Casamento: Para Onde Foi o Amor?

Casamento: Para Onde Foi o Amor?

Atualizado: Terça-feira, 4 Janeiro de 2011 as 2:20

Talvez não tenha havido, na história da humanidade, um período em que se falasse tanto de amor, como o atual. Os “hippies”, com dois dedos levantados em forma de “V”, pregaram “paz e amor”. Através do rádio ou da televisão, dos jornais, revistas ou cartazes, deduzimos, sem muito esforço, que amor é um produto de consumo.

Porque a estrutura social do homem é baseada em famílias, não pode haver sociedade humana sem que haja família. Estas são as primeiras a perder a idéia clara, objetiva do que é o amor e, conseqüentemente, não tê-lo na qualidade de sua determinação essencial. Nessa base, cônjuges colocam o rótulo de amor naquilo que é o seu maior inimigo: o egoísmo, ou seja, o uso das pessoas para satisfação do amor próprio.

Amor, muito mais que a idéia de sentimento, é doação. Dar de si mesmo a outrem. Amor é uma atitude demonstrada em algo que acontece de modo tangível. Em outras palavras, ninguém ama abstratamente. Notemos os exemplos bíblicos: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”; “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho...”; “Ele me amou e a si mesmo se entregou por mim”. Por isso, o amor é primeiramente uma doação, uma entrega de alguém a outra pessoa. Tem que ser tratado, regado, cultivado. É onde me preocupo com o bem estar da pessoa amada, ajudando-a no que puder, planejando juntos a vida, na firme determinação de fazer tudo o que estiver ao meu alcance, pela felicidade dela.

O casal deve relacionar-se mutuamente na base do amor. Para Hegel, “o amor matrimonial significa, a consciência de minha unidade com o outro e do outro comigo”.

“No amor, eu conquisto minha autoconsciência unicamente como renúncia do meu ser para mim mesmo, minha individualidade, e conheço-me na unidade de mim mesmo para com o outro e do outro para comigo”. A união nesse alto nível, como expressa Lacey no livro “Casamento na Igreja e no Estado”, “é uma conjunção de duas vidas para viverem como se fossem uma”.

É tão parte integrante da ordem natural das coisas que Voltaire ousou dizer que se não houvesse amor assim no casamento, ele “seria inventado”.

Como é possível manter esta relação de amor no casamento? É preciso apropriar-se de um recurso que é descrito na Bíblia como Deus mesmo. Ele é amor e provou este amor para com os homens por meio da morte de seu Filho.

A família é um reflexo do amor de Deus, onde as partes não são, cada qual, fim para si mesmo, mas a vida em amor com o outro. No amor está estabelecido o marco de referência que não somente modela o padrão de relacionamento do casal, mas por sua vez, permite seu crescimento.

Sem a CONSCIÊNCIA de Deus e essa autoconsciência, não haverá compreensão do que venha a ser “dois sendo uma só pessoa”, nem solidariedade de matrimonial.

Sem Deus, instituidor do casamento, expressão máxima do amor, e sem o outro, cuja unidade com ele é imperativo divino, o ser humano restringir-se-á a uma pessoa privada, independente para si mesmo, na sua individualidade egoísta, alguém deficiente e incompleto.

Eli Fernandes de Oliveira   é pastor titular da Igreja Batista da Liberdade (SP) desde 1984. É Bacharel em Teologia pelo STBNB; Psicanalista Clínico pela SPOB; Mestre em Teologia e Mestre em Ministério pela Faculdade Teológica da Fé Reformada, São Paulo, e Doutor em Teologia Th.D (cum claude) pela Universidade Cohen, Los Angeles, CA.

Já foi condecorado com Medalha Anchieta, da Câmara Municipal de São Paulo; Prêmio de Personalidade do Ano, pela Academia Paulista Cristã de Letras; Comenda Paul Harris, do Rotary Club e Membro Honorário da Força Aérea Brasileira.

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