Cartão de Crédito: Como lidar com ele?

Cartão de Crédito: Como lidar com ele?

Atualizado: Terça-feira, 10 Novembro de 2009 as 12

O chamado dinheiro de plástico está ganhando cada vez mais terreno. Não sei bem como andam as estatísticas mas sempre leio que o uso do cartão está aumentando cada vez mais. Eu gostaria de compartilhar com você algumas regras práticas que tenho aprendido ao longo do tempo para que você use seu cartão da melhor maneira possível.

É realmente necessário usar o cartão?

Não. Apesar da prática bastante arraigada, o cartão de crédito não é imprescindível e às vezes, indesejável, principalmente se você tem dificuldades com a disciplina financeira. Aliás, algumas pessoas usam o cartão pensando que ele as ajudarão a serem mais disciplinados ou coisa semelhante. Nada mais longe da realidade. Particularmente eu percebo que o uso do cartão de débito ajudaria mais porque o débito é realizado imediatamente e assim sabemos que o que fica na conta é real, pois não está comprometido com lançamentos futuros, ou seja, quando chegar a data de vencimento do cartão. Existe uma estatística interessante, a de que, quando usamos o cartão de crédito, normalmente gastamos 30% a mais. A razão é simples. Quando usamos o cartão não sentimos que estamos gastando, pois a conta só chega 30 a 40 dias adiante.

Cartão de crédito não é orçamento.

Já ouvi comerciais de cartão de crédito que falava das vantagens de se possuir cartão e tudo o mais. Dentre estas vantagens estaria o fato de que todas as compras vem discriminadas e que este registro é muito bom e etc. e etc. É importante dizer que a fatura do cartão, por mais discriminada e detalhada que seja, não é orçamento. Ela apenas diz o que você comprou, mas não garante que comprou o que devia ou o que estava orçado. Só um orçamento pode dizer a você claramente cada um dos valores a serem gastos em cada área de necessidades tais como moradia, supermercado, roupas, etc. Não caia nessa de achar que a fatura de cartão substitui o orçamento. Se as estatísticas estiverem corretas, pode ser justamente o contrário, ou seja, que você estourou em 30% alguns itens do seu orçamento. Então, sempre que comprar com cartão, não deixe de registrar essa compra no orçamento, para saber que o valor dela comprometeu uma parte do item "roupas", só para citar um exemplo.

Quantos cartões devo possuir?

Bem, a esta altura da nossa conversa, eu diria que um só cartão já é mais que suficiente. Perceba que, em princípio, você pode ter vários cartões e estar em equilíbrio financeiro. Para os disciplinados o cartão não é um problema tão grave assim. Eu me considero uma pessoa disciplinada financeiramente,mas vez às vezes dou uma escorregada com o cartão. Nada grave, mas acontece. Imagine para os que não tem disciplina. Portanto, não seria razoável eu dizer que você deve possuir apenas um cartão. Mas veja o seu perfil. Eu recomendo que você seja o mais conservador possível, pois, por experiência, sei que as pessoas são movidas a gastos, por isso, quanto menos cartão, melhor.

Devo parcelar?

O parcelamento é, teoricamente, uma das vantagens do cartão, além daquela de vencer numa data posterior à da compra. Mas o perigo é você cair na mentalidade do endividamento. É aquele modo de pensar de que só conseguimos comprar coisas nos endividando. Se você se convencer disso, estará no pior dos mundos. Lembre-se que, normalmente, as lojas pagam um percentual do valor da compra para a operadora do cartão e também embutem juros nas parcelas. Por isso a frase "parcelas sem juros" não é verdadeira. O correto seria dizer "parcelas iguais", mas dizer qual o juro que está embutido. Se você conseguir negociar uma redução equivalente aos juros e remuneração da administradora para pagamento à vista, seria a melhor opção.

Pague a fatura integralmente!

Não seria nem necessário falar, mas, é sempre bom lembrar que o total da fatura deve ser pago na data de vencimento. Com juros que variam de 10 a 15% ao mês, não podemos dar essa moleza para os cartões, certo? Se você não conseguir pagar o total da fatura, provavelmente é sinal de que não está disciplinado suficientemente para lidar com o cartão. Então, ao invés de ficar racionalizando, que tal dá um tempo com o cartão e repensar a relação? Creio que seria uma decisão inteligente.

Sucesso!

Paulo de Tarso é engenheiro civil e mestre em teologia. É o idealizador e organizador do Site, Palestra e Seminário Finanças para a Vida e do Projeto Educação Financeira para Todos ([email protected])

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