Coluna - Marilene Ayalla: Ouvir, qualidade ou ato de amor?

Coluna - Marilene Ayalla: Ouvir, qualidade ou ato de amor?

Atualizado: Terça-feira, 6 Novembro de 2007 as 12

Ouvir, qualidade ou ato de amor?  

Ouvir sem tomar partido, com paciência e colocando-me no lugar de quem ouço. O que chamamos de empatia, "colocar-se no lugar do outro"...

Quantas vezes conseguimos fazer isso?

Não nos é mais fácil intrometermo-nos, darmos a nossa opinião, tentarmos solucionar o problema do outro, aquilo que ouvimos, da nossa maneira? Bem do jeitinho como vemos a vida? Amparados na nossa verdade? No nosso ponto de vista?

Essa é maior queixa que ouço: "ninguém me ouve", "quando me ouvem querem que eu faça o que eles consideram como certo"...

Esse é o discurso de crianças, jovens, adultos e idosos (que eu prefiro carinhosamente chamar de velhos, posto que têm consigo o tesouro de experiências vividas).

-Crianças devem obedecer e nem sempre sabem o porquê;

-Jovens querem questionar, perdem o contato com os adultos ao redor e também não entendem bem o que ser, como fazer ou o que deles se espera;

-Adultos, meio que perdidos na luta diária pela sua sobrevivência e de suas famílias, não têm tempo para pensar. Tempo é dinheiro, discutir relacionamentos é perda de tempo, portanto de dinheiro, e sós vão ficando filhos, amigos, cônjuges e eles próprios;

-Velhos, então, queridos velhos, sozinhos, curtindo a passagem do tempo ou querendo impor sua verdade aos mais jovens, na tentativa de recuperar seu lugar no mundo, apenas conseguem se isolar mais e mais.

Falta comunicação! Falar mesmo, a dor que dói, a rejeição que consome, a frustração que incomoda e OUVIR. Ouvidos amorosos, pacientes, atentos às nuances da voz, ora baixinha ou alta, trêmula, emocionada, com raiva.

Prestar atenção ao outro, que pode ser seu esposo, amigo, colega de trabalho, filho ou apenas alguém que passa em nossas vidas, necessitando como cada um de nós, ser ouvido.

OUVIR é como uma sinfonia, tem seus agudos e baixos, movimentos suaves, ondulantes, suspiros, lágrimas que não caem, risos que não ecoam, saudades que espinham.

OUVIR é prestar atenção. Em meio aos tons altos das músicas efervescentes, ás buzinas e sirenes, aos gritos de vendedores, ao choro de bebês, do funk, do pagode, da ópera e do louvor a Deus.

Prestar atenção ao outro que está conosco na mesma estrada da vida.

E não é privilégio apenas de um consultório.

Não é difícil, é vontade. Que se torna hábito e nos une a todos.

Exercício de fraternidade, ou como eu gosto de dizer, DE AMOR

Marilene Ayalla é psicóloga clínica com larga experiência em atendimento individual e em instituições e empresas, acredita que a Psicoterapia é instrumento valioso de reformulação do ser humano, com suas próprias emoções e comportamentos.

Marilene Ayalla atende em clínica particular com  hora marcada pelo telefone 11- 9982-8408.

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