforo.

São alguns ditados que representam sabedoria popular. Ensine seu filho a pedir descontos e a negociar melhores condições de compra. Lembre-se que o seu desejo de comprar não é maior do que o de vender do comerciante. Não se envergonhe de pedir descontos, principalmente se for pagar à vista.

Com relação a isso, não admita outra forma de comprar uma bola ou chuteira. Programe-se, organize suas finanças, mas compre e pague somente quando puder fazer à vista. Já pensou continuar pagando prestações depois de a bola ter furado?

Veja como são muitos os ensinamentos que podem ser passados no simples ato de comprar uma bola. E nessa hora a garotada se mostra muito mais receptiva. O que eles querem é a bola, mas se mostrarão mais dispostos a conversar, a ouvir e a aprender. Eles farão tudo pela bola. Faça você a sua parte pela Educação Financeira.

Postado por: Felipe Pinheiro

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