Coluna - Marilene Ayalla - Crianças: amor ou ódio?

Coluna - Marilene Ayalla - Crianças: amor ou ódio?

Atualizado: Quarta-feira, 8 Outubro de 2008 as 12

Estamos com nossos sentidos poluídos de tantos casos de violência contra nossas crianças.

Não há trégua, para onde nos voltarmos há uma manchete nos remexendo as entranhas com as barbaridades praticadas contra elas.

Aparecem mil donos da verdade, defensores da honra, mas nada de prático e solucionável aparece.

As crianças se tornaram alavancas de IBOPE nos horários televisivos. Vê-se  e ouve-se de tudo. De preceitos científicos a bobagens "popularescas". De alta teoria a blasfêmias. De altíssima moralidade aos abismos da imoralidade.

Não se menciona nenhuma solução imediata. Apenas críticas e ofensas, aos berros, direcionadas às famílias, aos réus, às vítimas e às autoridades. Chega-se ao limite da falta da mínima educação para elaborar conceitos rudimentares sobre os fatos.  

Não se menciona a falta de planejamento familiar. Há 40 anos mais ou menos, autoridades brasileiras diziam que as crianças que estavam nas ruas, em menos de 20 anos seriam adultos delinqüentes... Essas crianças que cresceram sem lar, sem escola, sem saúde, sem trabalho, sem futuro, sem sonhos, sem objetivos [..] se tornaram pais dessas outras crianças que vemos à deriva nas mãos de adultos despreparados, desqualificados para a tarefa de educar, cuidar, proteger.

Eles, mesmos que desprotegidos, sofreram as mesmas angustias e violências que impingem a seus filhos.

O tempo passa, e nada se faz, promessas vãs...

Pais que levaram surras aprenderam que essa era uma forma torta de amor.

Crianças abusadas,violentadas de todas as maneiras, misturaram afeição com dor.

Desenvolveram uma capacidade elogiável de sobreviverem apesar dos pesares.

Não se restringe à pobreza essa multiplicação de violência contra crianças.

Onde estavam as crianças violentadas, judiadas? Com quem estavam?

Pais estudados, ricos, mandam seus filhos para escolas caríssimas, aulas de judô, ballet, natação, pintura, música, artes, inglês, etc. SEM SABEREM o que se passa com as crianças.COM QUEM ESTÃO,O QUE FAZEM?

Transferem às várias atividades o papel de guardiãs de seus filhos. Tornaram-se protetores descartáveis.

Enviam-nos para viagens turísticas espetaculares, acampamentos, grupamentos  e talvez nunca saibam o que lhes sucedeu ALI...

Há exceções? Sim,é claro. Mas é na experiência diária de nossos filhos que se cruzam atitudes sãs e doentias.

Pais: ricos ou pobres, cientes ou ignorantes, esquecem do principio básico da paternidade consciente: FILHOS SÃO PARA CUIDAR. ESTAR COM ELES. PRESENÇA QUE DÁ SEGURANÇA.

E ignorância não é desculpa, quase todos os lares brasileiros tem um rádio ou uma televisão alertando,noticiando tudo o que ocorre pelo mundo.

Mas... não se diz que damos o que recebemos??? Que herança é a nossa???

Me acode à memória que um dia ouvimos dizer que Jesus admoestou os apóstolos dizendo-lhes:"DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS..."

Deixemos de denunciar, passemos a contribuir para uma paternidade melhor, ajudemos por onde estivermos...

Marilene Ayalla é psicóloga clínica com larga experiência em atendimento individual e em instituições e empresas, acredita que a Psicoterapia é instrumento valioso de reformulação do ser humano, com suas próprias emoções e comportamentos.  

*Marilene Ayalla atende em clínica particular com hora marcada pelos telefones 11 - 5536-0764/9982-8408.

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