Como escolher a melhor maternidade?

Como escolher a melhor maternidade?

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 2:43

Assim como em outras fases da sua vida, o período do pré-natal é feito de (muitas) escolhas. Você decide desde o obstetra que vai acompanhá-la durante os nove meses até como vai ser o chá de bebê. Entre as diversas decisões, escolher a melhor maternidade para ter seu filho é, sem dúvida, uma das mais importantes - e talvez a mais difícil, por isso gera tantas dúvidas. Em São Paulo, algumas maternidades recebem mais de 500 visitas de gestantes por mês. Para ajudar você, preparamos um guia e mostramos o que é fundamental observar na hora de conhecer o local.

Procure, procure, procure

Ainda que você tenha adorado a primeira maternidade que visitou, veja uma segunda opção. Primeiro para ter certeza que aquela é a melhor. Depois, é possível que o local escolhido esteja lotado no dia do nascimento do seu bebê e é bom ter um plano B. Uma enquete realizada no mês passado no site da CRESCER surpreendeu ao revelar que 45% das mães foram apenas a uma maternidade. Para não correr nenhum risco, faça as visitas entre a 25a e a 30a semanas. Nessa época você ainda tem bastante fôlego para caminhadas.

Indicação é fundamental

Saber que o lugar onde sua amiga fez o parto era ótimo pode ser um bom indicativo, assim como a sugestão do seu obstetra. Afinal, ele já está acostumado a trabalhar ali com a equipe. Acima de tudo, o ambiente tem que parecer seguro e agradável para você.

Check list com o convênio

Primeiro verifique se o plano cobre a maternidade que você quer antes de ir visitá-la. Economiza tempo e esforço – e quanto menos cansaço com um barrigão, melhor. Se tiver um OK, confira tudo o que está incluso (e o que não está) na cobertura do convênio: opções para alívio da dor durante o trabalho de parto (cromoterapia e hidromassagem), procedimentos de parto (médico e equipe), escolha do quarto (em alguns casos a suíte é paga à parte), se a UTI adulto e neonatal estão inclusas, bem como os exames da mãe (coleta de sangue e ultrassom) e do bebê (teste do pezinho ampliado, triagem auditiva), consultas com outros especialistas durante a internação e até as refeições do seu acompanhante. Se o obstetra é particular e você escolheu um hospital do plano de saúde, acerte o valor do parto e da equipe com o seu médico diretamente e confirme com o convênio o valor do reembolso.

Estrutura para resolver imprevistos

É um dos itens mais importantes. A maternidade deve ter uma equipe multidisciplinar – composta por obstetra, neonatologista e anestesista – de plantão 24 horas, com pronto-atendimento clínico e obstétrico. São fundamentais laboratório de análises clínicas, diagnósticos por imagem (ultrassonografia e tomografia computadorizada) e bancos de sangue e de leite. O ideal é que tenha um cartório dentro da maternidade. É importante saber quais os recursos oferecidos para os pais com filhos na UTI, como sala de descanso, método mãe/pai-canguru, lactários e apoio psicológico. Não faz diferença você ter seu bebê em uma maternidade ou em um hospital que tenha maternidade. O importante é que o local possua uma boa infraestrutura para qualquer tipo de emergência e UTI adulto e neonaltal. Não esqueça de pedir para ver os certificados de qualidade (internacionais ou nacionais) que cada um possui.

Controle de entrada e saída

O rigor com a identificação dos visitantes deve se estender à mãe e ao bebê na alta (a pulseira de ambos deve ser checada na saída). Quando for fazer a visita, observe como é monitorada a movimentação do recém-nascido. É fundamental ter seguranças ou câmeras. O bebê só pode circular pelos corredores do hospital com alguém da equipe do berçário – nem o pai pode. Há sistemas eletrônicos que conferem a pulseira do bebê com a da mãe e permitem saber onde ele está em tempo real.

O bom do parto humanizado

Existem várias opções que podem dar a você mais conforto no parto normal. Há salas de pré-parto conhecidos como labor delivery room (LDR), mais espaçosas, com estrutura para anestesia e outros procedimentos e equipamentos que aliviam a dor e estimulam o parto, como banheira e cromoterapia. Alguns hospitais permitem que familiares fiquem nessas salas. Na hora H, é preciso eleger um acompanhante. O parto pode ser realizado lá ou em um centro cirúrgico, vai depender do hospital e do médico. Alguns locais cobram uma taxa sobre a roupa cirúrgica usada pelo acompanhante. Se você quer que uma doula (acompanhante de parto) esteja presente, certifique-se de que é possível. Veja ainda se você pode amamentar logo depois que o bebê nascer e se o pai pode dar o primeiro banho.

Coleta de células tronco

Converse com seu médico e decida se você quer fazer a coleta. Se sim, é preciso escolher entre o banco privado (você paga pela coleta e pelo congelamento, e o material é seu) e o público (você doa e qualquer pessoa tem acesso – mas só as maternidades vinculadas à Rede BrasilCord realizam a coleta).

Berçário e apoio à mãe

O local deve ser amplo, limpo, com berços aquecidos, aparelhos de fototerapia, oxigênio e equipe de médicos e enfermagem especializados. Há maternidades que contam com um berçário central, já outras mantêm um em cada andar, e assim você fica mais perto do bebê. Outra opção a ser observada é o alojamento conjunto, quando o recém-nascido passa a maior parte do tempo no quarto com os pais. É importante ver a disponibilidade da equipe de enfermagem tanto para auxiliar você com os cuidados com o bebê (como na troca de fraldas ou no banho) quanto para tirar suas dúvidas sobre a amamentação. A quantidade de profissionais no berçário varia de acordo com o número de bebês no local. A equipe mínima é composta por três pessoas: uma técnica, uma auxiliar de enfermagem e uma enfermeira para coordenar a equipe.

Quarto equipado

Além de limpos e com mobília conservada, devem ser amplos o suficiente para ter uma cadeira de amamentação, espaço para receber visitas e um lugar para o acompanhante dormir. É melhor se tiver um lavabo, ou pelo menos uma pia, logo na entrada do quarto para "lembrar” as visitas de lavarem as mãos antes de pegar o bebê. Verifique se há ar-condicionado e se as janelas podem ser abertas – se crianças forem visitar você, por exemplo, é melhor que elas não consigam abri-las. Em alguns casos, existe a possibilidade de pedir por uma suíte com ante-sala, que dá privacidade à mãe e ao bebê (veja o custo adicional). Pergunte se há cofre com senha no quarto para guardar seus pertences, frigobar, TV e sistema de internet.

Como um GPS

Faça o caminho da sua casa até o hospital no fim de semana e estime quanto tempo a mais gastaria se o trânsito estivesse ruim. Marque também rotas alternativas. Se ficar longe demais da sua casa ou trabalho, talvez não seja uma boa opção.

Serviços extras de hotelaria

As maternidades entraram com tudo no ramo da hotelaria. Algumas têm equipe de foto e filmagem para acompanhar o parto, outras contratam chefs para fazer o cardápio junto com a nutricionista. E, se você estiver muito animada (e disposta), pode pedir pelos serviços de manicure, pedicure e até cabeleireiro – todos cobrados à parte, claro.

Humberto Tindó, coordenador do Setor de ginecologia e obstetrícia do Hospital Quinta D´Or (Rj); Ricardo Simões Morando, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz (SP); Eduardo Cordioli, obstetra e ginecologista e coordenador da maternidade do Hospital Albert Einstein (SP); Silvia Aline Ferreira Andrade, enfermeira obstétrica do Hospital e Maternidade Santa Catarina (SP)

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