Coluna - Teresa Cassab:Saúde emocional

Coluna - Teresa Cassab:Saúde emocional

Atualizado: Quarta-feira, 17 Setembro de 2008 as 12

Existem enfermidades não diagnosticadas pela ciência mas que à luz da palavra podemos identificá-las. Como uma  delas muito comum, que até se confunde com o caráter humano. Mas ao

entendermos as causas e os sintomas tão bem diagnosticados neste texto de Huberto Rohden, podemos dizer que se trata não apenas de um pecado, mas também de uma enfermidade da alma, pois o que contamina o homem é o que saí da sua boca.

Maledicência

Não Fales mal de ninguém, toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva de falar mal dos outros.

Qual a razão última dessa mania de maledicência? É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.

Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio. A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesmo. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.

Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias, a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.

São como vaga-lumes que não podem luzir, senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóres é muito fraca.

Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar. Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita medir o seu valor  pelo desvalor dos outros.

As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicências.

Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor, algo parecido com whisky, gin ou cocaína, que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.

A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente. Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, eliminar dores e traçar rotas seguras. Fala-se muito por falar, para "matar tempo" . A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete de impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.

Semelhantemente as gotas de luzes, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades. Portanto, cabe as pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre,  infelicitando e destruindo vidas. Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas. Evitemos a censura, enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com luzes de misericórdia divina. Porque de acordo com o evangelho de Lucas 6 45, "A boca fala do que o coração está cheio".

Teresa Cassab é pastora do grupo de mulheres do Morumbi - SP; faz atendimento na área de cura interior; e é colaboradora do Jornal Boa Palavra (Igreja Batista do Povo - SP).

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