Cigarro não combina com mulher e fertilidade

Cigarro não combina com mulher e fertilidade

Atualizado: Quinta-feira, 29 Maio de 2008 as 12

O tabagismo é o inimigo número 1º da saúde feminina. Além dos malefícios físicos, ele também afeta o órgão mais importante na gestação humana: o útero. "A parte interna é muito prejudicada com o cigarro. Além disso, as mulheres que fumam entram na menopausa mais cedo, apresentam maiores riscos de vir a desenvolver câncer de colo de útero, e piores resultados em tratamentos de fertilização", relata o especialista em reprodução humana Vinicius Medina Lopes, do Instituto Verhum.

Uma pesquisa realizada na Espanha, relacionada à fertilização in vitro, revelou que a taxa gestacional das pacientes não-fumantes é cerca de 52%, já nas tabagistas cai fortemente para 34%. Já oriente foi publicado um estudo sobre o efeito do tabagismo em casais, onde o homem fumava e a mulher não. Foram mais de 500 acompanhamentos, por um ano, sem que as mulheres fizessem o uso de métodos contraceptivos. Após a realização de testes de gravidez, foram observados abortamentos precoces. A conclusão que se chegou foi que existe uma chance muito maior de uma mulher sofrer uma perda gestacional onde os maridos fumam 20 cigarros ou mais, por dia. Portanto, a extensão do prejuízo não é apenas à mulher e ao feto. "Esse é um efeito que pode prejudicar também os espermatozóides", alerta Dr. Vinicius.

Na América Latina o tabagismo entre as mulheres tem aumentado, principalmente, nas mais jovens. Alguns estudiosos apontam a mudança no papel social (a entrada no mercado de trabalho, o estresse, a pressão por ser mãe, profissional e dona-de-casa ao mesmo tempo) como o fator responsável, pois a indústria do tabaco utiliza o cigarro associado ao símbolo de independência, que, por muitas vezes, influencia para o seu uso.

ANTICONCEPCIONAIS – Outra combinação de alto risco. Mulheres que usam anticoncepcionais orais e fumam têm 10 vezes mais chances de desenvolver uma embolia pulmonar, tromboflebite, infarto do miocárdio, AVC (acidente vascular cerebral). "Destaco também que mulheres acima de 35 anos ou mais têm que fazer uma escolha: ou ela fuma ou toma anticoncepcional oral. Se tiver que usar, deve optar por uma pílula que só contenha progestagênio", informa o médico.

GESTAÇÃO – Mesmo com tantas ações sobre conscientização, ainda existem mulheres que fumam durante a gravidez. "Abortos espontâneos, mortes fetais e de recém-nascidos, sangramentos, nascimentos prematuros. Essas são algumas complicações que podem ocorrer na gestante tabagista, devido aos efeitos da nicotina e do monóxido de carbono. Ainda vale destacar os danos nas fumantes passivas, que absorvem as substancias tóxicas da fumaça e através sangue repassam para o feto, e as que fumam durante a amamentação, a nicotina também vai para o leite", finaliza Dr. Vinicius.

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