Coluna Alexandra Guerra - As Causas da violência infantil e os dois cachorros

Coluna Alexandra Guerra - As Causas da violência infantil e os dois cachorros

Atualizado: Quarta-feira, 22 Outubro de 2008 as 12

As Causas da violência infantil e os dois cachorros

Estão cada vez mais comuns as brigas e a violência entre as crianças. Eu estava conversando na escola com um garoto sobre suas atitudes agressivas com colegas e até com seus professores. O menino, que me ouvia em silêncio absoluto, virou-se para mim com aquele olhar de quem está pensando profundamente na questão, apertou seus olhinhos castanhos e desabafou: "Tem uma coisa dentro de mim que não consigo controlar!".

Que coisa será essa? Fiquei pensando. Lembrei-me então da história que ouvi uma vez, dois cachorros que brigam dentro de nós.

A história conta que um índio descreveu certa vez os seus conflitos internos: "Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Eles estão sempre a brigar".Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o índio parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimentar".

Qual "cachorro" você quer que vença? O Pit Bull ou o Yorkshire? Perguntei ao garoto. E ele replicou: "Mas meu pai disse que se alguém me bater eu tenho que revidar".

Quando ele saiu da minha sala fiquei pensando em como o próprio pai estava alimentando o "Pit Bull". Como podemos alimentar esses "cachorros"? Pensei em três possibilidades de "biscoitos caninos":

1. Disciplina - Pode estar faltando limites, nesse caso fortalecemos o descontrole. A  correção pode também estar sendo feita da forma errada. Correção sem amor gera mais violência.

2. Medicina - Pode ser que a criança tenha um distúrbio ou transtorno como a famosa hiperatividade, por exemplo. Então, falta a ela um diagnóstico e tratamento adequado.

3. Espiritualidade - Pode ser atuação ou influência maligna. Resolve-se com jejum e  oração.

Antes de testar estas três áreas você pode partir para a lei do reforço. Este método, que há algum tempo coloquei em cheque e questionei severamente, tenho agora colocado em prática e obtido ótimos resultados. Trata-se de recompensar o bom comportamento com privilégios ou pequenos presentes, como adesivos e a famosa estrelinha que você já deve ter visto (e talvez recebido) quando estudou.  

Um dia, uma professora chamou a atenção de sua pequena de dois anos e meio perguntou-lhe:

"- Ana, quantas vezes vou ter que falar para você obedecer? Ana então respondeu:

- Três vezes professora. Você disse que só iria falar três vezes. E essa foi a vez dois".

Eu sei que reforço também é coisa de cachorro, mas muitas vezes ele ajuda ou pelo menos nos dá tempo para investigar qual "cachorro" está sendo mais alimentado e como.

Já pensou se estivermos alimentando o "Pit Bull" dentro de nossas crianças?

  Alxexandra Guerra é pedagoga, palestrante e jardineira. Autora dos livros "Infância: O Melhor Tempo Para Semear" e "Ciclos: de vida ou de morte, em qual deles sua família está?".

Contato:

[email protected]

alexaguerra.blogspot.com

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