Aumenta número de mães viciadas que perdem a guarda dos filhos

Aumenta número de mães viciadas que perdem a guarda dos filhos

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 9:23

O consumo do crack tem se tornado algo comum nas ruas das grandes cidades brasileiras, porém, ainda faltam informações nacionais sobre a quantidade de vítimas. No ano passado, uma estimativa feita com base em dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelou que o número de usuários está em cerca de 1,2 milhão de pessoas, e a idade média para início do uso da droga é de 13 anos.

Além disso, o crack não escolhe o sexo do usuário. Um levantamento inédito feito recentemente pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, na maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, a maior da zona leste da capital paulista, mostra que aumentou o número de mães dependentes de crack e cocaína que perdem a tutela de seus bebês em razão do vício.

Em 2010, o hospital encaminhou para a Vara da Infância e Juventude 43 crianças cujas mães não tinham condições de manter a guarda delas em virtude do vício. Esse aumento foi progressivo no decorrer dos anos. Enquanto em 2007 houve apenas um caso, em 2008, 15 crianças foram encaminhadas à Vara da Infância e Juventude. Em 2009, o número subiu para 26, o que representa um aumento de 73% se comparado ao ano anterior. Só no primeiro trimestre de 2011, o hospital já registra 14 casos de perda da tutela.

O fluxo de atendimento levou o hospital a fazer um estudo específico para diagnosticar os aspectos sociais que compõem este cenário, relacionando mães e drogas. Os dados estão baseados em 33 prontuários de pacientes que deram entrada entre abril de 2009 e abril de 2010. Foi observado que 64,5% das parturientes atendidas tinham idades entre 15 e 25 anos. A maioria com baixo nível de escolaridade (54,8% não completaram o Ensino Fundamental) e ausência de profissão estabelecida (61,3%).

A dependência química também atrapalha o acompanhamento médico das gestantes – 48,4% das pacientes não aderiram ao total de consultas de pré-natal oferecidas. Entre as drogas mais consumidas por esse grupo estão o crack (41,94%) e a cocaína (19,35%). O estudo revelou ainda que 48% das parturientes atendidas na maternidade possuem companheiros também usuários de drogas, o que dificulta a tomada de decisão para o abandono do vício e procura por tratamento.

De acordo com Corintio Mariani Neto, diretor da maternidade, a maioria das pacientes é moradora de rua e se encontra em grave situação de vulnerabilidade social, com rompimento dos laços com familiares e com a comunidade. Ele alerta que o uso das drogas durante a gestação pode provocar uma série de problemas aos filhos que estão sendo gerados: “Deslocamento prematuro de placenta, parto prematuro, anomalias congênitas, retardo do crescimento, baixo peso do recém-nascido e morte neonatal.”

Outros três hospitais estaduais da capital paulista apresentaram também casos de bebês encaminhados ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância em 2011 em razão de dependência química das mães. Foram 13 ocorrências no Hospital Geral de Pedreira; 14 no Hospital Geral de São Mateus; e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba. A secretaria pretende dobrar o número de leitos de internação para dependentes químicos (álcool e drogas) em todo o estado em 2012: de 400 para 800.

Perspectivas diante das drogas

Mesmo diante da falta de perspectivas que as drogas causam, há casos de pessoas que conseguiram se livrar dos vícios, pois encontraram a saída em Deus. Bárbara Oliveira é um destes exemplos. Quando jovem, a hoje esposa do pastor Claudio Oliveira, experimentou o lado obscuro das drogas e da violência, se envolvendo inclusive com prostituição. Aos 13 anos, ela vivia em um lar destruído. A mãe dela era traficante e viciada, por isso, Bárbara era obrigada a trancá-la em casa a fim de protegê-la.

Bárbara conta que viu a mãe ser assassinada por traficantes e que ficou totalmente sozinha no mundo, sem ter parente algum, além da irmã. Na época, ela era movida pelo ódio e não conhecia o Senhor Jesus. Já havia tentado o suicídio várias vezes e se envolveu com prostituição: “Após tanto sofrimento, eu fui evangelizada por um rapaz, que hoje já morreu. Ele havia se afastado da Igreja Universal do Reino de Deus e me disse: ‘Vou te levar a um lugar que vai mudar a sua vida. A minha não mudou porque eu não quis, mas você precisa ter essa oportunidade.’ Eu fui por consideração, pois não acreditava que algo ou alguém poderia transformar a minha vida. A única coisa que ele me pediu foi para abrir meu coração quando chegasse lá." (Veja depoimento completo em  www.arcauniversal.com/iurd/noticias/eu-comi-lixo-e-bebi-agua-do-vaso-sanitario-7032.html).”

O marido de Bárbara, o pastor Claudio Oliveira, que na época era membro do Força Jovem, observava o comportamento da jovem e acompanhou o processo de libertação dela. “Muitas pessoas falavam para eu desistir, porque ela só ia me atrapalhar. Começamos a conversar, oramos e como ela ainda morava na rua, pedi para que fosse morar com a minha irmã”, revela. Cerca de 1 ano depois, eles se casaram, e hoje servem a Deus no altar. Para o bispo Edir Macedo, o testemunho de Bárbara comprova que Deus pode mudar a vida de qualquer pessoa, seja qual for a situação.      

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